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"AS AVENTURAS DO VAQUEIRO"
   (Cordel).
1º.
Meus amigos e leitores
Agora vou lhes contar,
Das aventuras que fiz
Dias antes de casar
Contaram-me uma mentira
Daquelas de amargar.
2º.
Eu era um jovem vaqueiro
Namorava uma menina,
Ela morava em Ourinhos
Eu norava em Campinas
Um certo dia bem cedo
Eu fui cumprir minha sina.
3º.
Atrelei o meu cavalo
Logo de manhã cedinho,
Fui visitar minha noiva
Na cidade de Ourinhos
Todos lá me receberam
Com saudade e com carinho.
4º.
Mas eu já estava triste
Com a notícia do vizinho,
Que ela havia morrido
E me deixado sozinho
Quis confirmar a notícia
Perguntei de vagarinho.
5º.
- Meu sogro fala a verdade
Se o que fiquei sabendo,
Quero uma informação
Do que está acontecendo
Seu vizinho me contou
Quase que eu ia morrendo.
6º.
Quis saber o pai da moça
Do que eu estava falando,
Se eu lhe falava grego
Ou estava delirando...
Pediu que eu falasse serio
Pois ele estava esperando.
7º.
Eu lhe expliquei bem claro
Tudo que eu tinha ouvido,
Da boca do seu vizinho
Que a moça tinha morrido
Todos deram gargalhadas
Pois não fazia sentido.
8º.
- Olhe pra outra janela
Vê se o que você vê...
Se é uma moça bonita
Acenando pra você
Parece que sua noivinha
Vai demorar de morrer.
9º.
Virei-me para a janela
Tinha uma moça sentada,
Quase não acreditei
Era a minha doce amada
Fui correndo feito doido
Tropeçando na escada.
10º.
Corri para os braços dela
Dei-lhe um beijo de amor,
Afaguei os seus cabelos
Quando ela perguntou.
- Será que estou sonhando?
Novamente me beijou.
11º.
Ambos saímos da casa
Em direção ao terreiro,
Um falava outro falava
Meu sogro falou primeiro
- Estão todos convidados
Pro casório em fevereiro!
12º.
Estávamos os dois felizes
De aliança no dedo,
Namorávamos em paz
De baixo do arvoredo
Mas o susto que passei
Confesso, não foi brinquedo.
13º.
No outro dia bem cedo
Eu tinha que regressar,
Galopar por muitas léguas
Mas eu tinha que deixar
Aquela que amava tanto
Até o dia de casar.
14º.
No dia do casamento
Estava eu no altar,
Confesso estava nervoso
A ponto de desmaiar
Todos entravam na Igreja
E a noiva nada de entrar.
15º.
Mais de uma hora de atraso
Finalmente ela chegou,
De braços dado com o pai
Seguida do seu avô
Com duas guardas de honra
Quando a orquestra tocou.
16º.
Fez-se um silêncio profundo
Com a pergunta do padre,
- Quem souber que fale agora
Ou para sempre se cale...
Todos ficaram calados
Não responderam uma frase.
17º.
Da cerimônia da Igreja
Fomos pra lua-de-mel,
Nosso passado é incluso
Nesse conto de cordel
Como lembrança guardamos
Terno, vestido e seu véu.

FIM.












Antonio Hugo
Enviado por Antonio Hugo em 13/09/2006
Reeditado em 30/06/2007
Código do texto: T239097
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Hugo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
3870 textos (257191 leituras)
185 áudios (36330 audições)
9 e-livros (7402 leituras)
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