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A verdade nua e crua

Claro como a água o sol quente que aconchega mais um dia da minha vida; sombras de árvores refrescantes que servem de abrigo aos amantes que louvam a presença um do outro; frutos apetecíveis brotam de troncos, que embora arejados pela força do frio e do vento, suprimem cada obstáculo que se lhes depara; mas... meu olhar não se prende somente aquilo que é visível aos olhos do comum dos mortais, ele se prende sim, às mãos poderosas (de onde provém tal poder?!) que semeiam a incompreensão; o descontentamento e, pior que tudo o resto, o morrer lento do meu pequeno grande coração.
Ai, o coração! Vezes inúmeras me vejo prostrada diante do espelho, procurando respostas; formulando questões; dando espaço à minha alma para se reflectir sem limites, pois dizem os entendidos, que o espelho é o melhor e o mais fiável reflexo da alma, mas será assim?! Porque aos meus olhos o espelho apenas reflecte o meu exterior, a força da matéria; a alma essa, é uma composição bem complexa de sentimentos que em alguns momentos até mesmo eu desconheço!
No dia de hoje, por exemplo, encarei o meu espelho de uma forma diferente: enchi-me de força; recusei-me a chorar diante dele; prometi que não ia descarregar sob a cabeça de ninguém a fúria que me percorria entranha a entranha; engoli cada pedaço de sofrimento que me subia na garganta e me pedia para gritar bem alto, para que Deus pudesse ouvir as minhas súplicas, os meus gemidos sentidos nestes maus momentos que tenho vivido... Eis senão quando me espanto com a minha capacidade de mascarar o meu sofrimento e oiço um alguém muito querido, despejar mesmo no meio do meu cérebro uma mistura de ódio e incompreensão, num tom brusco que se expandiu rapidamente e perturbou toda a minha existência. Acima de tudo, louvo essa pessoa, o que fez foi como dar-me uma pancada forte na minha cabeça oca e despertar-me para uma realidade que há muito jazia adormecida no intrínseco do meu coração, mas que agora, jaze bem patente em cada fragmento do meu Ser.
Posso ser imune ao sofrimento, por vezes, mas, à verdade nua e crua não o sou e, todo aquilo que principia, tem um espaço de realização, até que um dia, olho e vejo... terminou!

artescrita
Enviado por artescrita em 06/02/2006
Código do texto: T108575
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Sobre a autora
artescrita
Portugal, 33 anos
107 textos (4742 leituras)
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