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A PERCURA DO AMÔ

A PERCURA DO AMÔ

Eu vô contá uma história
a tantas história iguá,
que tem tristeza e alegria,
que faiz ri e faiz chorá.
É a minha história que eu conto
se oceis quisé iscutá.

Sô fia da Nega Zéfa,
a mulata mais facera
lá das banda do arraiá,
e que um dia se ingraçô
cum tar de Zé Cornetero,
cabra falante e matrero
que passava no lugá.
Se amaro os dois noite intera,
dispois se dissero adeus.
Mais pra contá esse amô,
dentro da Zéfa ficô
uma prova piquininha,
que sô eu.

Ansim que me pois no mundo,
a Zéfa mar me bejô,
pediu perdão... se mandô.
E a menininha injeitada,
coisiquinha istrupiada,
o mundão foi que criô.
Cresci iguarzinho eu sô:
feia, magrinha, manquinha,
cara de susto e de fome.
Mais tinha uma coisa incrive:
dava inveja nas muié
e arrancava amô dos hóme.

Passaro muitos varão
nos caminho do meu corpo,
na istrada do coração.
Mané ficô quase um meis,
o Zé ficô mais de treis,
ficô dois ano o João.
O Tinho, politiquero,
de jeitinho bem manero,
depressa se arrepiô,
com medo do meu amô.
O Juca, cabra valente,
enfrentô o desafio,
mais num guentô a parada
e, da noite nas calada,
me dexô a vê navio.
E passaro tantos, tantos,
que nem numa porcissão:
Cruiz, Toledo, Capivara,
Mirto, Jaciro e Tião.
Cada um matava um poco
da vida em meu coração.
E a cada desencanto,
eu me encoía num canto,
chorando co'a minha dô.
E fui desaquerditando
que felicidade ixiste,
que no mundo tem amô.

Dispois de muito pená,
tomei uma decisão:
num quero tê mais ninguém
nunca mais eu quero amá;
nem que seja pra sofrê,
nem que seja pra morrê,
vô do amô me aposentá.
Eu tava ansim, nesse istado,
quando surgiu de repente,
se achegando de mansinho,
um home bão, doce e puro,
que trouxe amô pro meu ninho.
Quase nada me falô...
Me oiô bem dentro dos óio,
me abraçô e me bejô,
garrô firme minhas mão
e merguiô de cabeça
dentro do meu coração.
E hoje nóis vive filiz
se dando muito carinho.
Ele só tem eu no mundo,
e eu? só tenho Toínho.
A vida enfim me foi boa
e uma coisa confirmô:
antes de nóis nesse mundo,
nunca qu'ixistiu amô.
Pruquê o amô verdadero,
sincero, puro e profundo,
foi nóis dois que começô.
..............................
Contei essa história minha
pra dizê pra tudo oceis,
seja oceis home ou muié,
que a gente tem que caçá
o amô que é feito pra gente
sem nunca perdê a fé.
E convido tudo oceis
pra junto compartilhá,
seja no preço que fô,
essa coisa tão gostosa,
tão quente e maraviósa,
o amô que nóis inventô!
Sal
Enviado por Sal em 20/11/2005
Código do texto: T73821
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Sobre a autora
Sal
Marília - São Paulo - Brasil, 78 anos
507 textos (44783 leituras)
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