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Um Conto misterioso - parte 03

----- Quem você acha que somos?
----- Sei lá, uns merda puxa-sacos, que não enxergam o sofrimento que o povo está passando. Uns vendido filha da puta, que por dinheiro são capazes de comer a própria mãe.
----- Ahahahahah, O rapaz é foda!  - uma voz feminina, soou junto com o tapa que veio beijar minha face suada.
Agora eu sabia aonde estava a quarta pessoa.
-----  Boyzinho, escutar aqui. Eu tar pouco  lixando pra essa gentinha. São todos burros. Mas você ér diferente. Parecer mesmo se identificar com o que prega. Um idealista de verdadi. Alguém que acredita poder chegarr a algum lugar sem ninguém ter de lhe mostrar o lugar certo, nós só queremos lhe ajudar a chegarr mais rápido. Eu poder ajudar. Nós podermos. Você ter inteligência, deve saber que logo vai estar na cadeia. Sabe essa onda de mocinho de folhetim já alertou o pessoal de cima. Não só  teu país, mas lá  fora também, pois afinal “eles”, a C.I.A,  ou o S.I.S ( serviço de investigações britanico) já devem saberr o que há de resultar se te deixarem muito tempo solto por aí.  Ou então poderá morrer “acidentalmente” como ocorrer com o velho “Ulisses” e outros mais. Somos  grupo que poder fornecer estratégia e técnicas especiais para “Octógono” ou seria melhorr chamarr “heptágono” visto que “pé-de-ferro” foi fraca demais.
----- O que fizeram com ele, digo ela?
----- Jovens! Ah...quanto idealismo...mas....Sem treinamento todos ser fracos. Essa força não valer nada se não forr bem dirigida. Está entendendo?
----- Acho que não. Pode ser mais explicito?
----- Vocês não poder continuar sem assessoria. Não iriam a lugar nenhum. Precisam de apoio, dinheiro e o mais fundamental de tudo. Treinamento.
----- Quem são vocês?
----- Quem sermos nós não interessa!- disse a voz feminina.
----- Se você quiser poderá escolherr. Ou parar com isso tudo, ou então estár conosco. Do nosso jeito.
----- Parar?! é isso que querem? Me assustar!?! então acham que vou me calar depois disso tudo?
----- Olha garoto, existe muitas maneiras de impedí-los de continuarem com isso. Resolvemos conversar civilizadamente e chegarmos a um acordo. Sabermos que não gostar da violência. -
----- Sei não! Depois das últimas coisas que andou escrevendo. Acho que ele está mudando chefe. Agora estão falando em revolução armada. - disse o homem que estava a minha esquerda. Esse era um dos homens que falava um bom portugês.
----- Cale-se! Ele escreveu isso por escreverr. Nunca viu alguém morto de verdade não é? Nunca ver um ferido agonizarr, não estou certo garoto?
Ele tinha razão. Eu pregava algo que não conhecia.
----- Bom, e se essa revolução eclodir, não acha que tudo vai se resolver tranquilamente? Acha? Pois é, muitos  morrer. Muita genti decente, inocentes.
----- Muitos inocentes já estão morrendo através das canetas.
----- Ha é!!?- o homem do holofote falou pela primeira vez, sem tirar o foco luminoso dos meus olhos.
----- Então não! Morrem de fome, morrem por falta de saúde. Morrem por falta de dinheiro desviado que deveria servir para obras sociais. Enquanto isso vocês ou os seus patrões vivem comendo e bebendo do melhor. Cambada de safados. - eu mantinha meus olhos fechados por causa da luz forte. Minhas costas já estavam doendo por causa da incomoda posição.
----- Ora garoto, calma aí! - e outro tapa veio na minha nuca. Senti tontura e antes de desmaiar ainda ouvi a voz com sotaque gritar com quem tinha me agredido.

