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A pior seca

O sertanejo esperando
florir o mandacaru
só vê chegando urubu
e asa-branca voando
Com isso fica pensando
bastante contrariado
que o momento é chegado
de fugir pra capital
deixando a terra natal
de solo já enrugado

Procurando por barreiro
pra encher sua cabaça
nos lugares onde passa
consome um dia inteiro
Vendo muito atoleiro
que nem o gado sacia
sem chuva na freguesia
continua procurando
e as fontes vão ficando
mais distantes cada dia

Os rios de correnteza
secados na soalheira
são estradas de poeira
que percorre com tristeza
não mostrando a natureza
nem os sinais da mudança
Quando vê uma criança
passar num leito vazio
as águas daquele rio
correm na sua lembrança

Nos campos é acuado
pelo arbusto espinhoso
retorcido e venenoso
agressivo e ressecado
E o solo desfigurado
já febril e macilento
compara nesse momento
a um corpo agonizando
também ele esperando
cair a chuva sedento

Ele vê que em sua mão
a folha do jericó
esfarela e vira pó
caindo no pó do chão
E a feia vegetação
antes verde e viçosa
é a seca impiedosa
alastrada que só peste
mostrando pelo nordeste
a sua imagem nervosa

Existe algo pior
que sertanejo sem norte
vendo a face da morte
na paisagem ao redor?
Pois flagelo inda maior
que o da seca no sertão
fervendo num caldeirão
no ano de muito rasto
é florir o mata-pasto
dentro de um coração
Carlos Alê
Enviado por Carlos Alê em 04/10/2006
Reeditado em 03/02/2011
Código do texto: T255948
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Carlos Alê
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Carlos Alê