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O Quinto Homem - parte 09

----- Como assim? Assassinado?? Assassinado por quem? Porquê?? - Marcelo começava a entender a gravidade do caso em que estava se metendo.
        -----  não sei, só sei que ela disse que precisava falar com o Sr. urgente, pediu até o telefone daí, mas eu  não dei. Afinal o que importa é que eu estou lhe colocando a par dos acontecimentos daqui, já que o senhor  não lê jornal. Tem alguma banca de jornal aí na cidade? Quem sabe lendo o senhor pega mais algum detalhe. Ou Então entra em contato com os conhecidos daqui. Sei lá! Era isso que eu tinha para lhe disser seu Marcelo.
---- O.k. ...., Giovana, eu já ia voltar mesmo. O que eu tinha que fazer por aqui eu já terminei, pelo menos eu acho. Amanhã a noite ou depois de amanhã a tarde eu estarei aí. Mais algum recado? Pense bem, procure se lembrar direitinho, hein? - perguntou.
          ---- Ah, já ia esquecendo, o padre ligou, quando eu disse que o Senhor  não estava, ele  não quis deixar recado. Perguntou se eu sabia quando voltava de viagem e eu disse que  não sabia. Parecia importante, mas  não insistiu.
---- É parece que muita coisa mudou por aí hein!! Bem, tome nota se alguém ligar, e veja se a policia já conseguiu alguma coisa sobre o velho? Qualquer coisa, você liga para cá  e deixa recado, mas só conte a mim as novidades, entendeu? Outra coisa, você foi cobrar o Paulo, ali do Ceisa Center? - escutou um sim do outro lado.
        Desligou.
        O delegado acabava de entrar na sala.
        ---- Posso??  - perguntou da porta.
        ---- Vá , vá !  -  fez um gesto com a mão. O Delegado entrara mal acabar de falar, será que não estivera ouvindo atrás da porta?
        ---- E então, e as novidades?  - perguntou novamente o delegado, insistindo, sentando-se atrás da sua mesa, cheia de papéis rabiscados.

---- Bom, primeiro quero saber como está a moça, a tal de Carla?  -  perguntou pegando um copo de plástico acima do bebedouro.
Apertou a torneira e a  água encheu o pequeno copo.
        Marcelo  não sabia ainda como encaixar as peças, e isso o deixava irritado consigo mesmo.
        Levou o copo   boca, sorvendo o precioso liquido, virando-se de costas para o delegado.
        ----- Foi levada de madrugada para Chapecó. De lá  provavelmente a levarão até Florianópolis. Os médicos daqui  não teriam como tratá-la. São pessoas que trabalham só por cachaça e galinhas. Imagina o tipo de serviço que estão acostumados a fazer.
        ----- Bom, pelo menos  não teve o quadro agravado? - perguntou esperando por uma resposta que  não veio, ao invés disso o delegado novamente perguntou:
        ------ E então, quantas vezes vou ter de perguntar? - voltava nessa questão, já se impacientando - Será  que  não posso saber o que se passa na minha jurisdição?
       

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CONVERSAS
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      I-     A CONVERSA COM O OPERADOR

 

          Carla  contara sobre o rapaz que encontrara um dia vindo do serviço.
         Já  eram quase oito horas da noite quando voltava para a cidade. Tivera que ficar até mais tarde no campo acertando detalhes da etapa seguinte do serviço da equipe de arqueologia. Vinha só, deixara o motorista com a kombi no acampamento e resolvera vir de Toyota, pois a chuva tornava a cair e a lama deveria dificultar o caminho. Decisão acertada.
         De longe ela avistou os faróis do carro.
         "Atolado!" pensou.
         Aproximou-se devagar e cuidadosamente.
         Um rapaz apareceu na frente do veiculo. Estava todo molhado e enlameado também.
         Pediu uma carona até a cidade.
         Disse que vinha visitar uns parentes.
          Carla   não se preocupou em perguntar quem?
         Afinal  não conhecia quase ninguém. Assim que ele entrou no carro ela notou a elegância do jovem.
         Paletó e gravata, sapatos finos, "colônia importada!" pensou.
         Foram conversando até a cidade. Ele dizia ser um engenheiro civil e que volta e meia vinha visitar "os Krugmann", eram seus únicos parentes.
          Não gostava muito de falar de si, perguntava mais pela cidade: o movimento para a construção da barragem e sobre o que  Carla  fazia ali naquele "buraco do mundo".
         Ao chegarem na entrada da cidade pediu se ela  não gostaria de jantar com ele.
         Ela muito gentilmente, disse que já comera no acampamento, mas que em outra ocasião aceitaria. Ele olhou para suas roupas sujas e sorriu.
         Passaram-se duas semanas;  Carla  já tinha até esquecido o incidente, pois eles nem sequer tinham se apresentado.
         Até‚ que um telefonema dele a fez lembrar-se.
         Perguntou como a achara. Disse que foi só perguntar pela moça mais bonita que trabalhava com uma Toyota da Eletrosul.
O resto foi fácil. Um pouco de insistência e lhe passaram o número do telefone dela.
         



