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2-4-0: Assassinato, traição e chantagem (parte 9)

Sem a permissão do chefe Janice falou com a polícia e com o presídio e marcou mais um encontro. No dia seguinte foi ter uma conversa com o assassino.
           - O que pretende agora? Perguntou Janice mostrando a carta.
           - Eu sabia que você ia ler e falar comigo.
           - Não me interessa o que você acha. Só me diga o que quer.
           - Tenho uma proposta para você.
           - Proposta? Você é doido.
           - Eu tenho algo aqui para mostrar ao seu marido, algo que ocorreu há oito anos. Será que ele vai gostar de ver?
           A expressão do rosto da promotora mudou subitamente de raiva para medo.
           - Como conseguiu isso?
           - Ora promotora, eu mesmo tirei as fotos e gravei o vídeo.
           - Então gosta de um pornô caseiro. Que coisa indecente, filmar as relações dos outros.
           - Tem coragem de me chamar de indecente? Do que você chama isso então.
           - Amor.
           - Cínica.
           - Pare de enrolar. O que você quer?
           - Desista do processo, deixe outro assumir seu lugar. Pelo bem da sua família.
           - O quê? Eu, desistir do processo?
           - Isso mesmo, desista do caso e eu não mando o conteúdo do envelope para o seu marido.
           Janice estava tentando manter-se calma, mas estava claramente nervosa, a situação fora invertida e agora era ela quem estava em perigo.
           - É pegar ou largar doutora.
           - De jeito nenhum.
           - Lembra do conteúdo da carta que te enviei? O que importa mais para você?
           - As duas coisas são fundamentais.
           - Mas sempre tem uma que você coloca acima da outra em qualquer situação. O que vai ser? A carreira ou sua família? Você prefere me mandar para a prisão por 30 anos ou manter sua família unida e feliz?
           Janice tentou responder, mas as palavras não saíam.
           - Você está apavorada demais, por isso vou te dar um prazo. Tem duas semanas para me dar uma resposta. Perto de outros chantagistas eu sou até bonzinho.
           - Poupe-me da suas palavras, canalha.
           Janice saiu do encontro sentindo-se derrotada. Muita coisa passou pela sua cabeça, o seu passado iria condená-la, sentia-se totalmente impotente naquela hora. Tinha exposto sua família a todo perigo possível até que ela própria estava dividida entre suas duas paixões na vida. Traiu Marcos quando ainda era seu noivo e o assassinato aconteceu durante uma viagem de Marcos e seu pai a negócios, mas o noivo voltou imediatamente para acompanhar Janice no enterro de Roberto. Até hoje apenas ela e João Paulo sabiam da traição, mas logo Marcos teria a chance de saber e a revelação tinha grande chance de destruir seu casamento. Aquela que havia se tornado uma acusadora implacável agora passava pelo seu maior medo, seria acusada em outro tribunal e com chance de ser condenada.
           Janice passou vários dias sem ânimo para o trabalho e para cuidar dos filhos, por sorte eles tinham a empregada que servia como babá, a única coisa que a promotora fazia era lamentar. Seu marido amava-a tanto e nem desconfiava que ela houvesse o traído há anos atrás, sentia-se totalmente culpada pela situação que passava agora, teve tantas chances para evitar tudo isso, mas sua paixão pelo trabalho naquele caso foi maior do que sua família e pagaria o preço agora.
           Um dia a promotora voltou do trabalho e encontrou uma carta no balcão e sem pensar duas vezes pegou-a e foi ler em seu quarto. Chegando em seu aposento abriu a carta violentamente e com pressa, no papel estava escrito:
           “Pensou na proposta que te fiz? Tem poucos dias para me dar a resposta. Desista do processo e te deixarei em paz, continue atuando e seu marido saberá das suas brincadeiras com o amante, condene-me e este vídeo vazará na internet, o que será pior. Imagine só, todos vendo a grande promotora, implacável, incorruptível transando com seu amante e revelando ser um animal na cama. Você tem três dias. Espero sua resposta.”
           Nessa hora Janice pirou, um filme passou pela sua cabeça sobre o que poderia ser o seu futuro e de sua família. Levantou da cama, deu um passo e caiu desmaiada. A empregada a viu caído em seu quarto e telefonou para o escritório de Marcos, que foi pra casa levando um médico amigo seu.
            - Você tem que entender Dra. Janice, descanso é do que precisa agora, apenas descanso. Está extremamente cansada por causa do trabalho, você acumulou um estresse.
            - Eu sei que preciso, mas o fato é que agora não posso, não quero ser substituída por outro que não sei se vai se dedicar ao processo como eu.
            - Eu falarei com o seu chefe, você não está em condições de trabalhar, precisa de férias.
            - Eu tiro férias depois, falta pouco para acabar o caso.
            - Querida, não vou deixar você prejudicar sua saúde por causa de um assassino – respondeu o marido.
            - Vocês não podem esperar um pouco? Depois desse processo eu tiro uma licença e fico um ano sem trabalhar.
            - Você vai descansar já, nada de adiar essas férias – disse o médico.
            - Está bem então, se é o que vocês querem.
            - Meu amor, é muito mais do que o que nós queremos, é o que você precisa, como qualquer ser humano.
            Dr. Paulo conversou com Silvio e disse que Janice teria que repousar por um longo tempo e pediu a ele que desse férias à promotora. O promotor de justiça ficou satisfeito pelo fato de ela finalmente ouvir alguém e decidir descansar. Silvio garantiu ao médico que iria conceder as férias à Janice.
           - Pelo menos um médico ela ouve – disse Silvio, agradecendo à Deus.
           Janice pensou em contar tudo para seu marido naquela noite, mas não teve coragem o vendo brincar com os filhos. A promotora entrou em férias e o processo foi suspenso até a volta dela. Nos primeiros dias de férias a promotora fez serviços como ir ao mercado com seus filhos já que há muito tempo não fazia isso, já tinha quase esquecido como é bom sair de casa com as crianças, cada um pegou algumas coisas que queriam, mas brigaram pelo último pacote da bolacha preferida.
Farah
Enviado por Farah em 23/10/2007
Código do texto: T706612

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Sobre o autor
Farah
Curitiba - Paraná - Brasil, 31 anos
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Farah