A SAGA DI LAMPIÃO

 
 
Robim Udi do sertão
mais bandido pros polissa
Foi o maió valentão
de qui se teve nutissa.
Num tinha medo di nada
enfrentava us camarada
só pra vê suas carniça.
 
Seu nome era Lampião
o grande herói das noviça.
Muntado em seu alazão
ele num tinha priguissa.
Armado co'as espingarda
qui fazia a retaguarda
ele entrava inté nas missa.
 
Tinha mole u coração
por uma dona catita
Sintia grande paxão
por s'a Maria Bunita.
Cuãno ia infrentá
us coroné do lugá
ela ficava aflita!...
 
Elis vivia fugino
módi a vida qui levava
Cuano iscuitava us sino
da capela ondi istava,
punha u dinhero na igreja
si binzia - e assim seja!
É pur isso qui robava.
 
Mai um dia, Lampião
tomem Maria Bunita,
tombaru mortu no chão
naquela terra bendita.
Acabou-se a sua saga
e do nordeste, a praga
ficô na istória iscrita!

 
(Milla Pereira)

 
 


 
Interagindo com o poeta e grande amigo
Airam Ribeiro, no belo Cordel
“Robim udi pra uns, bandido pra otros”
Brigadim, cumpádi, pur mais essa
fonte di inspiração.
Beijo
Milla





 



ÓTIMO DIA A TODOS!

(EU VOU... MAS EU VOLTO!)

 


 
AMIGOS SÃO SEMPRE BEM VINDOS!




 

"LAMPIÃO IM BRASÍLIA"
(Hull de La Fuente)

 
Eu li muito interessada
a saga de Lampião
pelos cumpadi contada
dus tempu lá do sertão
Imbora ninguém mereça
ficaraum sem as cabeça
era a justiça de então.
 
Si ele foi Robin Wood
não si tem cuma prová
foi sim, um "deus nus acudi",
sua ordi era matá.
Num midia consequênça
num respeitava inuncença
robava mais pur robá.
 
Quanu si fala im bandidu
vem meu lado justicêru
provocanu um alaridu
cumu fazem us "cumpanhêru".
São tudo cheio di razão,
elis robam a nação
porque são "bons brasilêru".
 
Herdarum do Lampião
a pecha di injustiçadus
que é o nomi quelis dão
pra robá di todo ladu.
Só sei dizê minha mana,
bandidagi num mingana
merecem o sol quadradu.
 
Parabéns pelo bonito cordel,
o seu e o do cumpadi Airam.

Desculpe meu desabafo, mas é que eu vejo
a "volanti" dos PTrálias, barbarizando o país,
na verdade, volante e lampiões misturados.

Abraços, Hull.


 
 
Brigadinha, mana, pela participação neste cordel.
Eis a minha resposta, apoiando seu justo manifesto.

Bração!


 

LADRÃO PUR LADRÃO
(Milla Pereira)
 
S’importe não, minha mana,
di fazê seu disabafo.
Isso inté qui é bacana
pra disapertá o laço.
Nóis vévi num cativêro
na pressão dus “cumpanhêro”
qui astravanca nossus passu.
 
Mais pió qui Lampião
são us ladrão di ojindia
Pra vivê, um ômi bão,
percisa di acrobacia.
Si me alevanto ô agaxo
é roubo de cima abaxo
e na maió covardia!
 
Quem sempre paga o pato
é o coitado do povo.
Nóis num temo candidato
cum ninhum eu mi comovo.
Di inleição a inleição
troca ladrão pur ladrão
cumeça tudo di novo!
 
 
(Milla Pereira)