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O Quinto Homem - parte 15 - (Atendendo a pedidos)

LOCAL DESCONHECIDO.
Hora provável ; entre 03 e 05 da madrugada de 31 de maio.


Acordou com um balde de água fria jogado em seu rosto.
A primeira coisa que notou é que estava deitado em um chão de madeira.
A  água escorria por seus olhos e nariz.
Viu, assim que abriu os olhos, um par de sapatos pretos, com salto pequeno, mas com uma marca vermelha, no calcanhar.
Fingiu que ainda  não havia voltado a si.
precisava avaliar a situação..
--- Esse merda  não acorda  não? Joga mais  água nele!!- ouviu uma voz. Essa voz?!? Já havia escutado ela antes..  não se lembrava aonde..
---- Porque  não acabamos logo com ele. Vamos fazer tudo rápidaço que eu ainda tenho que dar um trato numa mina que arrumei a semana passada. -
----  Depois, seu imbecil, esqueceu que temos que achar o livro? - outra voz.
Então eram três.
Claro. Dois o atacaram, e um os esperava no carro.
O homem do sapato vermelho se aproximou e lhe deu um chute nas costelas.
--- huuugggg!! - gemeu.
---- olha ai, o filho da puta tá acordado!! Tava se fingindo!! Apaguem essa droga de luz..
A escuridão voltou.
Sentiu os outros dois lhe agarrarem pelos braços. Sentiu o cheiro de cachaça, cigarro e um perfume de jasmim. Viu quando algo brilhou na penumbra.
Uma estrela?
Não! Não era uma estrela, sentiu quando pode tocá-la, no momento em que o puseram sentado em uma cadeira e o amarraram. Era uma cruz.
A cruz de ouro que havia sumido da casa do velho.
Por isso que o Delegado disse que ninguém havia pego nada lá.
---- e então, seu babaca? Não quis saber do meu conselho hein?
Conselho? que conselho? .... claro, o telefonema em Itá ..
Sabia que já tinha ouvido aquela voz, o telefone distorce, mas nem tanto.

Seria este o tal Ângelo?
---- Como é?! diz logo aonde guardou o livro, cara, e nos poupe trabalho. Sabe, você é liso, mas agora quero ver você escapar. Na verdade acho que você vai ter aqui a sua última conversa. Pena que você  não estivesse no carro, ia nos poupar esse falatório.
---- Quem é você? Por que isso tudo?
Localizou mentalmente a posição pelo som da voz.
Precisava fazer os outros dois falarem.
Os nós da corda estavam meio soltos, provavelmente efeito do  álcool em um deles.
Torcia para que pudesse se soltar logo. Aqueles caras  não iam falar muito, tinham pressa para o que iriam fazer.
Torcia os braços. Se ele  não os podia ver, eles  também  tinham a mesma dificuldade.
Lembrou-se do Filme Máquina mortífera, em que a personagem  do ator Mel Gibson deslocava o ombro para escapar de uma camisa de força. Não tinha coragem de fazer isso.
---- Ai, cara, cala a tua boca, e só fala quando a gente mandar, falou? - localizou o outro.
Faltava um.
Sentiu o cheiro de  álcool no ar. Deduziu que acabara de abrir a garrafa.
Uma lufada de vento, lhe veio até os cabelos,
Alguém abrira uma porta.
Ouviu um galo cantar.
Estavam em algum lugar fora da cidade. Imaginou isso.
---- O que querem? - um murro no estômago lhe fez urrar..
---- qualé meu, tá  surdo? aqui quem faz as perguntas somos nós. Aonde está o maldito livro? Fala logo seu porra!! - outro murro, dessa vez no nariz.
Berrou..
Sentiu que haviam lhe quebrado o nariz. A impressão de que uma bola se formava no local.
O sangue escorreu indo por sobre seus lábios.
O cara sabia onde bater. Batia nas articulações, onde mais doíam.
A dor era monstruosa. Igual quando quebrara o braço em uma luta no tatame.
---  não sei.. ---- outro chute, dessa vez na canela..
---- Pare com isso! Assim  não vamos conseguir nada. Vocês são mesmo uns imbecis, e você seu merda, pare de se fazer de durão.  Não vê que  não tem chance alguma? Daqui você só sai pro seu enterro.. agora se você colaborar quem sabe...-   ouviu passos, percebeu que o outro andava pela sala escura.
---- Alguém ai quer um gole? Acabem logo com isso, deixem esse merda logo aí que eu dou cabo dele. Hehheh, comigo, ele  não vai bancar o durão. Haa  não vai  não..
---- Calma aí! Pode guardar essa faca, e jogue essa maldita garrafa fora, eu já te disse isso. Porra de pingunço!
---- O que foi?  não gosta de mim?  não gosta né? Seu filhinho de mamãe. Quer a faca é?! vem tirar ela, vem!!
Isso era melhor que ele esperava, eles estavam discutindo.
As cordas estavam mais soltas já conseguia mexer os dedos.
Se demorassem mais um pouco..
---- Seu ignorante... !!
O tiro ecoou na sala e nos ouvidos de Marcelo. Marcelo só viu o clarão. Então o barulho do corpo caindo no chão..
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 09/03/2006
Código do texto: T120741

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
169 textos (104778 leituras)
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Ivair Antonio Gomes