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O JUMENTO

O jumento foi criado
Por Deus, o Pai de amor
É um bicho abençoado
E muito trabalhador
Nunca fica zangado
É calmo e servidor

O bichinho, meu irmão
Tem uma grande trajetória
No Antigo Testamento
É citado na história
No caso de Balaão
Participa da vitória.

Foi meio de transporte
Do povo de Israel
Da Samaria a Judéia
Transportou carga a granel
Na sua pisada lenta
Sem pressa e sem tropel

No Novo Testamento
Ele tem a serventia
De depressa transportar
Naquele difícil dia
A Família Sagrada
José Jesus e Maria

Ele tem uma mancha
No meio do espinhaço
Dizem que ela é do xixi
Daquele cabinha macho
Que molhou ali o pelo
É isso mesmo que acho

Foi escolhido por Jesus
Para no dia da festa
Com Ele entrar na cidade
E alguém o empresta
E o discípulo conduz
Com cuidado na certa

Leva-o pelo cabresto
Onde está o Messias
No lugar retirado
Para que a profecia
Se cumpra realmente
Naquele belo dia

Todos aclamam Jesus
Que entra jubiloso
Montado no jumento
Como Rei glorioso
Do Reino dos céus aqui
Neste mundo doloroso

É grande personagem
Da entrada triunfal
Sendo do Mestre Jesus
Sua montaria real
Coberto com os mantos
Com pompa imperial

De um simples burrico
No seu posto humilhante
Como transporte rico
Tornou-se elegante
Sob aplausos do povo
Desfilou triunfante

Carregava ao lombo
Com disponibilidade
O Rei tão esperado
Por ruas da cidade
E nem mesmo por isso
Perdeu a simplicidade

Ele aprendeu com Jesus
A amar e a servir
Por isso ele está sempre
Trabalhando a sorrir
Ajudando a todos
Que desejem ir ou vir

Na terra nordestina
Ele se ambientou
E ao povo sofrido
Fácil se identificou
E com muita paciência
Sua carga carregou

Além de montaria
Tornou-se trabalhador
Levou frutas pra feira
E a lenha pro motor
Quer pra locomotiva
Ou pro engenho do doutor

Carregou gente fina
Padre e até doutor
Caixeiro viajante
médico e professor
Amigo foi de todos
Que conduziu com amor

No meu tempo de criança
O jumento era amado
Pelo povo em geral
Era muito respeitado
Por ser transporte manso
Era mais requisitado

Com cangalha no lombo
E a esteira a forrar
Um montado no meio
Outro no chão a puxar
Ia o burrico mansinho
Sem a nenhum maltratar

Pendendo da cangalha
Estavam dois cacuá
Levando mercadorias
Arroz feijão e fubá
Até criança menor
Era carregada lá

E nos dois cambitos
A lenha empinhada
Trazida do cercado
E era amontoada
No terreiro da casa
Onde ela era guardada

Também do canavial
O jumento trazia
Durante o dia todo
A cana que seria
Usada no engenho
Que rapadura fazia

À noite ele também
Às vezes trabalhava
Ajudando carregar
A cana que faltava
Pois tempo de moagem
Nem bicho descansava

Trabalhou muito tempo
E sem dinheiro ganhar
Nem a consideração
Teve como conquistar
O caminhão que chegou
Veio tomar seu lugar

Foi sempre transporte
Barato de se manter
Pois sua alimentação
É simples e deve ser
Combustível usado
Pra sua missão exercer

Tornou-se só um peso
Uma boca pra comer
Logo foi desprezado
E ninguém quer nem lhe ver
Foi expulso do cercado
E num tem onde viver

Bolando pela estrada
O pobre jegue ficou
Perdeu sua serventia
E o cartaz acabou
Ninguém lhe dá mais as cara
O seu reinado findou

Pra acabar de completar
A industria apareceu
Recolhendo os jumentos
E sem dó os abateu
Pra fazer o presunto
Que muita gente comeu

O amiguinho de Jesus
Sem ter a quem recorrer
Foi rebaixado demais
No seu tristonho viver
Deixou de ser sagrado
E se tornou decumer

O animal tão amado
Hoje está a sofrer
Com destino mudado
Sem nada mais merecer
Com o passara do tempo
Tende a desaparecer

É uma das espécies
Que está em extinção
Ninguém pensa conservar
Sua nova geração
Ele já não é útil
E sai de circulação

Nem os ecologistas
Conseguiram defender
O bichinho sofrido
Que está a perecer
Solução desejada
Deverá aparecer

Com o padre Vieira
Desejo aqui proclamar
Que o jumento amigo
É irmão e deve estar
Conosco aqui na terra
Até o mundo acabar.

Vou terminar o cordel
Onde tentei demonstrar
O valor desse animal
De quem devemos lembrar
Pois há muitos milênios
Vive a colaborar.
marineusa
Enviado por marineusa em 29/08/2006
Reeditado em 04/11/2006
Código do texto: T227861

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Sobre a autora
marineusa
Brejo Santo - Ceará - Brasil, 71 anos
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