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O fim de uma era

A criança estremeceu, num misto de excitação e medo. Sabia do destino glorioso que lhe estava reservado, mas não podia deixar de se assustar com a pesada machadinha de pedra na mão do sacerdote.

Este último estava fazendo a costumeira exortação ao povo, lembrando-o do sacrifício que os deuses haviam feito para que houvesse o Sol, e que o mínimo que poderiam fazer para retribuir era alimentar o astro com a preciosa “água da vida”. Houve um ruído de assentimento. Ele, então, dirigiu-se à criança, gentilmente.

_Pronto para fazer parte daquele grupo de privilegiados que acompanham Huitzilopochtli em sua jornada diária pelo céu?

O pequeno assentiu, com aquela mesma mistura de sentimentos. Sua cabeça foi colocada em uma posição propícia, a machadinha de pedra subiu. Logo, a “água da vida” jorrava, garantindo que o Sol brilharia um pouco mais.

“A água da vida...”, pensou um indivíduo no meio da multidão dos astecas. “Se é ela que dá poder ao Sol, será o que preciso para atingir o poder que busco?”


***


Estevão pingou a gota de sangue no tubo de ensaio e agitou. Nenhuma mudança.

_Negativo, Sr. Gimenez _comentou, pesaroso, para o homem ao seu lado. _Não consigo entender. Primeiro, mais de cem operários de uma construção são encontrados mortos. Tiveram as gargantas cortadas por um instrumento bem afiado e todos estavam com quase nenhum sangue. Desde então, todos os dias, vemos dois ou três cadáveres com mordidas nítidas na jugular e praticamente dessangrados também. O teste que acabei de fazer deu negativo para a presença de saliva de vampiros. Que raio de criatura tresloucada pode estar querendo tanto sangue?! E pra fazer o quê?!!

Gimenez, homem claro de mansos olhos azuis, cofiou a barba.

_Difícil dizer... _falou, em seu espanhol pausado. _O gosto desmesurado por sangue parece ser uma característica comum a quase todo o gênero humano.

_Verdade _Estevão comentou, desanimado. _Não faço idéia do porquê de Gary... Er... de o *Superintendente Geraldo* ter me mandado aqui pro México, se nem detetive eu sou e tem muito mais gente que fala espanhol na Polícia Dimensional. Ele disse que foi intuição. Bah! Sempre fico com o pé atrás sobre esse negócio de “intuição vampírica”.

_Não devemos nunca desprezar nossas intuições _o senhor sorriu melancolicamente. _E a minha também diz que você é perfeito para o trabalho. Mas diga-me... Quais seus planos para essa noite?

_Devo montar guarda na entrada da floresta, perto do lugar da chacina dos operários.

_E o que eu faço?

_Fica em casa _Estevão rebateu, com firmeza. _O senhor é um correspondente da Polícia, o Estatuto prevê que não deve ter sua vida exposta a risco caso haja um funcionário competente cuidando do caso. Estude seus livros de lendas, talvez encontre algo que nos ajude.

_Você é corajoso, amigo. Que os deuses o protejam.



O Sol tinha se posto e a noite se aproximava, célere. Aquele parecia o horário em que ocorriam os ataques. A Lua já estava surgindo. Quase cheia, parecia prometer uma noite clara.

Alguma coisa oprimia Estevão. Era difícil dizer o que. Parecia estar na
atmosfera. Um imperceptível cheiro de coisas antigas. Um não-sei-o-que de perigo que o fazia estremecer.

Já estava bastante escuro quando o rapaz ouviu um grito abafado. Tentou correr na direção, mas o som vinha de um lugar bem mais longe do que ele supunha. Ao alcançar uma pequenina clareira, ouviu um som nítido de muitos passos que fugiam. Novamente, aquele cheiro de coisa embolorada, que ele já havia sentido ao acompanhar os pais a escavações arqueológicas.

Um rápida verificação mostrou a ele que era inútil tentar seguir quem quer que estivesse ali. Era rápido e não deixara vestígios. Ou deixara?

Próximo à vítima, já morta, estava algo que deviam ter deixado cair na pressa. Uma tigela de cerâmica decorada, toda suja de sangue. “Decoração asteca”, diagnosticou. Estava enganado, ou eram cenas dos sacrifícios humanos para alimentar o Sol? Apesar da vontade de se embrenhar na selva, na direção em que ele imaginava que os atacantes misteriosos teriam desaparecido, reconheceu que Gimenez poderia ajudar.



_Absolutamente correto _o velho antropólogo confirmou. _É inconfundivelmente um ritual de sacrifício humano. Você disse que o assassino deixou cair?

_Creio que sim. Não parece o tipo de coisa que um caçador comum carregaria consigo e esse sangue é fresco. O senhor acha que pode um religioso ortodoxo que resolveu reavivar o antigo ritual?

