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O Quinto HOmem - parte 03

Abre a porta lentamente; um fino raio de luz saindo de uma lanterna ilumina a mesa à frente. A mão enluvada mexe nos papéis em cima da mesa, … procura alguma coisa.
Mexe nos bolsos, retira um pequeno arame e abre uma gaveta. Enfia a mão nesta e revira os papéis.
Desiste da mesa e parte em direção ao armário de aço. Mexe no fichário. Abre a outra gaveta do armário.
Vai sair, quando, uma folha no chão chama sua atenção. Guarda-a no bolso da calça. Arruma os papéis sobre a mesa, fecha a gaveta, e tão silencioso como entrou, sai.




Manhã  26 de Maio de 1994.  09:44


Mal Marcelo abre a porta, Giovana lhe estende um papel.
---- Um recado do Xamã! -  fala a moça lhe dirigindo um cândido e lânguido sorriso. -  Bom dia seu Marcelo!
----- Bom dia "Dona" Giovana! -  sarcástico - Espere uns dez a quinze minutos e faça um bom café‚ para nós o.k.? - disse, estendendo a mão para o papel. Abriu e leu.
----- O café‚ já está pronto. Está  na garrafa! Quer um? -  respondeu a moça enquanto ele lia o bilhete.
"Caro Marcelo, circunstâncias demais perigosas me obrigam a agir desse modo esquisito, por favor, acredite nisso. Quando puder eu lhe esclarecerei tudo. Por ora é necessário que você vá  até a cidade de Itá , no oeste do estado, a seiscentos km de Floripa. Fale com a geóloga Carla Koenrichin, da Eletrosul. Ela pode ter alguma coisa para dizer que venha a ser útil no caso da morte do velho. Desculpe-me, por enquanto é só o que posso lhe informar.  Não esqueça. É muito importante isso que eu estou lhe pedindo.
Ps. dê um beijo na Giovana por mim."
----- Filho da mãe!  -  gritou -   Maldito filho da ... -  lembrou-se da presença da garota. --  Isso é para você.  --  e deu-lhe um beijo no rosto.
A garota ficou vermelha. Toda sem jeito.
---  Viu só o que esse meu sócio me arrumou?! Primeiro some do mapa! Fica dois dias sem aparecer, depois deixa um bilhetinho pedindo para mim ir fazer um serviço! Ora bolas! Quem ele pensa que é?!! O bam-bam-bam do pedaço?!! Porque ele mesmo  não vai até lá?! -- Olhou para a atônita secretária. -- E você!? O que foi? Por que tá  me olhando assim?!! Não diga nada!!  -- com o dedo em riste. --- Eu ainda vou ficar maluco!
     
Entrou na sua sala. Fechou a porta.
Sentou-se na cadeira, colocou os pés sobre a mesa; como cansou de ver nos filmes americanos. Costumava dizer que os bons policiais possuem hábitos comuns.
Ligou o rádio.
Ficou ouvindo o barulho das teclas do computador na sala da secretária, e pensando;
Abriu o bilhete novamente e o leu outra vez. Pegou a garrafa de café e se serviu.
 Resolveu voltar até a casa do velho. Escreveu alguma coisa em um papel que Giovana lhe dera e pediu a ela para ligar para o Pe. Henrique.
 ------  Não vai  colocar o Padre em tentação com essa sua voz sexy. - ajeitou o chapéu por sobre os  ralos cabelos escuros e saiu. - Tchau.
       



Ao entrar na Av. Mauro Ramos, teve a impressão que um carro o seguia.
Seguiu em linha reta até o semáforo em frente ao I.E.E (Instituto Estadual de Educação), quando, diminuindo a velocidade na lombada eletrônica, prestou mais atenção;  à sua direita um ônibus municipal;  atrás de seu carro, um fusca amarelo com pranchas de surfe e garotos cabeludos e barulhentos; tentou divisar no retrovisor o outro carro, o que estava  atrás do fusca. Parecia um opala preto, porém não conseguiu ver a placa. Nem o motorista.
Passou pela lombada eletrônica. O sinal abriu á sua frente, no entroncamento da Silva Jardim, e então arrancou forte. Quando entrou na avenida Paulo Fontes, que dava acesso às duas  pontes, viu pelo retrovisor, o Opala preto avançar velozmente em sua direção.
Mudou de marcha e o Gol pareceu saltar para a frente. Foi ziguezagueando por entre os outros veículos, tentando se distanciar do Opala. Ao entrar na ponte Governador Colombo Machado Sales o carro quase bateu na amurada de concreto ao ultrapassar um ônibus.
Fez uma manobra mais arriscada e se colocou entre o ônibus e um caminhão, esperando com ansiedade ver o Opala passar.
Quando faltavam uns duzentos metros para a travessia da ponte acabar, o carro preto passou por ele. Fez a curva na saída da ponte e entrou na via de acesso ao bairro do estreito.
Marcelo mais que depressa girou o volante e pegou a pista de acesso para a Via Expressa que dava acesso a São José.
Não conseguiu anotar a placa do Opala, nem mesmo ver quem estava no carro. Quando passaram por ele, fizeram isso em grande velocidade.



