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Caso Vivaldi (3)


     Toca o telefone na casa da família Vivaldi e Mariano atende:
     - Alô. Quem fala?
     - Olá Mariano, aqui é Heloísa.
     - Heloísa. Como você está? Bom, isso eu mesmo posso responder.
     - Eu quero saber sobre esse interrogatório policial que eu tenho que responder. Vocês já deram os seus depoimentos?
     - Ainda não, mas não é motivo de se preocupar. Como poderia o delegado desconfiar da esposa e da família?
     - Os delegados adoram desconfiar justamente dos familiares e enteados, são os suspeitos favoritos.
     - Isso parece coisa de romance policial, nós estamos na vida real, a não ser que realmente tenha algum assassino na minha família, mas eu duvido e você não seria capaz de matar o próprio marido. Eu sempre reparei como vocês eram inseparáveis, imagine se a esposa poderia ser uma assassina. Loucura não é?
     - É, mas agora tenho que desligar, pois o delegado chega dentro de alguns minutos.
     - Tudo bem. Tchau, espero que melhore logo dessa depressão.

Mariano desliga o telefone e atrás ouve a voz de sua mãe:
     - Era aquela desgraçada. Não era?
     - Ela não é uma desgraçada, ela amava muito o Henrique e respeito os sentimentos dela.
     - É uma mentirosa vagabunda, ladra de filhos.
     - É filha de um dos casais mais ricos da cidade e não tem culpa alguma na morte de meu irmão. Pode não gostar dela, mas eu gosto muito.
    - Você é um fraco invejoso, sempre quis ter a vida do meu Henrique, desejava as mulheres que o cortejavam e nunca teve jeito com elas, é um nada entre ele e meus gêmeos queridinhos. Vive puxando o saco do seu pai e não leva nada com isso, um fracassado completo, tem vinte e quatro anos e não se formou ainda, vivia na sombra do meu primogênito.
     - Cale a boca. Você é uma víbora, uma déspota, vive controlando a vida do meu pai e fazia isso com o Henrique também, mas ficou com ódio quando viu que não tinha mais poder sobre ele depois do casamento com Heloísa. Podia até desejar as belas mulheres que viviam na companhia dele, mas nunca deixei de amá-lo como irmão.

     Logo depois aparece Marco na sala com cara de sono reclamando:
     - Por favor, parem de brigar aqui na minha casa, estou tentando descansar, tive uma manhã terrível no banco e quero relaxar.

     - Vai trabalhar amanhã - pergunta a esposa.
     - Não, já pedi para o Mariano cuidar das ações.
     - Ele é um incompetente, nem se formou ainda, se assumir a presidência um dia vai acabar com o nosso maior patrimônio.
     - Cale a boca Madalena, por favor, pare de falar besteira, Mariano está sendo preparado para assumir o cargo quando estiver capacitado.
     - Se um dia isto acontecer - retrucou Madalena.
     - Vou para o meu quarto ler um pouco-disse Mariano - não tenho de dar satisfação para uma pessoa que não trata o próprio filho com respeito.

     Mariano, ao invés de ir para seu quarto fica escutando uma discussão de Marco e Madalena no quarto do casal:
      - Eu não gosto que você fique falando mal do meu filho.
      - O Mariano é um imbecil, não serve pra nada, já tem idade para estar formado e ainda está no meio do curso, repetiu vários anos, é incompetente.
      - E por que você acha que ele é assim? A vida toda você nunca deu valor algum para ele, só elogiava o Henrique e os gêmeos, e acabava rebaixando-o a uma posição inferior. Ele tem trauma de você.
       - Poupe-me, ele é um fraco.
       - Não importa o que você acha dele, nunca conte o nosso segredo para ele, pode destruir essa família.
       - Segredo? Que segredo é esse - pensou Mariano do outro lado da porta, depois saiu de fininho e foi para seu quarto.
     

      Na mansão da família Stadler Heloísa atende a porta e pede para o delegado que entre.
      - Como você está? Pergunta o delegado Matias.
      - Nem um pouco bem.
      - Eu sei como é. Já perdi alguém na vida.
      - Esposa? Pergunta Heloísa.
      - Não. Perdi meu filho em um acidente de carro. Mas não estamos aqui para falar disso, preciso colher seu primeiro depoimento.
      - Haverá outros?
      - Certamente, eu não vou conseguir tudo o que você tem pra falar hoje, é uma investigação demorada.
     
       Matias pegou um pequeno gravador na pasta e disse que todo o depoimento seria gravado. Heloísa não se opôs.
       - Aonde conheceu seu marido?
       - Em uma festa beneficente. As famílias ricas fazem muitas, mas elas não me agradam, eu sinto que existe uma grande falsidade naquilo tudo.
      - Não desvie o rumo do interrogatório, por favor.
      - Desculpe.
      - Continue.
      - Estávamos chegando à festa, descemos do carro e Mariano, segundo filho dos Vivaldi nos fez as honrarias, depois entramos no salão do clube e fomos recebidos gentilmente pela família Vivaldi, que estava promovendo a festa. Fomos muito bem recebidos, até pela Sra. Vivaldi que era um pouco antipática. Os dois filhos mais velhos me chamaram a atenção, tanto Henrique, o mais velho, quanto Mariano que veio nos cumprimentar na entrada do clube. Ali mesmo percebi que os dois eram grandes companheiros, apesar das diferenças evidentes, os gêmeos também eram ótimos, mas eu percebi logo de cara que Franco, o menino, era um tanto diferente dos outros rapazes.

     Matias lembrou que tinha um compromisso inadiável e falou que teria que interromper o interrogatório.
     - Mas e o resto do depoimento? Perguntou Heloísa.
     - Eu voltarei dentro de três dias para continuar, agora realmente preciso resolver outro assunto.

     O delegado foi embora e a Sra. Stadler, mãe de Heloísa entra na sala.
     - O Mariano ligou para você, eu disse que você estava com o delegado e ele pediu que você retornasse a ligação.
     - Mariano? O que será dessa vez? Tudo bem eu vou retornar.
Farah
Enviado por Farah em 13/08/2006
Código do texto: T215727

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Sobre o autor
Farah
Curitiba - Paraná - Brasil, 30 anos
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Farah