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A MULHER QUE TINHA SACO

Quando cheguei em São Paulo,
Estranhei muito a cidade,
Automóveis e humanos,
Na maior velocidade,
Eu, nordestino pacato,
Nascido no meio do mato,
Quase não tinha maldade.

Logo de cara arrumei,
Emprego na construção,
Mal o pagamento dava,
Para pagar a pensão,
Meu divertimento era,
Ir no Ibirapuera,
E ficar no pé do balcão.

O pior de tudo era,
Aguentar a solidão,
Eu que sou feio que dói,
Ninguém me queria não,
Me batia o desespero,
Que nem colher de pedreiro,
Me acabava na mão.

O meu colega de quarto,
Me vendo no desespero,
Disse:-vai no cabaré,
Nem gasta muito dinheiro,
No início relutei,
Mas depois não aguentei,
Fui procurar o puteiro.

Fui pro centro da cidade,
Pegar uma gostosona,
Perguntei prum conterrâneo:
-Amigo, onde fica a zona?
Respondeu:-entre à direita,
Tem cada loira perfeita,
Que lembra até a Madonna!

Quando cheguei numa rua
De nome Amaral Gurgel,
Perguntei pruma morena,
Que tinha olhos de mel,
Quanto custa o nhem, nhem, nhem?
Ela disse:-Eu cobro cem,
Com inclusão do hotel.

Eu disse então vamos lá,
Que eu tou seco demais,
Com o tesão que estou,
Traço até o satanás,
Eu vou te pegar de lado,
De pé, de costa, deitado,
De frente, verso e por trás.

No caminho fui percebendo,
Que ela era anormal,
Tinha um corpo avantajado,
E um pé descomunal,
Mas pensei, eu tou à toa,
E mulher é coisa boa,
De qualquer jeito é legal.

Ela foi tirando a roupa,
Me deu uma camisinha,
Mas quando chegou a hora,
Dela tirar a calcinha,
È que a coisa ficou feia,
A mulher tinha uma peia,
Que dava umas três da minha.

Eu fiquei admirado,
Ao ver a mulher despida,
Tinha visto mulher macho,
Mulher pequena e comprida,
Com cabelo no sovaco,
Agora mulher de saco,
Nunca vi na minha vida.

O pior, ela já tava,
Com o negócio levantado,
Me olhou dum jeito esquisito,
Pensei, eu tou é lascado,
Sou homem, disso tou certo,
Mas se eu não ficar esperto,
Eu vou ser descabaçado!!


Quase que saí gritando,
Debandado na carreira,
Pensei, se eu ficar aqui,
Eu vou entrar na madeira,
E pelo o tamanho da tora,
Se ela me pegar estoura,
A minha tripa gaiteira.


Ela olhou nos meus olhos,
Passou a mão no meu peito,
Eu disse, vamos com calma,
Deite que depois eu deito,
A peste ficou de "quato",
E disse assim, venha gato,
Pode me pegar de jeito.

Disse:-Eu me chamava Ivo,
Agora me chamo Ivone,
A bunda é original,
Os seios são silicone,
Sou uma quase mulher,
Deixo se você quiser,
Pegar no meu microfone.

Fiquei desorientado,
Vendo aquela coisa nua,
Pensei vou sair correndo,
Senão vou tacar a pua,
Ai eu pensei, nem morta,
Eu taquei o pé na porta,
Saí correndo pra rua.

O pior aconteceu,
O traveco foi atrás,
Eu correndo pelas ruas,
Já não aguentava mais,
Eu lá quase desmaiando,
O peste me acompanhando,
Parecia o satanás.

O pior, pintou polícia,
Por causa da correria,
Acabaram nos detendo,
Fomos pra delegacia,
Ficamos na mesma cela,
Me lasquei, só eu e ela,
Ficamos presos três dias.

Já não dá mais pra saber,
Quem é mulher, quem é macho,
O mundo tá esquisito,
É bom sossegar o facho,
Quando saio com uma prima,
É uma mão lá em cima,
E outra conferindo em baixo.

Luiz Gonzaga Leite Fonseca
Enviado por Luiz Gonzaga Leite Fonseca em 15/05/2006
Reeditado em 18/10/2012
Código do texto: T156748
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Luiz Gonzaga Leite Fonseca
São Paulo - São Paulo - Brasil, 2015 anos
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Luiz Gonzaga Leite Fonseca