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O Roubo na Andradas

    O delegado pestana, e seu assistente Ramos dirigem-se à Rua dos Andradas (no centro de Porto Alegre), mais precisamente ao famoso casarão.  Eram  três horas da madrugada e o dono da casa, o Sr. Gomes, chamara a polícia: Descobriu que havia sumido 3.000 dólares de seu cofre. Quem teria aberto o cofre sem arromba-lo  se só ele sabia de sua exitência ?  No Sábado, véspera da noite do roubo, seu Gomes, que mora há 15 anos sozinho desde que ficara viúvo, recebeu a visita de sua faxineira.   Terezinha,  trabalha a mais de 20 anos na casa, havia chegado ás 9 horas e saído  às 18 .   Ela seria suspeita ? Chegaram na casa a dupla de policiais, e o delegado  Pestana  perguntou :
     —  Senhor Gomes, como descobriu o roubo ?
    —  Abri o cofre como faço todos os sábados à noite. Como fui dormir mais tarde que o habitual, só descobri o roubo às  2 da manhã, minutos  antes de ligar pra vocês.
     —  O  Sr.  Recebeu alguém  em casa,  ontem  —  perguntou  o delegado.
     —  Só a minha faxineira que trabalha comigo há mais de 20 anos.
     — Ok  —  diz o delegado.
     O delegado Pestana e seu auxiliar Ramos  vasculharam a casa em busca de alguma pista, e não encontraram  nada. Gomes vai dormir.  Ele havia omitido da polícia que, seu vizinho Dudu o havia visitado ontem e tinha ficado sozinho dentro da casa quando ele foi à padaria. Mas por quê omitir este fato á polícia ?  Teria o senhor Gomes motivos para querer  inocentar o vizinho ?
       Domingo de Sol  em  Porto Alegre . 8:00 am
     O Sr. Gomes, que mora na  Rua dos Andradas, esquina Gal. Câmara, vai comprar jornal, na banca do Luiz, na praça da alfândega, e volta para casa, quando  cumprimenta  a sua vizinha  Dona Marta.  Como a  vizinha é muito fofoqueira, se convida pra almoçar com Gomes  levando  frango e polenta.
      —  Soube que o Sr. foi roubado  e que levaram bastante dinheiro — perguntou Marta,  com uma coxa de frango na  mão.
       — Como a Sra ficou sabendo ? — perguntou ele, surpreso.
       — Encontrei o Dudu  e  ele  me contou.
       Gomes fica  intrigado.
       Com o o  vizinho ficou sabendo, se só a polícia tinha  essa  informação ?
       Teria sido ele o autor daquele roubo ?
       Domingo. 4:00 pm
       Gomes vai à tabacaria 22, na travessa Acelino de carvalho e encontra Dudu pelo caminho.
       —  Como tu ficaste sabendo  do roubo? — pergunta Gomes, sem  nem cumprimentar.
      —  O policial Ramos,  me contou ! Estive com ele hoje de manhã. Ele me fez algumas perguntas...  —  disse Dudu,  assustado.
       —  E daí ?
     —  Não disse nada. Se ele descobrisse que nós trazemos cigarros  do Paraguai,  ia sujar. Fica  tranqüilo , cara.
      Gomes não havia chegado em casa ainda, quando foi abordado por Zico e Zoca, moradores de rua.
        —   E daí tio. Tu não vai nos convida  pra comer na tua baia,  di  novo ? — disse Zico
        —  Pois é tio, nos tamo cum  mais  fome do que  sexta  nos  tava . — completou  Zoca.
     Gomes gostava de ajudar aqueles meninos, mas acabou lembrando que  ambos, na sexta feira, quando almoçavam em sua casa, haviam  perguntado  se o cofre estava cheio de grana.  Seriam  eles os  ladrões ?
       Quarta feira. 7:00 am.  Nada de pistas
       Dudu  fazia sua caminhada matinal na praça da alfândega, quando foi abordado :
       —  Olá Sr. Dudu. Já descobriram o ladrão do Gomes ? — perguntou  seu   zé.
       — Não  sei , mas acho que ainda não — responde, Dudu.
       — Ouvi um boato que foi o Zico e Zoca. Aqueles  pestinhas —  disse,  seu zé.
       Dudu, sem dizer mais nada,  abana  para o seu amigo e sai  apressadamente.
       Sábado . 10:00 am
    A faxineira  Terezinha que é sempre pontual, não aparece, não liga, nem atende a chamada de seu Gomes.  Batem na porta.  É o Tunico, um  outro morador de rua,  pedindo comida. Ganha pão e café  e sai  contente. Alguns minutos depois , batem  na porta novamente. Desta vez é o delegado pestana atrás de alguma novidade.
       —  Pois é , delegado. A faxineira não veio. E é dia dela pegar uns trocados.
       —  Está bem. Vou fazer uma visita a esta faxineira — diz pestana , meio pensativo.
     —  Após tanto tempo de casa, justo agora , Terezinha inventou de faltar. Será que foi Terezinha que  sumiu com o dinheiro? — pensou alto, Gomes.
       Toca o telefone,  era quase 3:00 pm , quando Terezinha deu sinal de vida.
       —  Hoje eu não vou , seu Gomes. Internei  meu marido na Santa  Casa .
       Pestana, já apar da história,  dá alguns telefonemas,  concluiu que Terezinha estava dizendo a verdade.
      Ele estava novamente sem pistas.
      Sábado. 7: 00 pm .
     Um  taxi pará em frente a casa de Dudu. Desce um rapaz aparentando uns 28 anos, cheio de sacolas.
       —  E aí tio Dudu? Comprei todas as mercadorias que você me pediu.  Consegui passar com todos os pacotes de cigarro  —  disse alegremente, Miguel .
        —  Com que dinheiro você fez isso ?  — disse, quase gritando, Dudu.
        —  Ué, com os  3.000  dólares  que teu sócio  me emprestou.
       Depois de alguns segundos...
       —  Porque esta cara, tio .
      Naquele momento Dudu deixa  Miguel falando sozinho e sai  correndo  ao encontro de Gomes ...
     Três meses depois. 2:00 am
     —  Alô, é o delegado Pestana ?  Roubaram o meu dinheiro.
Alexandre Abrantes
Enviado por Alexandre Abrantes em 15/11/2005
Reeditado em 01/12/2010
Código do texto: T71931

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Sobre o autor
Alexandre Abrantes
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Alexandre Abrantes