Estacionou no mesmo lugar em que deixara o carro na vez em que estivera ali, porém agora havia  marcas  de outros veículos. Bem, talvez a policia, um repórter, ou fotógrafo! Afinal era o único lugar para se estacionar por ali. Um terreno limpo e desabitado.
       
Haviam se passado menos de 30 horas que estivera naquele local e muita coisa já havia mudado. Na estrada e no portão da casa marcas de veículos e de calçados, certamente as viaturas, e os carros do corpo técnico.
       

Entrou no quintal. A porta e as janelas frontais, estavam lacradas com fitas onde se liam as escritas "Proibido a permanência de pessoas  não autorizadas - Policia Federal.". Estranhou a P.F. estar envolvida, pois sua atuação se restringia a outro ramo de atividade.
Rodeou novamente a casa e constatou que a janela e a porta dos fundos  também tinham a mesma fita.
Cortou a fita da porta com um pequeno canivete de bolso.
Empurrou a porta levemente.
O cheiro agora já  não era tão forte, como no dia anterior. Talvez por que o corpo já fora removido.
---- Vamos ver se encontro algo que deixei escapar! - falou para si.
 Foi até o quarto. O crucifixo de ouro sumira. Obra de algum policial idiota que  não sabia que nada podia ser retirado da cena do ocorrido, pensou. Sentou na laje de pedra que servia de cama. Ficou olhando para a parede à sua frente.  Não a havia notado na sua primeira visita. Uma tela onde uma figura irradiava luz, pelas mãos, sobre um homem vestido de branco, com longos cabelos e barba imensa, segurando um terço na mão direita, e   sua esquerda um bosque escuro onde olhos brilhantes espreitavam.
Marcelo voltou-se e olhou para a tela às suas costas. As cores pareciam mais forte que a outra tela. tocou-a. Passou suavemente a mão e sentiu a textura da tinta. Era grossa, viscosa. Deve ser tintura vegetal, pensou.
Foi até a outra tela e a tocou. O mesmo material. Passou os dedos pelo local onde estavam os olhos luminosos e sentiu uma cavidade.
Enfiou o dedo.            
Tocou em algo.
Parecia uma argola. Engatou o dedo e puxou.
A parede inteira moveu-se.
Assustado deu um passo para trás. Na verdade quase um pulo, visto o susto que levou.
Parecia uma espécie de abrigo subterrâneo. Ou melhor um porão secreto.
O cheiro que vinha era agradável. Um aroma de terra úmida. Através da pequena réstia de sol que penetrava a casa viu uns degraus.  Começou a descer no escuro, quando viu uns archotes na parede da pequena escadaria. Pegou um, voltou até a cozinha. Procurou por fósforos.
Com o archote acesso desceu ao pequeno esconderijo.
Sob a luz da tocha viu uma pequena sala. No centro, uma mesa redonda de pedra e ao redor desta sete cadeiras de palha. A um canto viu uma pequena estante de madeira. Grossos volumes cobertos de poeira, se encontravam ali.
Estendeu a mão e pegou um deles.
A mesma linguagem do pequeno livro.
Não entendeu nada.


13:35  - Praia do Pântano do Sul.

