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O Quinto Homem - parte 08

Obras da Usina Hidrelétrica , Interior de Itá.
14:17



A estrada de chão era cheia de buracos. Uns grandes, outros nem tanto, mas juntos transformavam a rua em um mar de lama.
        Apesar disso o caminho até as obras foi percorrido rapidamente. O estado da viatura é que  não era nada bonito. Lama e barro por todos os lados.
        O policial que o levava teve que mostrar perícia no volante nas várias ocasiões em que o veiculo ameaçou sair da estrada por causa da pista escorregadia.
Ao chegar à obra, começou a chuviscar levemente.
O policial o conduziu até o encarregado da turma de operários.
Um homem com cara de poucos amigos;  não devia ter mais de 1,77 em cima de uma monstruosa barriga de quase 100 quilos. Josafá  era o nome da figura.
Conversaram rapidamente e ele indicou onde encontrar o operador.
----- Espero que ele  não tenha feito nada errado. É meio esquentado mas é  um bom rapaz. Trabalha direitinho e  não abre a boca para nada.  --  disse quando Marcelo e o policial estavam entrando na viatura.


Rodaram mais uns dez minutos. A chuva ainda caia, insistentemente, na forma de garoa.
        Então, logo após uma curva, encontraram um pessoal abrigado da chuva, debaixo de uma lona.

        O policial perguntou por "Chapecó".
------ Está  na máquina! Logo depois da casa de ferragens! -- disse alguém -- Quer que vá  chamá-lo ?
O policial disse que  não era necessário.
        Marcelo saiu do carro.
        Puxou a aba da jaqueta para cima. Para esquentar as orelhas.
       
        Começou a andar na direção indicada.
        Viu a retro-escavadeira.
        As gotas de chuva começavam a ficar mais grossas.
        A máquina estava parada. Uma lona cobria seu assento e o painel.
        Rodeou-a.
        Ninguém.
        ------- Procura por alguém, ô do chapéu??
   
       
        A voz saiu curta e  áspera, ao mesmo tempo,  às suas costas.
        Virou-se devagar.
        Debaixo da aba da casa de ferragens, ele divisou a silhueta de um homem.
        Deveria medir aproximadamente, 1,75 e pesar perto de uns 75 a 80 quilos; usava um gorro sobre a cabeça, onde os olhos pareciam duas grandes tochas.
----- Procuro por Chapecó, é você? - perguntou firme, tentando impressionar o outro.
---- E se for? O que você quer? -- o homem  não parecia gostar de falar.
---- Uma moça chamada  Carla  me mandou te procurar, você a conhece? -- tão rápido fez a pergunta prestou atenção às reações faciais do outro.
        Enquanto iam conversando, Marcelo ia chegando mais perto do sujeito.
-----  não conheço ninguém com esse nome, e além do mais, você ainda  não me disse o que quer, e nem quem é você cara? E depois por que eu deveria conhecer essa dona?
--- Porque ela foi atropelada ontem a noite a ultima coisa que ela disse foi o seu nome.  -- arriscou.
Seu rosto contraiu-se. Marcelo viu isso muito bem. Estava a menos de metro e meio do homem. Ele o pegara. Tentou virar o rosto para o outro lado.
------ Olhe para mim rapaz, quando falo com você!! - disse grosso Marcelo.
-----  não!! Eu  não a conhecia. Pronto, se era isso que você queria saber, tchau! Já  sabe que  não a conhecia. - falou virando-lhe as costas.
----  Não minta cara! Qual é a tua hein meu! tá  com medo do quê? - o outro lhe ignorou -  Bom, já que você  não quer ajudar, talvez eu possa descobrir alguma coisa sobre você na delegacia de Chapecó. Aposto como eles devem ter alguma coisa sua por lá, então eu poderei levá-lo  e ter umas resposta em um lugar nada agradável e de um modo que você  não irá  gostar nem um pouco, hein?
Marcelo desceu a mão pesada sobre o ombro esquerdo do operador.
----- Quem é você cara? Um meganha?!
----- Detetive, meu irmão! Detetive!! Mas a policia está do meu lado, está vendo a viatura lá né?! - apontou o carro.
 ----- Tudo farinha do mesmo saco!  - resmungou o outro.
---- Como é que é? - a mão forte de Marcelo o agarrou pelo casaco.
       
Marcelo já estava cansado da conversa fiada do outro. Era certo que ele fora assustado, por alguém ou por algo. Teria que agir com firmeza se quisesse obter resultados favoráveis. Parecia que  Carla  indicara o nome de alguém que pudesse falar ou contar o que ela  não pudera dizer. E a escolha de Marcelo por começar pela última opção, na sala do delegado, fora a acertada.
Apertou um pouco mais o nó do casaco na altura do pescoço do operador. Este começou a ficar meio engasgado.
      ----Tá !! Tudo bem, tá  certo cara, eu falo. Agora me larga!! Quer saber se eu tô cum medo?? Tô sim. Medo de morrer, meu! Morrer igual tentaram fazer com ela. --  ... com ela .. Então não tentaram pegá-lo , era ela o alvo do acidente! O seu carro no meio foi que salvou a vida dela. -- Eu Sinto muito o que aconteceu com ela. A moça era boa gente. Gente fina mesmo.  não tinha essa de frescura pro lado dela. Nós conversávamos bastante, sempre que ela pedia a retro para trabalhar com a turma da arqueologia. -- começou a falar quando Marcelo afrouxou a pressão no cassaco.

