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2-4-0: Assassinato, traição e chantagem (parte 10)

           Aquela semana passou e Janice estava mais tranqüila, achou que o assassino tinha se esquecido dela já, pois não mandou nada para sua casa ou para o escritório do marido, com isso ficou mais aliviada. Passou mais uma semana e Janice já estava com a cabeça no lugar, mas Marcos a chamou para conversar no quarto.
           - O que é isso? Perguntou Marcos, mostrando as cartas enviadas pelo assassino à promotora.
           No mesmo instante o mundo caiu sobre Janice, não tinha palavras pra explicar, apenas caiu de joelhos no chão e começou a chorar.
           Marcos acalmou a esposa, mas não exigiu explicações naquela hora, em vez disso deixou-a dormindo na cama, enquanto isso foi preparar o jantar. Janice acordou apenas após o jantar, as crianças foram dormir e o marido lia um livro na sala.
           - Você está bem agora? Perguntou o marido.
           Janice não falou, apenas balançou a cabeça negativamente e sentou no sofá, mas não muito perto de Marcos.
           - Tenho que te contar a verdade.
           - Como assim?
           - Você não leu na carta que ele me enviou?
           - Não cheguei a ler.
           - Há oito anos eu te traía com o Roberto, você era ocupado demais com o trabalho e não me dava muita atenção, eu me sentia sozinha. Roberto era um antigo amigo de adolescência de quem eu gostei por muito tempo, mas ele estava sempre em outros relacionamentos e era muito levava muito a sério. Quando eu o reencontrei ele estava solteiro e triste, sua noiva tinha o abandonado e viajado para fora do país, ele ficou sozinho e eu me aproveitei dele e da situação. Comecei a ir constantemente com ele para a cama em seu apartamento.
           Marcos nada falava, apenas escutava encarando Janice.
           - Na noite da morte estávamos novamente na cama dele, eu fui buscar água na cozinha e ele ficou na cama, ouvi o grito dele, mas já era tarde demais, o assassino já havia fugido e restava apenas o corpo ensangüentado, e mais, nele havia uma cruz desenhada à faca bem no peito.
           - Onde eu estava naquela noite?
           - Você tinha viajado com seu pai para a Escócia, foram comprar aquela fábrica de uísque. Estava trabalhando para me sustentar e eu te traindo com um antigo amigo.
           Janice não conseguia olhar no rosto de Marcos de tanta vergonha do que tinha aprontado no passado, por isso virou-se para o outro lado do sofá e voltou a chorar. O marido não disse nada, apenas pôs os braços em volta da esposa e a abraçou forte, em seguida esquentou o jantar para ela.
           - É melhor comer para não esfriar de volta.
           Marcos colocou Janice na cama novamente e foi até a varanda da casa respirar ar puro. Pensou no que a esposa lhe dissera, na história toda e decidiu que não iria sentir raiva de algo que aconteceu no passado, não queria amargurar fatos acontecidos há anos. Lamentou por não poder dar muita atenção à Janice quando eram noivos.
           No dia seguinte os filhos levaram café da manhã na cama para a mãe e o marido foi conversar com ela.
           - Dormi no nosso quarto de hóspedes para deixar você dormindo tranqüila.
           - Você está com muita raiva de mim?
           Marcos negou com a cabeça.
           - Qualquer ser humano comete erros na vida, mas o que importa é que você continuou comigo, apesar do meu trabalho, do pouco tempo para a família, tivemos dois filhos maravilhosos, construímos nossa família, vivemos num lar feliz. Eu sabia o que estava fazendo quando mudei de cidade depois de você ter conquistado o cargo de promotora e estava decidido a te acompanhar onde quer que fosse. Um fato do passado não vai estragar o casamento lindo que tivemos até hoje.
           - Mas eu menti pra você durante tanto tempo.
           - Não importa mais, quero que esqueça isso agora.
           - Naquelas cartas tinham uma chantagem do assassino, queria que eu abandonasse o processo em troca do sigilo quanto à traição que cometi anos atrás.
           - Agora não existe mais segredo. Se era isso que te atrapalhava no caso, pode prosseguir com ele, faça esse assassino pagar pelos seus crimes.
           - Farei meu amor, farei.
     
           A promotora estava de volta ao escritório e todo mundo estranhou o fato.
           - Você não estava em férias? Perguntou Silvio.
           - Não vou tirar férias sabendo que o assassino ainda não foi condenado.
           - Ai meu deus. Vai voltar com essa história?
           - Confie em mim. Estou pronta para voltar ao processo, tenho um dever a cumprir.
           - Tudo bem, não vou nem discutir, pode pedir o desarquivamento do caso.
           - Estava louca para ouvir isso de sua boca.
Farah
Enviado por Farah em 25/10/2007
Código do texto: T709507

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Sobre o autor
Farah
Curitiba - Paraná - Brasil, 31 anos
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Farah