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O Pulgatorio - revisado 170809

Abri meus olhos, a escuridão tomava uma área vasta, parecia não ter fim. Imediatamente fiquei em pé, olhei para o vazio e ao longe, uma luz destaca uma velha escrivaninha, cheia de pastas, papeis, canetas e um computado antigo, aqueles que o teclado e o monitor eram uma coisa só, definitivamente jurássico.

Logo atrás de toda aquela bagunça, uma senhora aparentemente com os seus cinqüenta anos, cabelo Chanel, e de óculos. Interrompia o silencio.

 - PRÓXIMO!. - de imediato olhei para traz, espertamente caminhei a passos soltos em direção da mesa afinal o queria saber o que estava acontecendo.

- Pois não em que posso ajudá-lo,
 - e tipo, como assim?.  - não entendia o que ela queria dizer com "o que posso ajudá-lo" . Pra mim era um bendito sonho bizarro extremamente lúcido.
- Senhor!! - Com uma voz irritante e anasalada dizia a mulher.
- o senhor não e o único da fila. - novamente olhei ara traz, e não havia nenhuma fila. Senhor, nome?  - nome?
- Que nome.? Perguntava a mulher.
 - seu nome senhor.
-  Ah, meu nome Julio, olha eu não to entendo nada, afinal aonde estamos?.
- Senhor isso cabe ao senhor responder.
-A mim? como assim?
- Vou ser direta o senhor deve ter morrido! provavelmente, acho, mas em todo caso eu vou checar.

Com as palavras mais assustadoras da minha vida, um tranco havia me acertado, morrido? Como assim?  Pra mim era apenas um maldito sonho. So quero uma resposta Coerente pode ser?  - Exaltando a voz.
 - Um momento por favor senhor.
- Espera ai moça, EU MORRI, e você quer que eu espere, EU MORRI, isso aqui e o céu?  Feio desse jeito.
- senhor aqui e apenas  "o purgatória" ou melhor pulgatorio paras os íntimos , aonde as criaturinhas menos favorecidas de Deus vagam.
 - como assim? Criaturinhas menos favorecidas.
- Senhor, o sistema não esta respondendo ele deve ter caído, peço ao senhor que espere pouco.
- Ah Sim claro, ate parece que tenho escolha.

 - O senhor lembra a ultima coisa que estava fazendo antes de vim para este setor?
- eu estava...  . ... . O que eu estava fazendo mesmo?
- Não consigo lembrar, mas então, eu to morto? - aparentemente senhor.
- você o que faz aqui? - eu sou do s.a.c. Serviço de atendimento celestial, meu trabalho aqui é exclusivamente  encaminhar as novas almas recém desencarnadas, transferir as orações para cada setor responsável.

-Olha, se for um sonho eu quero acordar, me tira daqui, anda com essa merda.
- Mas senhor o sistema ainda não voltou sua situação esta pendente, o senhor queira anotar o numero do protocolo, por favor.
- que? Protocolo, eu só quero sair daqui minha senhora. - Por favor, mantenha a calmo senhor. - que porra de protocolo o que? já disse quero sair daqui. - eu to calmo e a senhora que não ta entendendo. – as veias saltavam em sua face,era engraçado de se ver

 O tom de voz atendente começava a mudar, estava firme.  Olha aqui senhor, me respeitei o senhor sabia que desacato celestial pode lhe mandar mais cedo para o inferno? Isso e uma lei da união celestial. O senhor não quer ir para o inferno, não é mesmo?. Então fique calma e cale essa maldita boca, ops...  to blasfemando – deu um sorriso a atendente, fazendo o sinal da cruz e pedindo perdão e se recompondo .
 - Minha cabeça não parava de doer, lei celestial, que merda de lei celestial e essa, se o pulgatorio e assim como um atendimento 0800 imagina o inferno.

Digite dois para reclamação e solicitações, três  para fala com um de nossos atendentes e quatro para DANAÇÃO ETERNA!
- algumas horas haviam se passado, eu já estava acreditando que tinha batido as botas e aquele era meu inferno pessoal eis que por mágica...

- senhor, interrompia a mulher. O sistema ja esta em funcionamento, só peço que o senhor aguarde mais alguns instantes.
- olhei com deboche mais profano!  - e mesmo?
- Vamos ver, Julio, Julio, Julio.... Julio  de que senhor?
 - Julio de Souza e Cruz.
Senhor, o seu nome não foi encontrado no sistema. Que como assim? - O senhor deve ter sido arrebatado recentemente e o nosso sistema demora "48" horas para atualizar devido a grande demanda de arrebatamentos, principalmente neste final de semana que e carnaval, só na quarta feira de cinza que deve voltar ao normal.
 - mas que dia hoje?
- Sexto senhor.
- o que??????  Tenho que espera cinco dias aqui!?
 - Senhor e so ter calma que passa rapido.

já não sabia o que fazer, ela já me ignorava não respondia se quer uma pergunta que eu fazia, uma injuria  um momento de pânico me fazia sua frio,as mão tremiam, olhei pra mesa, e para a atendente, olhei pra mesa e ela continuava a fazer o seu trabalho. Achoq foi um surto de idiotice, por que comelei a derruba tudo que tava na mesa, assim quem sabe eu não teria um centelha de sua atenção, estabanado e sem coordenção essa e minha filosfia, sem querer, mas querendo ou não eu puxei o fio da tamado do PC enquanto os papais caiam sobre o chão. Ela levantou deu um tapa na mesa, pensei comigo agora literalmente eu vo pro inferno, fechei meu olhos esperando o pior, clarões, como relâmpagos iluminava o ambiente, o computador caido n chão apitava. Novamente o clarão e entre mais alguns segundos outro clarão assim sucessivamente, olhei para o rosto da atendente e ela não estava com a cara boa, mas no final me soltou um breve sorriso como se despedisse. E mais um clarão e assim sucessivamente sem fim

-Afastem; Piiiiiiiiiiiii disparava o barulhento aparelho
- Sinais vitais
- nenhum senhor
- vamos já se passaram quase dez minutos, essa e a ultima tentativa. Dizia o homem de avental branco
Aumente para duzentos e cinqüenta
- ok senhor
- afastem!

....

....

....

PI  PI  PI PI ....

- sinais vitais?
- estabilizando doutor
- leve-o para U.T.I e o deixam de observação
Fábio Karvalho
Enviado por Fábio Karvalho em 24/09/2007
Reeditado em 17/08/2009
Código do texto: T665886

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Sobre o autor
Fábio Karvalho
Guarujá - São Paulo - Brasil, 37 anos
95 textos (5227 leituras)
21 áudios (1199 audições)
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Fábio Karvalho