_Não creio... O ritual exige apenas um sacrifício por dia. E tem que ser feito num altar especialmente consagrado, ou não chegará a Huitzilopochtli, de acordo com as crenças astecas. O topo da pirâmide de Quetzalcoatl, que não fica distante daquele lugar onde você esteve, seria um lugar bem mais propício.

_Lá isso é... Falando nisso, essa pirâmide é aquela que poderia ruir se a construção do condomínio La Plata continuasse? Aquela mesma construção onde trabalhavam as primeiras vítimas? Acha que pode ser por isso que mataram todos?

_A pirâmide é essa mesma. Mas não sei se tem algo a ver. Seria muito irônico se tivesse. Quetzalcoatl era o deus da bondade e da sabedoria, não tolerava sacrifícios humanos.

_Preciso investigar essa pirâmide amanhã. E, à noite, creio que terei mais sucesso na vigília. A noite de amanhã será especial...



A investigação da pirâmide tinha sido praticamente infrutífera. Parecia ser totalmente sólida, sem uma única reentrância que servisse de esconderijo. Apenas algumas manchas de sangue recém-derramado sugeriam que o misterioso assassino esteve por ali.

Naquele momento, Estevão esperava pacientemente pelo fim do pôr-do-sol. Escurecia e a Lua, agora cheia, começava a brilhar. “Seja silencioso. Tenha cautela. Não ataque logo de cara.”, repetia de si para si, como um mantra. Quando achou que estava suficiente escuro, abandonou seu posto nas folhagens e deixou o luar atingi-lo.

Não queria fazer ruído, por isso, mordeu com força o lábio inferior, enquanto os pêlos brotavam dolorosamente de cada centímetro quadrado de sua pele.

Todas as vezes que ele se transformava em lobo humanóide sem gemer ou uivar, a dor o fazia jurar que seria a última vez. Perjúrio, claro. Logo, ele estava massageando a mandíbula dolorida, pronto para a caça.

Embora o raciocínio em uma forma animal qualquer fosse muito penoso, os anos e a prática haviam dado a Estevão algum autocontrole. Ele era capaz de diferenciar “pessoas” de “comida” e conseguia se focar em algumas tarefas. “Seja silencioso. Tenha cautela. Não ataque logo de cara.”, uma voz repetia em sua cabeça.

Inspirando mais profundamente, ele viu que era hora de agir. Um tubarão pode sentir o cheiro de uma gota de sangue na outra extremidade de uma piscina olímpica. Um lobisomem pode sentir o cheiro de uma gota de sangue na outra extremidade de uma floresta. Dessa vez, o assassino não escaparia.

A vítima estava não muito distante da que ele vira na noite anterior. Dessa vez, ele podia sentir um cheiro completamente desconhecido e muito nítido. O desconhecido não poderia escapar. Estevão, enfim, iria ver...

Aproximou-se o mais silenciosamente possível do lugar do ataque. Quando conseguiu um bom posto de observação, precisou de toda a sua força de vontade para não fazer ruído e se entregar. A vítima já não podia ser salva e a cena era... Ora, parecia um delírio!

A moça morta estava tendo seu sangue vertido em uma espécie de jarro de cerâmica. A criatura que estava fazendo isso tinha a boca toda suja de sangue. Era difícil dizer o que era aquilo. Tinha um corpo musculoso, coberto por uma leve pelagem dourada com manchas pretas. O rosto era uma mistura bizarra entre o humano e o felino. Terminando de recolher o sangue da moça, a criatura pegou uma pequena tigela, semelhante à que Estevão encontrara antes, encheu-a com um pouco daquele sangue e bebeu. Pegou o jarro com reverência e desapareceu na selva.

Passado o momento de choque, o rapaz passou a seguir o homem-onça. Não era difícil, agora. Depois de alguma caminhada, chegaram à pirâmide de Quetzalcoatl. Estupefato, Estevão viu uma porta enorme e trabalhada onde, durante o dia, só havia um painel em baixo-relevo.

Mais um “homem-onça” surgiu com seu jarro cheio. Os dois passaram pela porta, sem perceber que estavam sendo seguidos.



Uma dor de cabeça infernal. Era isso o que Estevão sentia agora, ao acordar na casa de Gimenez. Não que fosse incomum: o rapaz a chamava de “ressaca lupina”. Era o que acontecia quando ele teimava e tentava raciocinar demais na forma de lobo. Mas ele tinha que convir: os acontecimentos da noite passada eram estranhos demais, até para ele.

_Tudo bem, amigo? _Gimenez perguntou, entrando no quarto. _Você teve um sono agitado depois que chegou. O que descobriu?

O rapaz se sentou, apoiando a cabeça nas mãos. Contou, lentamente, como havia encontrado o “homem-onça” e como o seguira até a pirâmide. Calou-se por uns instantes, mas, forçando-se a continuar, revelou o que viu no interior da pirâmide.