A praia estava deserta. O tempo de chuva  não chamava ninguém.
O sol, escondido nas nuvens,  não iria dar seus ares.
Perguntou no Bar do Arante, onde era a casa do padre Henrique. Esse bar era antigo no lugar, e se ali ninguém pudesse lhe dar a informação ninguém mais daria.  O estabelecimento, durante a temporada de verão, era um dos locais mais procurado da garotada. Shows com bandas locais lotavam o lugar e um espaço era disputado por muitos jovens para poderem se divertirem ali.
Um rapaz de macacão branco, e boné de uma firma, lhe apontou o alto de um morro. Agradeceu e saiu.
Estacionou o carro em um terreno baldio e olhou em volta. Várias vezes pensara em voltar até o Pântano do Sul, mas poucas vezes chegou a cumprir o que pensara. A maioria das vezes passava o final de semana trabalhando. Afinal era nesses dias que muita coisa acontecia, principalmente no tipo de serviço que lhe enviavam através da caixa postal. Vigia de motel. Sim, era isso que ele achava que tinha se tornado. Até o momento que encontrou o corpo do velho.
Agora parecia que tinha realmente o que sempre quisera. Um caso de verdade. E nem sabia direito o que fazer. Ia seguindo por instinto.
Várias construções em estado avançado se mostravam aos olhos assim que começou a admirar o local. " Logo isso aqui vai virar uma pequena cidade e essa calmaria será  só passado. Esse é o preço do progresso"- filosofou.
Começou a caminhar; à sua frente um grupo de jovens barulhentos, falando em voz alta e extasiados pela caminhada que fariam até a Lagoinha do Leste. Um lugar maravilhoso! Marcelo se lembrou das vezes em que estivera lá  acampando. Realmente algo de encantar os olhos e ao coração. Isolada por uma pequena mata das povoações, um lugar isolado. Uma sensação de paz invadia seu ser naqueles dias. A caminhada era longa, durava uns 40 minutos, mas depois que lá  se chegava, esquecia-se o cansaço. A vista era maravilhosa. O mar era de um azul sem fim. E ainda dava para pescar na Lagoinha que se formava em um canal de  água doce. Era ao lado dessa lagoa que todos acampavam, com gramado e sem pernilongos. Principalmente esse último fator ajudava bastante a chamar de volta quem lá  acampava. Mas ultimamente as notícias davam conta de que muitas pessoas iam para lá  com outras intenções. Era um local ideal para os puxadores de fumo, e drogados em geral. Uma pena isso ter acontecido, apesar de o local ser tombado como parque de reserva ecológica.
 ----  Boa caminhada rapazes! -  sorriu para eles, que o observavam.
----  Só cara! Valeu hein! -  lhe responderam.
Olhou para o alto e uma casa de dois andares, de madeira, apareceu por entre a mata.
Deu mais uns passos e chegou ao portão.
Havia uma placa de madeira pendurada por arame, como se fosse uma porteira de fazenda ou sítio.
"Bem aventurados os puros de coração, porque deles é o reino dos  céus.'. Dizia o letreiro na placa de madeira.
Ao chegar no portão tocou uma campainha. Esperou.
Ninguém apareceu.
Tornou a apertar a campainha.
Olhou ao redor.
Lembrava a casa do velho. Como lá , ali também a natureza tomava conta do quintal, só que com mais beleza e limpeza. Havia um corredor, que era uma calçada, ladeada de belas flores, onde pequenas abelhas esvoaçavam em busca de pólen.
----- Quem está aí? - a voz que soou no interfone o tirou de suas divagações.
     
            Marcelo apertou o interfone e disse:
------- O prof. Hausmann, me mandou falar com o senhor! Preciso da sua ajuda!
Soltou o botão.
Do outro lado o silêncio.
Então uma porta no andar superior da casa abriu-se.
Um homem de 40 a 50 anos, apareceu; vestia-se de maneira simples; uma calça jeans, uma camiseta e um par de sandálias; seu rosto era cheio de marcas, onde a barba  não escondia a sabedoria que os olhos escuros revelavam.
---- Giovana me ligou! A enfermeira do professor Hausmann tinha acabado de ligar1Suba por favor, e desculpe  não o ter reconhecido, pois já vi fotos suas nos jornais, Sr. Marcelo. --- Marcelo lembrou-se do seu amigo Crivaldo do D.C.(Diário Catarinense). Fizera uma sensacional reportagem sobre os serviços dos detetives, e colocara uma foto de Marcelo. Logo começaram a chover telefonemas no escritório. A maioria só curiosos. Mas serviu para faze-lo conhecido por gente que realmente precisava dos seus serviços. Um jornal de grande circulação com sua foto varrendo todo o Estado de Santa Catarina não era algo comum. Logo  não era de estranhar que algumas pessoas o reconhecessem de cara.
---- Por favor Entre!! -  Logo se instalaram na sala  Mas me diga, no que você acha que eu posso lhe ajudar? Como está o velho Hausmann? Rapaz, acho que faz mais de cinco anos que  não nos falamos! Engraçado como as coisas acontecem né! A gente acaba esquecendo de muita coisa com o passar dos tempos, mas é só ter uma simples citação e nossa memória consegue nos trazer de volta o que pensamos ter esquecido.- o Pe. falava empolgadamente, era como se tivesse passado um bom tempo sem companhia, ou quem sabe gostava realmente de falar.--- Estudamos quase cinco anos juntos, e fomos colegas de quarto durante um bom tempo.
           
