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Pequenas Vitórias!

O que dá maior prazer? Uma grande vitória ou uma pequena vitória? Se você pensar bem, verá que a resposta é simplesmente uma vitória. Não precisa ser grande! Vitória, traduz-se no sucesso de um empreendimento no qual nos aplicamos. Se for um grande empreendimento, ótimo! Porém, normalmente, não nos lançamos em grandes feitos. Ou por insegurança, ou por despreparo, ou por falta de recursos.

Imagine formarmos um time de futebol com nossos amigos barrigudos, carecas, quarentões e cinquentões e buscarmos uma vitória num jogo contra o Corinthians? Não vou citar o Palmeiras porque do jeito que a coisa anda para o lado do verdão, talvez não consiga concluir meu raciocínio.

Possivelmente, se esse jogo ocorresse, o resultado fosse um dos maiores fracassos futebolísticos da história. Claro que o Corinthians nem ia topar. Mas....

No ano passado, lançamo-nos, Eu e minha família, num desses mega empreendimentos. Quase retratando o jogo de futebol que mencionei hipoteticamente. Resolvemos construir uma casa enorme em nossa chácara, com poucos recursos e sem conhecer nada de chácara ou de construção. Somente com um projeto que se modificava de acordo com os palpites que ouvíamos.

Resultado: quebramos a cara! O que havíamos começado em Fevereiro, parou em Junho sem que tivéssemos concluído e sem nenhum tostão no bolso para nada. Aí veio a “grande idéia”: Vamos mudar assim mesmo e terminar aos poucos. Disse minha mulher. Achei um absurdo! Quase fugi de casa. Mas.... encaramos e mudamos assim mesmo. Apenas fizemos algumas coisas para que ao menos não chovesse nas nossas cabeças. Nem reboque nas paredes a casa tinha! O piso, era de concreto rústico que não dava nem para varrer! As folgas embaixo das portas, mediam mais que 5 centímetros! Afinal, haviam sido deixadas para que puséssemos o piso. Quando chovia, entrava água até o meio da casa! A instalação elétrica terminei quando o caminhão que trouxe a mudança saiu pelo portão afora.

Os primeiros dias foram terríveis! Perguntava-me o que havia acontecido. O que tinha saído de errado para chegarmos naquele ponto?

Dentro da Casa, três cômodos entulhados de móveis desmontados. Havia definição somente de onde era a cozinha e o banheiro. Quarto e sala se misturavam. Parecia uma tenda.

Aos poucos, fomos nos acostumando. Em três meses mandamos construir uma parede que dividia a sala, permitindo o surgimento de um quarto. Esse simples ato, nos deixou maravilhados. Que alegria, depois de vários meses, enfim víamos algo de esperançoso. Em cinco meses, havíamos recobrado o ânimo e rebocado a casa toda por dentro e ainda,  colocado piso de cerâmica. A felicidade foi indescritível. Como nunca havíamos reparado a falta que fazem essas pequenas coisas?

Hoje, dez meses depois, estamos rebocando a casa por fora. É mais uma vitória que estamos conquistando. Há outras por vir. Temos que terminar ainda, a segunda parte da casa, onde ficam os demais quartos e banheiros. Possivelmente, a casa ficará do jeito que planejamos. Não no tempo que planejamos.

Se já estivesse pronta, talvez não déssemos tanta importância para um reboque na parede ou um ladrilho do piso. Não seriam vitórias para nós.

Se tivéssemos conseguido terminar de uma única vez como planejado, seria comparado a entrarmos com nosso time de carecas e barrigudos quarentões no ultimo jogo do campeonato e levantado a taça. Que sem graça!

(Redigido em 24/07/2003, na época, o verdão não ia lá muito bem) .
Mauricio Gonçalves de Moura
Enviado por Mauricio Gonçalves de Moura em 04/02/2006
Código do texto: T108036

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Sobre o autor
Mauricio Gonçalves de Moura
Bauru - São Paulo - Brasil, 54 anos
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Mauricio Gonçalves de Moura