_Eu segui aqueles homens pirâmide a dentro. Depois de andarmos por muitos corredores e escadas, acabamos em um salão enorme. Como descrever o que senti naquele lugar? Estava apinhado desses gatos vitaminados. No fundo do salão, havia algo que parecia um altar. Um homem com uma capa de penas e máscara de dragão estava lá. Em frente a ele, tinha duas múmias estendidas no chão. Atrás... Deus, o que era aquilo? Ela tinha o corpo de uma mulher muito gost... muito bonita, mas era toda coberta de pêlos e tinha cabeça de onça. Ao contrário dos feiosinhos da platéia, dava gosto olhar para ela. Só que estava como que paralisada numa posição estranha... E os olhos... Aqueles olhos... Dava pra ver uma raiva quase assassina.

“O homem de capa falou uma coisa que não entendi na hora. Mas logo vi que era nahuatl. Aprendi essa língua antes mesmo de aprender espanhol e inglês, graças a meus pais. Ele estava pedindo os jarros com “água da vida”. Os dois gatões levaram até ele, que pegou um dos jarros e começou a espargir o sangue nas múmias. Depois, estendeu a mão para elas e elas... Elas ganharam vida! Eram homens-onça feiosos como os outros. Depois, ele fez um discurso.

“No discurso, ele mandava que os ‘filhos’ dele continuassem se preparando. Dizia que, quando estivessem prontos, eles acabariam com a era do Quinto Sol. Disse que a fogueira sagrada estava quase pronta, que seus ‘filhos’ deveriam se preparar para o advento do Sexto Sol.

“Os homens-onça começaram a dançar e fazer uns rituais estranhos. O cara de capa pegou o sangue que sobrava no segundo jarro, molhou o ventre da mulher-onça do altar e teve relações com ela ali mesmo. Nessa hora, achei que o olhar dela ia queimar de tanta fúria. Não suportei mais ficar por ali. Meus instintos de lobo pediam ar puro, urgentemente! Saí e nem me lembro direito como cheguei aqui.”

Gimenez estava pensativo. Sentou-se na cama e ficou muito tempo silencioso, de olha fixo.

_Sei que é difícil crer que isso está acontecendo no mundo real _disse, por fim. _Mas acho que o que você viu eram os bebês-jaguar... Havia entre os olmecas um culto, presumivelmente secreto, em que eles acreditavam ser capazes de formar uma raça de semi-deuses através do coito com jaguares. Se o que você me diz está correto em cada detalhe, eles conseguiram um pouco mais do que isso. Nada menos que o cruzamento de homens com a própria deusa-jaguar. Não sei como esse homem conseguiu o poder que você relatou, como subjugou a deusa ou por que está ressuscitando essas múmias. Mas sei que isso não é nada bom para a Humanidade. Os astecas acreditavam que o Primeiro Sol pereceu junto com sua Humanidade justamente quando jaguares deixaram a selva e devoraram os homens. Como esse indivíduo de capa falou em fogueira, não duvido que ele pense que pode se sacrificar para se tornar o Sexto Sol, como os deuses fizeram para criar os sóis anteriores.

_E o que fazemos a respeito? Eu não me importaria de ir atrás deles. Tem um tempo que não corro atrás de gatos. Um cão humanóide monstruoso perseguindo gatos humanóides monstruosos. É perfeito!

_Você é forte, muchacho, mas eles são semideuses. Você poderia enfrentar um ou até dois, mas não um exército. Nosso caso é, talvez, mais desesperado e requer medidas drásticas. A deusa-jaguar é a deusa da guerra. Liberte-a e não duvido que a maneira mais suave como ela vai retribuir a afronta que vem sofrendo é incinerando todos aqueles homens-jaguar.

_Mas como?

_A água da vida, meu caro... _disse, e pegou uma faca afiada da cozinha.



Foi com o coração pesado que Estevão seguiu para a pirâmide de Quetzalcoatl aquela noite. Acreditava que não haveria maiores dificuldades em executar o plano, mas ele deixara Gimenez em casa, debilitado. O velho nem oferecera grandes quantidades de seu sangue, mas aquilo pareceu lhe fazer muito mais mal do que seria de se esperar.

_Jogue sobre a cabeça dela _instruíra. _Consciente, ela será capaz de fazer o resto.

O fardo precioso estava em um pote de vidro que o lobisomem trazia a tiracolo. Seu foco atual era “derramar o sangue na cabeça da deusa-jaguar”. Era isso que ele devia fazer. Era isso que faria.

Entrar na pirâmide e alcançar o salão fora fácil. O difícil seria passar por todos aqueles homens-jaguar e alcançar a deusa.

