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Caco de história em cordel.

Imigrante libanês
Dos tempos de antigamente
Veio ensinar pra gente
O idioma malufês.
Muito elegante e cortês,
Cordato e hospitaleiro,
Sua paixão por dinheiro
Era tão descomunal,
Que o tesouro nacional
Aprendeu falar ligeiro.

Menino, foi escoteiro:
Sempre alerta! Sempre alerta!
Deixava a braguilha aberta
Pra poder mijar primeiro;
O seu mijo tinha um cheiro
Tão ativo e fedorento
Que contaminava o vento,
Até gambá se escondia;
Este cheiro é, hoje em dia,
Perfume de parlamento.

Para seu conhecimento,
Meu caro amigo leitor,
Houve até um senador,
Que criou um lançamento:
"Cocô chanel de detento
De fragrância original".
Fez publicar no jornal,
Lançou nas lojas Daslu
Como colônia de cu,
Pra ser usada no pau.

Lançamento nacional!
Até vendeu a patente
Pro futuro presidente,
Que seria um general;
Um baixinho de Sobral
Ou de lá das cercanias,
Que lhe deu por garantia
E sinal de graditão,
Armamento e concessão
Pra vender democracia.

Tudo isto à revelia
Dos protestos da nação.
O povo dizendo, Não!
E a ditadura crescia:
Quartelada de vigia,
Soldado a perder de vista
Calando a voz de artista.
Só tanque e metralhadora
Protegendo a "Redentora"
Da "sanha dos comunistas".

O libanês avalista
Decolou sua carreira
Na ARENA brasileira,
Como grande articulista,
Comprando e pagando à vista
Pela metade do preço.
Assim foi rezando o terço
Na cartilha milenar,
Deixando conta à pagar
Sem fornecer endereço.

Isso foi só o começo
Duma longa trajetória;
A que entrou pra história
Depois que saiu do berço.
Mas teve lá seu avesso,
A contra-revolução;
A luta do cidadão
Pra sair da ditadura,
Doença quase sem cura,
Que tortura o coração.

O país na contramão
Resistia com afinco,
Mas chegou o A.I cinco,
Fez calar o cidadão:
Mais censura, repressão,
Araponga, delator,
Vendilhão, bajulador...
Qualquer tipo de sabido,
De pronto foi promovido
Prefeito ou governador.

Mas afinal, meu senhor,
Digo, a bem da verdade,
Com toda sinceridade,
Que alguém possa dispor,
Que o antigo fedor
Do xixi de escoteiro
Hoje tá botando cheiro
Na polícia ferderal,
Comendo o comercial
Do Zé-povin' brasileiro.

Seu malufês costumeiro
Virou língua oficial
Lá no planalto central
E também no estrangeiro.
No linguajar do dinheiro,
A principal tradução,
Só a palavra, milhão,
Tem regra gramatical.
Só mesmo quem fala mal,
Pode falar em tostão.



Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 07/10/2005
Código do texto: T57699
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Herculano Alencar
São Paulo - São Paulo - Brasil, 62 anos
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