       
        Foram andando até entrarem na casa de ferragens.
        A chuva começava a ficar mais forte.
        ----- Sabe eu confiava nela, e ela confiava em mim. Ela era uma boa moça.
        ----- Você fala como se ela estivesse morta, ela vai se recuperar logo. -- Marcelo falou como a encorajar a si mesmo.
        ----- O que ela lhe falou de mim?
        Agora era o operador que perguntava.
        ----- Bom, na verdade, ... tudo!! -  fez uma pausa observando os olhos do homem a sua frente. Plantou verde, para ver se colhia algo.
        ---- Mentira!! -  ele levantou-se rapidamente ao ouvir o que Marcelo dissera. -- Ela  não faria isso. - Caminhou até a janela e olhou para fora.
        ---- Gostaria que você apenas confirma-se, por isso vim até aqui. - um truque que começava a dar resultados. -- Algumas coisa ela deixou no ar.
        ---- Confirmar o quê? Que eu sou um burro?  -  começou a ficar nervoso.
        ---- Ela  também confiava em você. O que ela dizia sobre a vida dela? Os amigos, parentes, inimigos! --  começava a mexer com o lado emocional do operador.
        ---- Eu  não sei muita coisa dela! A maioria das vezes ela só me escutava. Por isso é que eu gostava dela. Poucas vezes ela falava da vida dela. Dos probrema dela. - começava a abrir o bico.

        ----- Nunca lhe falou nada que soasse estranho? Um nome de alguém que ela  não gostasse? Um assunto que ela fugia? Alguma coisa, cara, qualquer coisa, nessas alturas qualquer coisa que você lembrar pode ser importante, por mais insignificante que possa parecer à  primeira vista.
  ---- Você  não disse que ela vai se recuperar? Pois Então faça essas perguntas a ela.
O homem voltava a ficar irritado.
        Marcelo deu dois passos tão rápidos que quando o homem percebeu estava deitado em cima de um pequena mesa, com duas mão de aço a lhe apertarem o pescoço.
        ---- Escuta aqui, o valentão!! eu  não sou cara de ficar perdendo tempo a atoa!! Entendeu!?  não brinque comigo rapaz!! Minha paciência tem limites!! -- fez mais pressão, o rosto do outro se contraiu numa careta de dor. -- Você pode colaborar numa boa ou Então eu consigo as respostas que quero, de uma forma nada saudável para você!! --  Levantou-o com facilidade e o pôs de pé.





16:50
Delegacia de Itá .


        ---- E então?! Conseguiu achar o tal de "Chapecó"? - perguntou o delegado, quando na manhã seguinte foi até a delegacia da cidade.
        ---- É, acho que podemos dizer que a viagem valeu a pena. Algum recado para mim?  - disse referindo-se a um telefonema que esperava.
 ---- Bem, já que você mencionou, uma moça, uma tal de Giovana ligou. Não deixou recado, só pediu para você ligar para ela. Disse que é importante.
        ---- Será  que eu poderia ligar aqui da sua sala Dr., é só um minutinho. Por favor, me quebra esse galho vai?!
      ---- Tá , tá  bom, liga, mas é só um minuto hein, eu vou ficar marcando.
        ----- È que... sabe, delegado, são umas coisas meio íntimas, e eu gostaria de falar com ela, a sós, se é que me entende. É minha namorada.
  Não gostava de mentir. Mas precisava ficar a sós na sala.
----- Só um minuto hein!! É brincadeira!! a gente dá a mão e eles querem o braço! Tcs! Tcs!! - saiu abanando a cabeça.
 
Esperou a porta fechar atrás de si.
        Discou para o escritório em Florianópolis.
        Aguardou, estava chamando.
        Do outro lado alguém atendeu.
-- Sim!? Quem ‚? -- a voz suave veio do outro lado da linha.
        --- Então‚ assim que você atende as ligações? -- falou, reconhecendo a voz da secretária.
        ---- Ho! Seu Marcelo, desculpe eu...
        ---- Tudo bem Giovana! Depois nós conversamos sobre isso. Agora me diz as novidades?
        ----- O senhor  não leu o jornal?? - perguntou ela.
        ----- Não!! O que há ? Vamos, fale? Alguma noticia do Xamã? - perguntou preocupado.
        -----  não,  não!  não ‚ sobre o Xamã, ‚ sobre aquele Dr. que o senhor havia consultado sobre o livro esquisito, lembra, o Dr. Hausmann?
        ----- Tá , lembrei, e daí?
        ----- Bom, ele faleceu, sabe.
 ----- Bem, ele já estava em vias de fato mesmo e portanto  não foi novidade para ninguém e ...
        ---- O senhor  não entendeu. Uma tal de Norma, a secretária, governanta, sei lá , disse que precisava falar com o Sr. Ela disse que era urgente.
        ----- A governanta?? Ué e o que é que ela precisava me disser com tanta urgência assim que  não podia falar para você Giovana?
----- É aí que mora o mistério. Ela disse que achava que ele foi assassinado.
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 21/01/2006
Código do texto: T101755

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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Ivair Antonio Gomes