O ritual prosseguiu da mesma forma que na noite anterior. Só que dessa vez, Estevão agüentou firme. Tão logo o homem de capa se entregou mais completamente à relação sexual e a dança dos homens-jaguar se tornou mais frenética, ele entrou correndo a toda velocidade.

Ninguém teve tempo de entender o que estava acontecendo e reagir. O homem com a capa ainda balbuciou “Xolotl?” e ergueu a mão. Nada aconteceu com Estevão, que derramou o sangue de Gimenez sobre a deusa, com um olhar de desafio.

O sangue brilhou intensamente e se espalhou sobre o corpo dela. Isso causou uma onda de pânico no salão. Os homens-jaguar gritavam e trombavam uns nos outros na ânsia de fugir. Tão logo o brilho passou, a deusa se endireitou e estalou algumas juntas. Olhou para Estevão de relance e ele ouviu em sua mente: “Obrigada, filho de Xolotl. Irei tirá-lo daqui. Leve isso a seu mestre.”

Ato contínuo, ela arrancou selvagemente a capa e a máscara do homem e atirou-as a Estevão. Tão logo recebeu as peças, ele se sentiu atirado para trás. Antes de aparecer fora da pirâmide (sem nem saber como), ele ainda pôde ver a deusa se tornando uma onça-pintada gigantesca, enquanto labaredas cresciam ao redor dela.

Da enorme porta e de todas as frestas da rocha surgiram chamas e dava para ouvir nitidamente o grito de gatos em sofrimento. Sentado no chão, o rapaz contemplava o espetáculo sem saber o que pensar.



_Você conseguiu... Estou orgulhoso.

A voz cansada de Gimenez assustou-o. O velho estava apoiado em um cajado e um coiote maltratado o seguia. Olhando a pirâmide, que agora apenas fumegava, aproximou-se de Estevão. Viu a capa e a máscara e as tomou com interesse.

Sem fazer perguntas ou esperar protestos, jogou a capa sobre os ombros e pôs a máscara. Imediatamente as emendas da capa desapareceram e ele começou a flutuar a uma grande altura. Pouco a pouco, uma serpente emplumada de dimensões inimagináveis começou a tomar forma no céu. Tão grande que cobriu a Lua, permitindo ao rapaz voltar ao normal.

_Quetzalcoatl... _sussurrou.

_Muito obrigado, bom jovem _a voz poderosa ressoou, trazida pelas correntes de vento. _Meu irmão Tezcatlipoca condenou-me à forma de homem. Esse que viste dentro do templo roubou-me o manto e a máscara que serviam a mim como depósito do poder divino que eu ainda possuía. Eu havia dado meu sangue para reviver a quinta Humanidade há pouco tempo e ainda estava enfraquecido.

“Ele procurou criar uma nova Humanidade, utilizando a deusa-jaguar para gerar semideuses, mas eu não podia permitir que a Humanidade do Quinto Sol perecesse antes do tempo. Com o pouco de poder que ainda me restava após o roubo, eu não podia vencer a barreira contra deuses criada pelo homem, mas podia fortalecê-la para que o próprio homem ficasse lacrado em meu templo, na pirâmide. Eu jamais podia imaginar que, tantos séculos depois, uma construção humana seria capaz de abalar o templo até quebrar o selo dos homens-jaguar.

“Eu podia não ter mais o poder ou minha forma original. Mas ainda era imortal e, durante todo esse tempo, vaguei pelo mundo, conhecendo melhor a Humanidade do Quinto Sol... Tanta arrogância, tanta fragilidade! Há muito que corrigir, mas muito que se aproveitar para a construção da nova Humanidade... A era do Quito Sol está no fim e a era dos Viajantes das Estrelas se aproxima.

“Mais uma vez, obrigado por tua ajuda. Finalmente posso voltar para casa. Há algo que desejas, depois de tão árdua batalha?”

_Respostas _Estevão disse, após pensar um pouco. _O senhor deve ter visto muito em todos esses anos. Será que não poderia...

_Posso ver claramente tuas perguntas _o deus respondeu, por antecipação _e, embora saiba que não as fazes por vã curiosidade, não poderei respondê-las. Depois de dar à Humanidade os conhecimentos mais básicos, decidi deixar que ela procurasse por si só os outros. Mas lego a ti tudo o que possuí em minha peregrinação humana. Talvez encontre algo do que buscas nas notas de minhas viagens.

“Preciso ir. Ainda não estou completamente restabelecido. Saiba que tens para sempre um amigo no céu, jovem lobo.”

A serpente começou a se mover em círculos e lentamente desapareceu. Vênus, no céu, brilhou com o dobro da intensidade por alguns instantes.

_Caso encerrado _Estevão murmurou.
Strix Van Allen
Enviado por Strix Van Allen em 12/10/2007
Código do texto: T691994
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Sobre a autora
Strix Van Allen
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 29 anos
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