Acordei com uma puta dor de cabeça.
A primeira coisa que vi foi o mato ao meu redor. Rolei e levantei a cabeça.
Estava em um descampado, no meio da mata.
Minha cabeça doia e quando levei a mão até a testa notei que meus cabelos foram raspados. Havia um calombo enorme bem no meio da minha testa.
Haviam tirado as minhas botas e agora eu caminhava descalço pelo mato, tentando evitar espinhos e troncos. O sol ia alto. Calculei que devia ser perto do meio-dia. Não sabia direito onde estava e nem o porque de me deixarem ali. Poderiam ter acabado comigo facilmente, no entanto não o fizeram. Algo me dizia que o motivo de não terem acabado comigo não foi por remorso e nem piedade. Alguma coisa pior deveria estar me esperando.
Depois de um bom tempo caminhando finalmente ouvi um barulho de um motor de veículo e corri o mais rápido que pude. Logo mais estava na beira de uma estrada.
Em poucos minutos divisei um carro vindo em minha direção.
O velho magro e de pele curtida, cheia de rugas, dirigia a velha C-10 com todo cuidado, não ultrapassando os 60 km/h. Talvez para evitar que restos dela ficassem pelo caminho na estrada de terra esburacada.
Tentei entabular conversa mas logo desisti quando vi que ele não gostava de falar. Nas duas primeiras palavras notei que era um nordestino. Enquanto andávamos eu olhava para a paisagem a minha frente tentando ver aonde estava. Não me parecia nada com o cenário catarinense, cheio de serras e morros. Aqui a visão se perdia ao longe e só se via mato ao nosso redor. Estava com medo. Aonde haviam me deixado? Aonde eu estava? Fiz força para me controlar e não chorar.
O velho da C-10 me deixou em um entroncamento onde disse que poderia pegar carona até a Br. Uma placa de madeira corroída pelo tempo, indicava que eu acabara de sair de São Pedro do Buriti. Bem que eu quis adivinhar. Estava em Rondônia. Como e porque me levaram para lá não sei dizer.
No entroncamento é que fui sentir fome e sede.
Debilitado, com as forças minguando ao extremo, comecei a caminhar ao lado da rodovia. O chão quente e a areia queimavam a sola dos meus pés.
Depois de um tempo ouvi barulho e só então percebi que o velho da C-10 voltava até mim.
----- Moço! Entra aí! - disse ele para meu espanto.
----- Obrigado novamente! Mas o senhor não ia para o outro lado?
Ele sorriu.
---- Me desculpe. Mas é que tem acontecido muitos assaltos por aqui. E a gente fica ressabiado sabe como é né? E adispois, quase não passa carro por aqui. O moço ia sofrer um tempão nessa estrada.
---- Bom, obrigado pela ajuda então. Meu nome é...
---- Não precisa dizer!
----- Mas...por que isso?
----- Algo me diz que o moço está metido em alguma encrenca daí se eu souber seu nome posso acabar lhe prejudicando mais tarde entende? Melhor não saber.
Eu sorri. O velho era esperto. Mas sua atitude era estranha para mim. Primeiro não quisera sequer falar comigo, agora se desviara de seu caminho e me dava outra carona além de começar a falar com vontade.
Me ofereceu uma sacola onde havia um pedaço de pão caseiro e uma garrafa de café. Café frio e pão quase seco. Tomei com gosto, como se fosse uma refeição digna de rei.
---- Até onde vai? - disse ele.
----- Não sei! Estamos em Rondônia né?
----- Rapaz! Vosmice está bem? Claro que é Rondônia. Veja só esse mundão de Deus. Parece tudo abandonado né? - disse ele me mostrando o campo onde se perdia de vista as matas que seguiam paralelas a rodovia - Que nada, a maioria dessas terras é do pessoal lá no São Paulo e Rio de Janeiro. Uma injustiça, tanta terra e tanta gente sem ter onde morá.
---- É verdade. Nosso país tem uma divisão de renda miserável. Que dia é hoje seu....? Esqueci de perguntar seu nome. Sabe onde tem um telefone aqui por perto?
---- Pode me chamar de Zé. Hoje é 25 de outubro, quarta feira. Vou te deixar no posto de gasolina mais na frente. Lá tem um orelhão.
Aquilo me assustou. Quarta feira?
Seria verdade tudo aquilo. Se fosse verdade eu estava longe de casa a mais de duas semanas.
O dia em que fui capturado era uma terça feira. Sete de Outubro.
Pensei no que estariam pensando de mim. Minha irmã, meu serviço, o pessoal do lista ‘contos” e ainda a turma do “octágono”. Uma coisa ainda me intrigava, porque me deixaram vivo?
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 14/02/2006
Código do texto: T111607

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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Ivair Antonio Gomes