Luz da verdade,
Sabedoria Una,
Central triângulo dos poderes.

Pureza que alma anseia:
água que clareia o espírito,
Ilumina morada minha.

Os escritos estavam no baluarte da porta; sinal de fé do homem.
 ---- Me afastar da igreja,  não significa me afastar do criador. - disse o homem percebendo o olhar de Marcelo - Eles  não pensavam assim! -- um ar de tristeza se apossou do ex Padre. -- Quando nossa casa está podre e as suas pilastras fracas, temos que abandoná-la e arrumar outra morada! - Falou olhando para o crucifixo grandiosamente colocado no centro da sala. -- Eis aqui o "Padre Louco".  Era como me chamavam. Um homem que crê no filho do homem e na humanidade; -- Voltou-se e pareceu que só agora se dava conta que Marcelo estava ali.
---- Mas me fale mais sobre o tal livro que encontraste? -  seu rosto se iluminou.
------- Bem, melhor que falar ‚ vou lhe mostrar! Veja! - lhe passou o livro. --- Tomara que consiga decifrar isso!
O padre pegou o livro com firmeza.
Seus dedos finos abriram o pequeno livro. Suas mãos deslizavam sobre as páginas. Parecia estar analisando o material.
-----  Será  que o senhor pode me dizer as circunstâncias em que esse encontrou esse livro, se isso  não for pedir demais! - pediu o Pe. enquanto folheava o mesmo.
 
