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Dilema Nordestino

Amigo nordestino é com muita satisfação,
Que vou falar do sofrimento do meu povo,
Pois nada custa repetir tudo isso de novo,
Pra alertar aos políticos como vive essa nação.

Logo na infância tem o intuito de sofrer,
Tem que se acostumar com a triste solidão,
Os pais nem sabem se os filhos vão sobreviver,
Num puro sentimento de invalidez e humilhação.

Sabendo que cedo ou tarde vão sofrer,
Desconfiado de vivo vão permanecer,
E num olhar tristonho, tentam esconder,
Que um novo dia amanhece, e nada podem fazer.

Pensam em formar uma família,
Para lutar naquele lugar horrível,
A criança cresce ligeiramente,
Pra ter uma infância mais que terrível.

O tempo passa e com ela a alegria de viver,
A solidão toma conta de tudo e todos,
Apagam-se as realidades dos olhos seus,
E graças à seca, tudo fica a perecer.

Derrepente vem o período de plantação,
Animam-se todos e vão correndo com enxada em mãos,
Rezam pra a chuva vir, e com ela muita alegria,
A chuva vem, e é alegria e comida por dias.

Mas como a alegria de pobre dura muito pouco,
Passam muita fome novamente,
O nordestino, coitado, fica louco,
E como se não bastasse à agonia domina sua mente.

Daí em diante passam por agonia,
 A todo minuto, toda hora, todo dia,
O sofrimento nunca termina,
E sofre, pai, mãe e menina.

A menina vai crescendo,
E com o crescimento a desilusão,
Todos os nordestinos vão chorando muito,
Implorando por chuva no sertão.

O período de crescimento, já não é mais,
O infinito sofrimento, não acaba jamais,
O conhecido tormento, não é nada de mais,
E o pior de tudo isso: O tempo não volta atrás.

Ninguém nunca imaginaria tanto tormento,
Sempre a sua frente, o dia inteiro,
Suas vidas são um sofrimento interminável,
E logo mais quando morre a filha amável.

Com o trauma passado, tudo volta ao “anormal”,
A tristeza, permanente,
Invade suas mentes,
Ao ver a seca castigar o animal.

Derrepente vem àquela idéia,
De ir para cidade grande,
Tentar uma vida digna,
Satisfatória e menos humilhante.

Vendem tudo o que tem,
Juntam até o ultimo vintém,
Pegam suas miseras bagagens,
E vão para tão esperada viajem.

Como sempre não dá certo,
E tem que viver sem teto,
Muitas vezes perto,
De quem também vivem por viver.

Só são pai e mãe, lutando para viver,
Numa gigante metrópole chamada São Paulo,
Onde sofrem impressionantemente,
Até um dos dois “morrer”.

Desta vez é a mãe, morta de fome,
Onde quem é pobre não come,
Esperando o fim nada surpreso, de ver,
O fim chamado morte o que o pai vai ter.

O pai traumatizado pensa,
Reflete sua vida, e vê sua sentença,
- “Meu futuro qual vai ser?”.
Deve ser o de morrer e só.


-“Eu não acredito no que aconteceu,
minha filhinha de doença morrêu,
minha linda muié de fome falêseu,
e agora me pergunto, e eu?”

Logo se desespera loucamente,
Onde a vida não passa de um filme,
Que eu já sei o fim,
-“Deus não acaba tudo por aqui!”

Num simples ato de ternura,
Levanta a mão e jura,
Que irá lutar e vencer,
E pede a Deus pra sobreviver.

Dois dias depois, infelizmente,
O nordestino morre de frio e solidão,
Num pais onde quem é pobre,
Sofre desigualdade e descriminação.

Ao lado do seu corpo, um bilhete,
Escrito minutos antes de falecer,
Dizia a seguinte mensagem,
Onde parecia prever.

-“Sabia que ia morrê,
iguá meus família morrêu,
não ia agüenta vivê,
sem ninguém que amasse eu,
foi Deus que quis por um ponto final,
nesta istória de tormento,
onde sofri por anos,
um infinito sofrimento...”


“O Nordestino é descriminado, no país em que vivemos, desigualdade social, descriminação e falta de alimento, a fé é tudo para eles, que vivem esperando o dia do julgamento...”


Poeta: Renato Luiz da Silva.




Renato Luiz
Enviado por Renato Luiz em 15/08/2006
Reeditado em 10/03/2010
Código do texto: T217289

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Sobre o autor
Renato Luiz
Bezerros - Pernambuco - Brasil, 66 anos
27 textos (1535 leituras)
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Renato Luiz