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O Assassino da Máscara

 Primeiramente perdão pelo título não foi um dos meus melhores, mas...

 Mais um dia. Mais manhã gélida e sem Sol. O Detetive Rafael Lawrence teve que pular da cama vazia e fria. Saiu de casa em silêncio pra não acordar sua única companhia loira, imatura, de 17 anos. Seu filho. Marchal Lawrence.
   “O Risonho” tinha atacado novamente. Era sua quarta vítima em três meses. Nicole já lhe esperava na frente de um velho matadouro.
  -Café Rafa?
  -Você sabe que não vivo sem isso, agora o que nós temos?
  -Bom...Quase o de sempre. Só uma novidade.
  -Me diz que esse canalha deixou uma impressão digital, por favor.
  -Não. Deixou um endereço...
  -Endereço?
  -É...
  -E a fita?
  -Também...
  A cena era mesmo a de sempre. Ganchos atravessados na pele, e a vítima disposta como uma marionete. Era sempre assim. Um rapaz loiro e magrelas, violentado inúmeras vezes, torturado com mordidas, arranhões socos e pontapés, e morto com um único golpe na nuca. Depois, “O Risonho” desenhava em seus rostos com maquiagem um sorriso.
  -Onde estava o endereço Nicole?
  -Não sei se você vai querer saber.
  Ele examinou o rapaz com um olhar que só vinte e poucos anos de experiência poderiam ensinar. E como sempre achou uma coisa que Nicole havia deixado pra traz.
  -Me da a pinça... AHA!
  Um fio de cabelo loiro, demasiado comprido para ser do rapaz morto, e depois, mais um fio que parecia ser de tapete.
  -Parece que nosso monstrinho esqueceu de se cuidar dessa vez. Manda o cabelo pra perícia, sim Nicole?
  -Vo pro escritório, mas preciso sair mais cedo, meu menino se apresenta hoje.
  -Ok, vou como Silva até o endereço, mas antes vo dar mais uma olhada nesse lugar.
  Procurou loucamente alguma pista naquele lugar imundo, mas não achou coisas que pudessem ajudar.
  Foi pra seu carro com o policial Silva. Pos no rádio a fita que “Risonho” costumava deixar. Sem demora ela começou.

“No dia em que chegou seu mundo mudou,
No dia em que aconteceu, o tempo parou.
O dia mais feliz foi o mais triste
Dês de então o Sol só brilhou cinza
É estranho que o abismo tenha aumentado.
Minha próxima vitima te desperta tudo isso.”

  -Merda Lawrs, esse cara tinha que ser mais direto.
  Lawrence deu uma porrada no rádio depois tirou a fita e guardou.
  -Esse cara não passa de um merdinha, uma puta que nem sabe o que lhe espera, quando eu pegar ele... Sou capaz de... ARGH!
  Finalmente chegaram ao endereço.
  Era uma casa velha e imunda. Parecia familiar a Rafael. Entraram sem pensar duas vezes, e sem chamar reforço.
  A casa era uma danceteria, muito cheia. Alguns Punks encaravam os policiais, sussurravam entre si, alguns jovens de classe média alta injetavam em suas veias entorpecentes, e lá mais ao fundo havia um palco onde jovens exibiam seus corpos semi nus, a medida em que se aproximavam do palco, o Detetive sentia-se estranho como se algo pior do que o planejado fosse acontecer
  Desvencilhou-se de dois jovens de cara pintada, e viu, um corpo magro, de cabelos loiros compridos e escorridos rebolando freneticamente de costas pro público, era um homem mas usava salto alto, uma calça jeans preta apertada, uma coleira e correntes sobre o dorso nu, se jogou no chão, e Rafael reconheceu imediatamente o rosto de seu filho. O rapaz parou sua performance correu pra trás das cortinas.
  Rafael foi atrás.
  - O que você pensa que está fazendo?
  - Não é da sua conta. Você nunca se importou mesmo!
  - Isso não é verdade!
  - Tem razão seu Lawrence... Você se importou agorinha pouco após ter sido humilhado na frente de um colega. Não comigo: mas com a vergonha que causei e...
  - Marchal! NÃO FOI BEM ASSIM!... Por favor... Você está em perigo... Vê se sai logo daqui!
  O rapaz correu, entrou arás de outra cortina. Rafael estava desolado, mas não tinha tempo para aquela bobagem, tratou de se por a procurar seu assassino em série. Ele e Silva vasculharam toda a área possível. Não era um lugar muito grande. Não demoraram muito até chegar na ultima possibilidade: uma escada dava pra uma única porta.
  Os dois policiais entraram sem êxitar. Um tiro foi disparado e Silva caiu inconsciente ao seu lado.
  - Meu assunto é só com você.
  - Merda!
  - Você ainda tem chance de salvá-lo...
  - Sal-salvar... Você ainda não...?
  - Claro que não precisava ser diante de você.
  Risonho puxou um pano, que ao cair revelou o corpo de Marchal amordaçado e amarrado o rapaz já sangrava. Ele resmungou alguma coisa enquanto a figura estranha a sua frente acariciava o abdômen do rapaz... Risonho era na verdade um travesti, de voz grossa, marcado por brigas, cortes no rosto, maquiagem forte, e cara de prostituta. Era muito familiar a Lawrence.
  - Abaixa essa arma se você quer seu bebezinho de volta e casa.
  Lawrence obedeceu. Risonho veio pra cima dele, segurou seus braços de pressa antes mesmo que pudesse ter alguma reação estava imobilizado, sussurrou em seu ouvido:
  - Você não lembra de mim? Você acabou com a minha vida. Podia ser um grande ator hoje, mas você! Me prendeu por pedofilia! O que você tinha a ver com aquilo? E o que você ganhou além de um inimigo? Minhas pistas foram boas... Rapazes de vida boa, com vida dupla... Drogados, prostituídos, loiros imaturos... Por que não olhou melhor o que tinha em casa?
  Risonho acertou Rafael varias vezes com os joelhos, e quando o detetive não conseguia mais parar em pé, encheu-o de socos e pontapés, até Rafael se encontrar caído e imobilizado pela dor.
  O assassino pegou arma do chão e mirou No jovem amarrado.
  -Com você vai ser diferente amorzinho.
  Andou até Marchal e arrancou sua mordaça depois suas calças. O jovem não resmungou, percebeu que o pai se levantava devagar e andava até Silva.
  Rafael pegou a arma do colega caído, antes de poder se erguer novamente, ouviu estampido de tiro, um grito de voz familiar. Rafael juntou toda a sua força e pulou nas costas do travesti, que pego com surpresa, deixou arma cair, o menino caiu com um buraco na barriga. A arma voou longe da mão de Rafael com um soco de seu agressor.
  Os dois lutaram como animais, enquanto Marchal sangrava no chão. Lawrence apanhava muito, tateava atrás da arma, e quando finalmente alcançou e não pensou duas vezes antes de atirar. Respirou fundo e tirou o corpo imóvel com um buraco na testa de cima dele.
  Quando se virou se deparou com seu filho apontando-lhe uma outra arma.
  - Adeus papai.
  Um último estrondo ecoou pela casa noturna. Marchal pegou de debaixo do pano uma caixinha de maquiagem e pintou um belo sorriso no rosto de seu pai.
Sweet Poison
Enviado por Sweet Poison em 17/06/2006
Reeditado em 25/06/2006
Código do texto: T177540
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Sweet Poison
Alemanha, 25 anos
10 textos (1026 leituras)
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Sweet Poison