            Marcelo relatou novamente tudo o que acontecera. Algo lhe dizia que podia confiar no velho Pe. Lhe falou da casa, as mesas manchadas, o crucifixo de ouro, o terço de alho, o porão, tudo o que lembrava.
Enquanto Marcelo ia falando o Pe. continuava a ler o livro. Quer dizer, a folhear o livro. Pois se estava entendendo ou  não, ainda  não dera nenhum sinal disso. Seus olhos pareciam em êxtase. Eram duas paredes negras atentas a qualquer coisa que pudesse lhe chamar a atenção. Marcelo pensou que o homem  não o estava ouvindo. Mas o Pe. lhe pedia com a mão para continuar o relato.
Quando Marcelo finalmente acabara de falar, o velho lhe deu o livro de volta e lhe falou.
----  Será  que eu posso ver a casa? Deve ser excitante!
 ---- Sinto Sr. mas só com autorização da policia um civil pode visitar o local do crime, e  não acho que eles lhe darão essa autorização. Ainda mais depois que descobrirem que alguém esteve lá e cortou a fita de acesso a cozinha. - lhe informou Marcelo.
 ---- É uma pena, eu gostaria de ver o local onde vivia tão sábia alma! Sábia e desafortunada.
 --- O Sr. conseguiu entender alguma coisa no livro Padre.?
 --- Bem,  não de todo, pois parece um código muito arcaico, mas me parece que alguns sinais eram usados pelos antigos Druidas, na confecção de poções e ervas medicinais para seus soldados. Mas  não dá para ter certeza. Preciso olhar e estudar o pequeno livro com muita atenção e isso requer tempo.
-- Sinto Padre, mas tempo é algo que eu  não posso lhe dar! Agora me diga o que é esse negócio de Druida?! Vou viajar hoje a noite e se o Sr. puder me contar algo de importante eu agradeceria, quer dizer, se esses Druidas tiverem algo a ver com o caso. Então eu espero o que o Sr. possa me dizer algo de importante, caso contrário terei que contar só com a sorte e a ajuda de Deus.
           --- Espere meu jovem, porque tanta pressa?! Eu  não disse que tem a ver com o seu caso, eu disse que talvez! Talvez,!! Entendeu?! Disse que talvez possa ser um antigo código Druida,  não disse que o é. Pois é fato que os Druidas não deixavam nada escrito com medo de perderem sua individualidade e alma. Talvez eu possa lhe dar umas pequenas informações do que sei sobre esses "feiticeiros"  Celtas. O mais famoso dos Celtas chama-se Asterix, conhece? -- Marcelo fez que  não com a cabeça. -- Bem, é um desenho animado, onde um soldado Celta, um pequeno soldado, com a ajuda de uma poção mágica, cria superforça e enfrenta as legiões romanas que invadiram seu território. Conta ainda com a ajuda de um grandalhão  desajeitado chamado Obelix, e um pequeno cão, juntos eles infernizam a vida da guarda romana.
-----  Não creio que vim até aqui para ouvir histórias sobre desenhos Padre! - disse Marcelo com firmeza.
-----  Bem, - o homem ficou um pouco constrangido - essa foi uma pequena introdução para que você tivesse uma idéia do que foram os Celtas. Eles  não admitiam que a Divindade pudesse ser cultuada dentro de templos construídos por mãos humanas, assim, faziam dos campos e das florestas mais suaves - principalmente onde houvessem antigos carvalhos - os locais de suas cerimônias.
--- Quem eram esses Druidas?
---- Os druidas eram parte da antiga civilização Celta, povo
que se espalhava da Irlanda até vastas  áreas no norte da Europa ocidental, incluindo a Bretanha Maior e Menor, ou seja a Inglaterra e o norte da França e parte do extremo norte da península ibérica que compreendia Portugal e Espanha.
---- Quer dizer que podemos Ter algum parentesco com esses
Celtas? Mas e esse negócio de cerimônias?
----- Calma! Eles dominavam muito bem todas as  áreas do conhecimento humano, cultivavam a música, a poesia, tinham notáveis conhecimentos de medicina natural, de fitoterapia, agricultura e astronomia, e possuíam um avançado sistema filosófico muito semelhante ao dos neoplatônicos.
---- Que tal se falar logo dos tal Druidas?
---- Estou falando.- disse ele duro - Na sociedade Celta o Druida tinha amplos poderes. Era o sumo sacerdote, o presidente do conselho. Também era o encarregado de manter as tradições e culturas do seu povo, um guardião da honra e dos costumes, da moral e educação.  Acreditava-se que o Druida era um elo de ligação entre o mundo dos vivos e o mundo invisível, que podia comunicar-se com os espíritos, com as fadas, os monstros, os duendes e com os espíritos da noite. Na verdade o povo Celta deu grandes contribuições ao mundo moderno, por exemplo acredita-se que eles aprimoraram o uso da roda, o uso do metal nas armas, mas o maior legado dos Druidas sem dúvida foram os usos medicinais e alucinógenos das ervas por eles usadas. Porém o que eu acho estranho é esse livro que encontraste pois o que se sabe sobre esse povo é muito pouco, justamente porque os Druidas achavam que a escrita poderia roubar sua magia e então proibiam o povo de escrever e ler. Esse decreto acabou por levar ao esquecimento muitos  dos ensinamentos que os próprios Druidas passaram adiante.

Marcelo ouvia atentamente. Enquanto revirava os livros na estante.
----- Um único livro daquela época, "o Belo Gallio" de Júlio César é o responsável pelo pouco que sabemos atualmente sobre os Celtas. Neste livro César diz que "são uns soldados bravos que enfrentam a morte sem medo na batalha, porém uma simples folha os faz mansos e fáceis de lidar, juntamente com um caldo de gosto amargo." . - o Padre Henrique foi até a estante e procurou um livro. -- Este  não é o livro de Júlio César, mas tem umas boas coisas sobre a cultura dos Celtas. Leve-o consigo. Depois você poderá  me devolver.
          Marcelo pegou o livro ,agradeceu ao velho padre e saiu.  Não conseguiu ver nada de importante no que o padre lhe tinha dito.  Tinha que levar o carro para uma revisão antes de viajar. No portão voltou-se para o padre que se despedia.
----- Bom, Então vamos fazer o seguinte! Eu lhe deixo o livro até as seis da tarde. Daí passo aqui antes de viajar e o pego de volta. Até lá talvez consiga descobrir mais alguma coisa.




Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 04/01/2006
Código do texto: T94198

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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Ivair Antonio Gomes