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A MUIÉ E O CÃO - A FULÔ DO CORAÇÃO

Dia Internacional da Mulher, que contradição!

Todo dia é dela, na sua labuta diária dentro e fora de casa
Nossa esposa, a companheira, nossas filhas.

A mulher, o ser que o Criador considerou a Mãe da Criação na tradição Judaico-Cristã.

Nossa homenagem é um pouco engraçada, apresentando a pureza do cantador nordestino, que tem neste ser sua inspiração.
Não só eles, também nós, que nos arrogamos de poetas, procurei adaptar a escrita para o falar e cantar do sertão nordestino.

Região explorada pelos políticos mal carater, verdadeiros apologistas da indústria da seca, que querem manter o povo como escravo, como o gado que segue para o matadouro indefeso, no meio as mulheres, essas grandes heroinas sempre discriminadas. Assim, garantem sempre suas eleições e reeleições.

Que seria de nossas vidas sem essas grandes musas e ajudadoras, discriminadas por tantos, inclusive empresários e  governantes, dando-lhes salários diferenciados.

Esposa, amiga, companheira, mãe de nossos filhos, garantindo a sucessão das gerações a todas dedico o desafio dos "cumpade Zé e cumpade João.

Salve o seu dia queridas companheiras de lutas diárias, sem distinção de raça, cor, e outros tipos de discriminação. Lutemos juntos por um mundo melhor, por uma Pátria onde os mandatários sejam mais honestos, que todas continuem exaltando e impondo sua cidadania e respeito, para que sejam mais respeitadas.

Cumpade Zé me apediro
Pra disafiá ocê
Pra fala sobre muié
Cum um mote de afirmação.
Num fujo, num me arretiro
Pra rimá cum o refrão:
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

Cumpade João tome cuidado
Cum essa sua afirmação
Num se fala de muié
Cum um mote desse não.
Muié num merece isso
Merece a inlogiação:
Toda muié é uma fulô
Qui prefuma o coração.

Se muié é uma fulô
Qui prefuma o coração
Cuma é qui no paraíso
Eva inganô Adão?
Cumpade num sabe não?
Derna o tempo da tá Eva
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

O sinhô me adiscuipe
Que na instora de Adão
Cuma o sinhô cantô
O causo assim nun foi não
Temo nóis qui discutí
E apruveito o refrão
Toda muié é uma fulô
Qui prefuma o coração.

Mande de lá cumpade
Faça a sua discuição
Quero vê o qui ôce sabe
Da instora que se passô
Cum o abestado do Adão
E nóis todo se lascô cum a tá inganação
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

Cumpade a pobe da Eva
Sofreu uma cunspiração
Em serpende disfaussado
Estava o fute, o cão
Inganô a pobe Eva
Que logo a fruita provô
Toda muié é uma fulô
Qui prefuma o coração.

Agora qui tá provado
O qui penso cum razão
A serpente era uma muié
Mermo sendo ela o cão
Por isso que arrepito
Que Eva inganô Adão
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

Cumpade num é bem assim
Eva amava munto Adão
Era sua cumpanhêra
Num teve essa cuipa não
Ela gostô da fruita
E ofereceu pra Adão
Toda muié é uma fulô
Qui prefuma o coração

Eta fulô catingosa
Cumpade, ocê é um bestão
Quando se assentiu perdida
Eva disse pra ela merma
Num fico só nessa não.
Cumbinô cum a serpente
Iludindo o pobe Adão
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

Vô dexá Adão de lado
Cantá as coisa cuma são
Quando o sinhô ficá véio
Vai vê qui tenho razão
Uma muié vai li oiá
E dizer: sai rufião
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

Se ocê tiver dinhêro
A coisa nun fica assim não
Ela diz o véio é rico
Vô me casá cum o bestão
Ocê vai sê inrolado
Pru causa da ambição
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

E mai eu vô li dizê
Quando ela tá coroa
Num procura véio não
Procura só minino novo
Pra tirá logo o atrazo
E num perde tempo não.
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

E tem mai, fique calado
Inspere só qui eu cante
Poi nesse mundo de Deuso
Já vi munta situação
Mermo sendo bicho bão
Pra nossa sastifação
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

Pêra ai meu cumpade
Assim nun canto mais não
Ocê mi tira toda vez
Dessa disafiação
Mai arrepito a ocê
Cum toda sastifação
Qui muié é uma fulô
Qui prefuma o coração.

Ocê para um poquim
Qui agora vô cantá
Sem ofendê ocê
Só quero li apreguntá
Se a sua genitora
Pouco difere do cão?
Se toda muié é iguá
Ocê cala esse bocão.

Aquela santa muié
Qui li pariu no sertão
Teve um trabai danado
Pra li dá inducação
Eu acho qui o seu pai
Vai dizer pra esse povão
Toda muié é uma fulô
Qui prefuma o coração.

Cumpade ta confundindo
Uma coisa cum a ôta.
Pru fio que ela pariu
Toda mãe é um santa.
Vê se ela gosta da nora
Casada cum o fio varão
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

E nun tô disacatando
A minha véia mãe não
Pra mim ela é uma santa
Uma muié de instimação
Mãe e fio é uma coisa
Marido e muié nun é não
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

A muie é bicho bão
Mai pru trái é interessêro
Vai dizê pra tua muié
Qui táis lascado, sem dinhêro
Ela fecha logo a cara
Pensa, isso é um bestão
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

Cumpade tá disacatando
Falando da minha fulô
Qui min trata cum carinho
Só mim chama meu amô
Drome cumigo na rede
Naque abraço tão bão!
Toda muié é uma fulô
Qui prefuma o coração.

Oce é um véio abestado
Pensa qui tem munta sorte
Coitado, tá inganado
Inspera qui vem o bote
E daquele bem grandão
Cumpade, se abeste não
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

Nun sei pruque se casô
Cum essa sua muié
Parece até qui é pirobo
Qui nun gosta dessa fruita
É bom pensá no que diz
Meu bom cumpade João
Toda muié é uma fulô
Qui prefuma o coração.

Cumpade ta me ofendendo
Me chamando de pirobo
Mai eu gosto de muié
Sô macho qui nem preá
E insperto cuma o cão
Mai li digo sem errar
Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.

Adiscuipe meu cumpade
Cum meu modo de cantá
So quis brincá cum ocê
Vamo agora cantá junto
E sem discriminação
O certo é que a muié
Rainha da criação
É um bicho arretado, chei de cuntradição.

E nóis canta junto os mote
Pra distraí do povão
Arrespeitando a muié
Nas dua definição
Se Toda muié é iguá,
pôco difere do cão.
Toda muié e uma fulô
Qui prefuma o coração

Esperando o grande dia
Mermo cum antecipação
No seu dia internacioná
mai em todos que se vão
Só devemo a ocês
Toda nossa gratidão.

Cum munta sastifação
Nóis dois vai cantá o qui é
Pra quem goste ou qui nun goste
De você qui é muié
Pru político safado
pra quem num merece o nome
de sê chamado de Home
POI PRU TRÁI DUM GRANDE HOME
TEM SEMPRE UMA GRANDE MUIÉ

05.03.2003

Tadeu Costa
Enviado por Tadeu Costa em 05/03/2006
Reeditado em 13/12/2006
Código do texto: T119247
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Tadeu Costa
Recife - Pernambuco - Brasil, 73 anos
97 textos (7724 leituras)
2 e-livros (226 leituras)
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