        Combinaram o jantar no Clube Cruzeiro, mas  Carla  preferiu o hotel. Menos gente disse ela.
         Essa foi a primeira vez. Seguiram-se mais.
         Segundo  Carla  ele dissera chamar-se Ângelo. Era de Chapecó.
         Sempre se comportava como excelente cavalheiro.
         Parecia que  Carla  estava vivendo um sonho.
         Ele era bonito, charmoso, elegante, educado. O homem que todas as mulheres sonham. Porém nunca tentara nada. Nem um beijo na face. Mal um beijo nas costas da mão.
         Então ele começou a fazer uns pedidos estranhos para  Carla .
         Primeiro foi para ela receber um pacote no correio. Porém não deveria abrir de jeito nenhum.
         Logo pediu para ela alugar uma caixa postal, ele até pagaria, mas teria que ser no nome dela.
         Gostavam de ir até o "mirante", quando o sol se punha. A beleza da vista o extasiava, ela chegou a notar em alguns momentos, lágrimas nos olhos dele, porém logo voltava seu bom humor.
         E assim o tempo ia passando.
         As vezes ele lhe pedia para retirar algumas encomendas no correio que eram endereçadas a ela mas que pertenciam a ele.
         Um dia Ângelo lhe telefonou e lhe pediu para retirar uma encomenda para ele em Chapecó. A encomenda, ela já sabia, veio em seu nome.
         Ela nunca estranhou nada. Nunca fez perguntas a ele sobre esse estranho modo de comportamento. Pois tinha medo de isso o afastar dela.
         Foi até Chapecó e retirou a encomenda.
         Assustou-se com a quantidade de pequenas caixas, oito ao todo. Todas do tamanho de uma caixa de sabão em pó. Duas delas ela chacoalhou e ouviu um barulhinho, qual duas superfícies de metal se chocando.
         Levou-as para seu quarto no hotel em Itá.
         Três dias depois Ângelo chegou na cidade.
         Estava com pressa. Muita pressa.
         Subiu as escadas do hotel correndo.
         Quando  Carla  ouviu sua voz na porta, ficou alegre. Estava com saudades dele.
         Ele entrou.
         Suava.
         Parecia outra pessoa. Estava afobado.
         Apertou-a nos braços. E pela primeira vez beijou-a.
         Foi um beijo forte, emotivo. Ao mesmo tempo frio, como se fosse de despedida.
         Isso durou um minuto e logo ele a afastou de si.
         ----  não queria que fosse assim! - disse ele -   não podemos mais continuar a nos ver. Pode ser perigoso para você.
         Foi dessa forma, rude, grosseira, que  Carla  viu tudo desabar.
         Estas palavras ela jamais esqueceria.
         
Ele pegou as caixas de dentro do armário, e enquanto uma atônita Carla  via o seu mundo ruir, ele fechava uma sacola.
          Carla  ainda tentou lhe segurar, dizendo que  não entendia, O que estava acontecendo, que queria mais explicações, porque era perigoso, o que era perigoso?
          Ele porém não lhe dava ouvidos.
        Parecia assustado. Disse ainda que gostaria de voltar atrás no tempo mas que isso era ilusão, e que a vida real era bem pior, mas era a vida que ele escolhera.
          Saiu sem ver as lágrimas que cobriam a face de  Carla .
          Esta chorou a noite toda.
 
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 21/01/2006
Código do texto: T101758

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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