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O Porteiro - parte 01 de 4


O     P O R T E I R O





Estava em casa fazendo exercícios físicos, na tentativa de eliminar alguns quilinhos quando o telefone tocou.  Era próximo das oito da noite.
---- Xstranho, precisamos da sua ajuda!- disse a voz macia e aveludada pelo telefone.
Eu suspirei fundo. Quando eles ligavam sempre tinha alguma coisa para mim. Alguma coisa para mim fazer.
----- O que foi? --- disse ela ouvindo minha respiração  - O que estava fazendo? Parece cansado. - percebi a malícia nas suas palavras.
----- Nada não! Apenas um pouco de exercício. Diz, do que se trata?
---- Bem, eu não sabia a quem recorrer! Sabe, é... é... que houve um problema aqui no prédio! - ela começou - Um cliente nosso foi assaltado quando descia de elevador!
A coisa era séria. Fiquei momentaneamente  preocupado. Naquele momento  não sabia o que dizer. As palavras brotaram instantaneamente.
--- Puta merda! E daí?
---- É que machucaram bastante ele além de o roubarem.
---- Que merda! E o Antônio? Chamaram a policia?!
---- Ah!! - Senti uma ponta de decepção nessa exclamação - O Antonio está viajando e a polícia demorou um tempão pra chegar! Levaram o cara para o hospital.
----- Tá! ...mas... - queria saber aonde eu entrava na história. Uma espécie de pressentimento invadiu minha mente.
---- É que... bem... será que você não podia vir ficar na portaria até o Antônio chegar de viagem?
O prédio onde a sala de massagem funcionava estava a bem dizer, inabitado, apesar de ser um dos mais modernos edifícios do centro da cidade.
Uma briga judicial, segundo Antonio  me falara, entre pai e filhos. Então eles não podiam fazer novos inquilinos e sequer qualquer gasto no prédio. Com isso os antigos inquilinos acabaram por abandonar suas instalações... No prédio de dez andares agora funcionava somente a sala de massagem no último andar. Nem porteiro eles tinham mais.
No entanto, apesar dos contratempos, Antônio mantinha o negócio como uma das melhores casas da cidade.
---- Bem... é... claro! Não tem problema! Amanhã lá pelas duas da tarde eu tô aí! - disse sem pensar.
--- Não dá para vir mais cedo? - ela insistiu.
---- Hummm.. Que horas? - perguntei a contragosto.
Ela demorou um pouco como se estivesse a pensar.
---- Bem, antes de tudo tenho que lhe dizer que não podemos lhe pagar bem, mas se quiser um pagamento... digamos... especial... - e deixou no ar a insinuação.
----- Não!! Esse negócio de pagamento nem esquenta! A gente
acerta depois.
---- Ótimo! Pode vir lá pelas dez da manhã?
Droga, era muito cedo. Além de ficar de porteiro ainda tinha de acordar com as galinhas? Tudo bem, estava acostumado.
---- Tá! Tá bom! Lá pelas dez da manhã eu estou por aí!- disse a contragosto.
---- Puxa! Obrigado!! Obrigado mesmo. Sabia que podia contar com você.
Ela desligou e eu fui tomar um banho. Meu suor havia molhado o chão da sala.





No outro dia cheguei ao local meia hora antes do combinado. Foi uma trabalheira para estacionar, mas enfim o fiz quase dois mil metros distante do edifício.
Fiquei esperando. A medida que o tempo passava ia aumentando a minha esperança de que ela chegasse e disse-se:
---- Olha, pode voltar para casa! Não vai mais ser necessário sua ajuda! Conseguimos arrumar um porteiro com uma firma.
Mas o tempo passava e ela não chegava.
Fiquei ziguezagueando ali pela frente do prédio.
Tinha algumas perguntas para fazer, afinal a nossa conversa na noite anterior fora bem curta.
Uma porta vertical de aço, tipo uma grade, estava fechando a entrada do prédio.
Postei-me do outro lado da rua e fiquei a observar os transeuntes. Disse "os", esqueça, o certo é "as". Afinal era dia de carnaval e cada mulher que passava pelo local tinha um corpo mais bonito e tentador que a outra. Não sei se babei muito ou era o suor por causa do calor, mas minha camisa na altura do peito estava molhada.
Faltando dez para as dez  uma das garotas massagistas chegou em frente ao prédio. Trazia uma bolsa de couro nos ombros e um copo de suco na mão direita. Olhou decepcionada para a entrada fechada do prédio. Virou sua linda cabeça de um lado para outro, como a buscar alguém. Como ela era loura aposto que muitos que a viam pensaram que estava querendo pegar no tranco.
Eu atravessei a rua e ela sorriu, me reconhecendo.
Ficamos um tempo falando mal da Maria, a gerente da casa, que estava demorando demais e logo outra massagista chegou. Essas garotas realmente sabem como se arrumar. Se eu não babava na frente delas é porque já havia gasto todo meu estoque  "babal" com as carnavalescas que passavam na rua.
---- Ai! Graças a Deus! Ainda bem que você veio! - disse a última que chegara, Patricia. Bom, era o nome que ela usava na sala para atender os clientes. Ela era morena, 1,70, cabelos lisos compridos. Os cabelos já não eram tão pretos devido ás constantes pinturas que fazia. Na verdade parecia qualquer cor, menos preto.
Márcia, a loura do suco na mão, parecia mais calma e menos perturbada. Este eu não sabia se era o nome original ou não. Na profissão dessas meninas a gente nunca sabe quem é quem. De um dia para outro elas mudam de nome. Eu só imaginava o quanto deveriam gastar com documentos novos se isso fosse real.
Não demorou muito e Maria surgiu. Bom, essa eu sabia o nome já há algum tempo. Não me pergunte sobre ser real ou não. Isso eu não saberia dizer.
Estava chateado, não gosto nada quando uma pessoa me procura  e sou eu quem fica esperando. Acho até uma falta de responsabilidade, ou mesmo de educação.
--- Oh! Eu te fiz esperar?! - dissimulada - Desculpe-me! - disse-me com a voz sensual e cheia de trejeitos.
Maria é alta, magra, cabelos loiros compridos e um corpo tentador.
---- Marcou ás dez e agora são dez e vinte! Já estava indo embora! Sabe que não gosto de esperar! - disse não me contendo.
Ela inventou mil desculpas  e eu fingi que acreditei.
Suspendeu a grade da porta do edifício sem colocar a chave. A porta metálica não estava trancada!! Santo Deus! Que segurança aquela. A grade metálica estava só abaixada sem tranca ou chave.
--- Pô!! Não abrimos porque pensamos que estivesse chaveada!  - disse Márcia a garota do suco na mão.
---- e então Maria?! Pode me falar melhor sobre o que aconteceu?
---- Claro! - disse ela abrindo com a chave a porta de vidro de acesso ao hall do edifício - Meninas subam que eu logo vou! - as garotas pegaram o molho de chaves de sua mão e rumaram para ao elevador.
Que tortura ver aquelas "meninas" andando para o elevador.
---- é o seguinte! - a voz sensual daquele corpo repleto de promessas prazerosas me tirou do devaneio "babal" - Ontem, lá pelas quatro da tarde, um cliente nosso foi atacado no elevador.
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 06/01/2006
Reeditado em 06/01/2006
Código do texto: T95075

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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Ivair Antonio Gomes