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O QUINTO HOMEM - parte 12

          Escritório Silva & Cia.
     10:33

---- Giovana, ligue para a governanta do Dr. Hausmann, diga a ela que eu já cheguei e que gostaria de falar com ela! - diz ele entrando apressado na sala.
---- Seu Marcelo!!! - a secretária levanta-se assustada da cadeira! Depois já refeita - Sinto muito Seu Marcelo, mas ela  não deixou telefone, acho que  não tinha, mas deixou o endereço, já passo para o senhor...
---- Tá, e me vê  também o telefone do Pe. Henrique, foi ele que me procurou  não foi?
---- É, Acho que sim, quer dizer, foi sim.. o que mais "seu Marcelo"?
Ele detestava essa mania dela de chamá-lo  de senhor, "Seu"..
---- Nenhuma noticia do Xamã?
----  Não! sumiu de vez. Será  que ele tem alguma coisa a ver com a morte do velho seu Marcelo?
----  não sei Giovana, mas por que ele sumiria assim de repente, e mandaria esses bilhetes infantis? Sei lá. Nunca me pareceu bom das bolas mesmo!!
---- Como??
---- Nada  não! Veja se o Delegado Alécio conseguiu alguma coisa sobre o velho. Veja  também quem é o responsável pelos laudos técnicos da perícia, ou melhor, deixa, pode deixar, eu mesmo vejo isso.
---- Tudo bem.. mais alguma coisa..
---- Não, é só isso, pode ir...espere... deixe-me ver... isso!! Preciso que você faça uma pesquisa para mim na biblioteca pública.
---- Biblioteca pública? Que pesquisa? --- seu ar  de abobalhada fez Marcelo sorrir.
---- É o seguinte, quero que você procure nos jornais de santa catarina, o D.C.  e o Estado, alguma coisa sobre a morte de políticos na região oeste. Dois políticos, O espaço de morte  não pode ser muito grande, coisa de 30 a 60 dias.
---- Mas... e como é que eu vou começar.. digo.. quando.. ou melhor, de que data em diante. Preciso  um começo para procurar...
--- Droga, sei lá! Espere--- começou a lembrar de tudo que o Operador lhe tinha dito...--- procure de uns 7 anos para cá,  não dez, para ter mais certeza.. Anote tudo que encontrar.
--- Ah, agora ficou mais fácil. Já  pensou se eu tivesse que revirar tudo, Sem ter uma data especifica de inicio?
---- Deixa tudo arrumado, que eu vou sair, tomar um banho, trocar de roupa e descansar um pouco. Não sei que hora volto. Fecha direitinho quando sair.

               ................
                  15:20
                .............

 

        Marcelo foi de ônibus até a concessionária.
Tornou a olhar o endereço anotado na carta.
Era uma das principais ruas do Bairro Kobrasol, um dos mais movimentados, se não o mais, nas noites da grande Florianópolis. As melhores casas de diversões, as mais belas garotas, e junto a tudo isso, as meninas e os rapazes de plantão, nos pontos de taxi e ônibus.
Viu na frente, dentro do pátio cercado por um muro alto, uns 30 carros novos. Nos mais modernos modelos, todos brilhando, deveriam ser encerados todos os dias. Avistou uns Corsas, Golfs, Clios... e tinha mais ao lado uns importados, na sombra de uma garagem.
Um rapaz bem vestido ficou a observá-lo, de dentro da loja, enquanto ele alisava uma Mercedes azul marinho.
Marcelo notou um sorriso cínico no rosto do vendedor, como a dizer " coitado só pode alisar mesmo'. "Você vai ver, seu safado, é esse que eu vou sair dirigindo daqui" pensou Marcelo..
Estava admirando o veiculo, quando uma moça se aproximou.
Era de baixa estatura, 1.60 no máximo, e rechonchuda, ele deu a ela uns 75 a 80 quilos.
Vestia o mesmo uniforme que o rapaz. Uma calça azul, uma camisa branca com uma gravata azul, da mesma cor que a calça.
--- em que posso ajudá-lo ? - perguntou mostrando simpatia.
--- Gostaria de falar com o Proprietário, o Sr. Rui? - disse Marcelo tirando o chapéu e enxugando com o dorso da mão o suor que teimava em cair pelos ralos cabelos, sobre a testa, quase formando gotas.
---- O Dr. Rui  não está!! É só com ele? - a menina pareceu se interessar, ao pensar que se tratava de um cliente de grande posse, pois o proprietário era quem fazia as grandes vendas.
---- É, eu acho que sim! - falou olhando para dentro da loja. O sol castigava naquela hora, incomodava seus olhos, tornou a colocar o chapéu.
----- Posso saber do que se trata?? - insistiu a moça, observando seu ar meio desligado.
Marcelo começou a andar em direção ao interior da loja.
---- É, talvez! Quem fica no comando quando o "Dr." Rui  não está? - ironizou o "Dr.",  achava uma babaquice esses títulos.
----  É o Maurício. Aquele moço ali! - ela apontou para o rapaz que sorriu ao vê-lo no pátio.
---- Mauricioo!!! -- chamou-o, sem notar a cara de desgosto que Marcelo fez.


O rapaz veio em passos lentos. Parecia  não gostar de ter de ir até o cliente.
---- Pois  não?---  falou tentando colocar uma postura na voz, que Marcelo achou engraçada.
---- esse senhor.. Porque o senhor está rindo?  - Marcelo  não conseguiu se segurar.
---- Qual a graça ? Posso saber? Sr..?
"Claro babaca, to rindo por causa dessa tua pose ridícula""
---- Marcelo da silva! Não é nada  não!! Nada!! Bobagem!! - tentou controlar o riso..
---- Qual o problema? - o rapaz fez um sinal e a moça os deixou.
---- Eu tenho uma carta para o Sr. Rui! Devo entregá-la em mãos. Você sabe onde ele está?
---- Na casa dele. Raramente vem até aqui. Eu tomo conta da loja.
---- Bem,  não sei se você vai conseguir resolver isso, talvez eu devesse falar com ele..
--- Fale, e Então verei o que posso fazer pelo Sr.
--- O caso é que eu preciso de um carro..
---  Ótimo - o outro lhe cortou-- o Senhor veio ao lugar certo. Nós temos o carro que o Sr. precisa. Qual o modelo? Já  escolheu algum?  Não se preocupe, nós financiamos de acordo com as suas possibilidades. Olha, o Sr. dá uma pequena entrada daí...
--- Ei! Ei!  não é nada disso cara, calma..
--- O que é então? O Sr. disse que precisava de um carro! - perguntou o outro a contragosto.
---- Leia  --- e passou a carta às mãos do rapaz.
Observou a expressão deste enquanto lia
Notou uma ruga se formar na testa.
Depois um sorriso.
-- Olha, acho meio difícil. Mas é o patrão quem decide. vou ligar para ele. Aguarde um instante.
Marcelo ficou no pátio , observando os carros.
Quem sabe aquele Escort conversível?  não, muito fraco, já ultrapassado quinhentos anos. O Versalhes?  não. O AlfaRomeu? ‚, legal. Mas estava de olho mesmo era em uma Cherokee 95, verde, tração nas quatro.
Estava a pensar com qual ficaria, quando o rapaz chegou com as chaves na mão e lhe apontou um Fiat 147 encostado na oficina.


Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 29/01/2006
Código do texto: T105792

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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Ivair Antonio Gomes