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O Quinto Homen - parte 16 ( a pedidos)

---- Quem esse bêbado pensou que era? Tira ele daí, e limpa o chão.- ordenou ao outro.
---- como você viu Sr. Marcelo, eu  não gosto de idiotas, portanto seja inteligente e me diga, onde está o livreto?
---- Prá  que? Para depois me matar? como fez com esse aí?
---- Ok. se prefere assim..- encostou a arma em sua testa, sentiu o cano queimar sua pele, ainda quente pelo disparo feito ha pouco, o cheiro de pólvora forte na sala.
--- Espere.. espere, eu conto.. --- o outro tirou a arma da sua testa -
Não conseguia ver as feições do homem que estava a sua frente, provavelmente a menos de dois metros. Sua fisionomia  não era tão diferente, mas ao mesmo tempo era estranha.  Não era definida.
As cores da noite brincavam em sua face.
--- Mas primeiro me conte, o que tem de importante nesse livro, já que eu vou morrer que importância tem de me contar,  não é?
---- É, analisando sua situação, eu acho que  não tem importância mesmo. A verdade é que eu  não sei direito. Apenas fui contratado, para recuperar esse livro. Não sei o que ele contém, mas com certeza, é algo muito importante. Senão eles  não teriam me chamado. Jamais teriam ido até o Paraná , só por um serviço à  toa. E realmente você nos deu trabalho. Pensamos que você tinha o livro, quando o atacamos em Concórdia. Depois nós tentamos lhe tirar do caminho, indo na frente até Itá , armamos a emboscada, mas novamente você escapou. Parece um gato, tem sete vida disse aquele ali, - deveria estar apontando para o defunto - leve ele logo lá   pra fora!! Pois é, pena que aquela gatinha tava no teu carro, a policia jamais vai desconfiar, vão pensar que faltou freio, e é verdade, só que  não vão saber que fomos nós que cortamos o freio... um acidente ocorre por motivos banais, ainda mais ela, que pelo que pudemos observar,  não sabia dirigir muito bem..

Enquanto ele falava Marcelo analisava sua situação.
Se queria escapar era agora. O outro estava lá  fora. Ali dentro estava só aquele homem.
---- Tem um cigarro?
---- ha, o último pedido? como é mordaz! Claro, todo candidato a morte tem que ter seu último pedido aceito, mas nada de truques rapaz, estou armado, e  não brinco em serviço, você já viu!!
Quando ele se aproximou Marcelo já havia solto uma das mãos. Seus pés ainda estavam amarrados, tinha de ser preciso.
Um único golpe.
Abriu a boca. Viu a silhueta do outro se aproximar do seu rosto. Uma máscara. Estava usando uma máscara. o cigarro foi colocado em seus lábios.
--- fogo?
Viu o outro colocar a arma na cintura. Ele teria que se abaixar.
Quando trouxe o isqueiro e acendeu, Marcelo lhe atacou as têmporas, e aos mesmo tempo lhe deu uma cabeçada sob o queixo.
Escutou um estralo. O corpo desabou sobre o assoalho. Tinha de ser rápido.
Desamarrou rapidamente os pés e se deitou no chão escuro.
Tateou o corpo do outro até achar a arma em sua cintura.
O tinham desarmado quando o pegaram. Era uma 45. Mais pesada que sua magnum 6.75.
Esperou deitado. Sabia que o outro ia abrir a porta. O Problema é que  não sabia em que direção ficava a porta.
De repente um barulho atrás de si.
Bateu com força na nuca do homem deitado, que tentava se reanimar.
Uma fresta se abriu, e uma luz lhe atingiu. Sentiu a picada, a dor.
Atirou por instinto, e ouviu um gemido. Atirou de novo. Outro tiro veio de lá , acertando o assoalho e jogando farpas em seu rosto.
Mirou aonde tinha visto a língua de fogo, e apertou o gatilho. Um grito se fez ouvir.
Esperou por uns instantes. O outro poderia estar fingindo.
Lentamente foi arrastando-se em direção a porta, que era onde estava o homem baleado por ele.
Enfim ao constatar que  não oferecia perigo nenhum levantou-se e foi até a porta. Uma brisa fresca lhe atingiu a face.
Passou a mão pelo rosto. Com este movimento o ombro doeu. O sangue começava a se formar em sua camisa.
Deu um passo para fora da casa. As primeiras luzes do dia se anunciavam. Estava em um sítio.
A vista estava meio turva.
Olhou ao redor. Avistou um poço de água e foi até lá.
Do lado do poço encontrou um balde. Jogou um pouco de  água sobre a cabeça.
A vertigem começou a ir embora.
Viu o carro preto que o perseguira estacionado no pátio, debaixo de umas  árvores.
Entrou no carro. Ligou a chave. A dor no braço e no nariz era enorme. Suava. Suor e sangue se espalhavam pelo seu peito.
O carro pegou e ele saiu passando por cima de uma cerca de arame.. Achou uma pequena estrada no meio do mato, e por ela se pôs
Em poucos instantes a vertigem lhe atacou novamente.
Colocou os braços no volante, e a cabeça tombou sobre o mesmo..
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 09/03/2006
Código do texto: T120742

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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Ivair Antonio Gomes