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O Jegue Barroso

minha terra tinha um jegue
que se chamava Barroso
o que lá ele aprontava
causava sorriso e gozo
e todos queriam ver
o que ia acontecer
com o namoro do Barroso

sim, minha terra tinha um jegue
que só causava furor
muito forte e valente
topava qualquer batente
derrubando cerca e gente
pra saciar seu amor

quando ele aparecia
só se ouvia a gritaria
da mulherada correndo
e ele com a jumenta
tomando coice na venta e
de amor quase morrendo

num belo dia de missa
na  hora da devoção
todos cantavam “benditos”
pedindo a Deus proteção
é quando surge o Barroso
causando grande alvoroço e
acabando com a procissão

um corre-corre danado
do povo pra se esconder
a igreja não mais cabia
de gente que ali corria
tentando se defender
e o que Barroso aprontava
todo mundo reclamava.
só as mocinhas sapecas
com a mão aberta na testa
fingiam não querer ver

até o padre corria
com a batina na mão
tropeçando nos degraus
na maior afobação
excomungava aquela cena
e jogava pesadas penas
naquela blasfemação

o delegado com raiva
prender o jegue mandou
acabando para sempre
com aquele explícito amor
intimou também o seu dono
pra lhe explicar sem engano
em que pasto o confinou.

passado já alguns anos
desse feito acontecido
certamente alguém se lembra
desse caso ocorrido
o que Barroso aprontou
e quem dele testemunhou
jamais ficou esquecido
José Pedreira da Cruz
Enviado por José Pedreira da Cruz em 13/10/2005
Código do texto: T59392
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Sobre o autor
José Pedreira da Cruz
São Paulo - São Paulo - Brasil
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José Pedreira da Cruz