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Mudar para Mudar!

Tenho imaginado quando chegará o momento em que ao parar com o automóvel em um semáforo, o motorista perguntará ao garoto que o olha de longe com medo de se aproximar, se quer ganhar um trocado para limpar o pára-brisa, cada vez que ele parar naquela esquina.

Ou ainda, quando parar o carro em um lugar mais escuro durante o trânsito para um jantar com esposa ou amigos, o motorista pedir para alguém menos afortunado olhar o seu carro em troca de umas poucas moedinhas.

No Brasil, estamos acostumados a nos deparar com o contrário dessas situações. Meninos nos abordam em todas as esquinas e lembram-nos a todo o momento que temos que andar com os vidros fechados, mesmo em dias de muito calor, ou ainda, nos pedem para olhar o carro ao que consentimos com medo de não o encontrarmos mais, ou então o encontrarmos danificado.

É a tal da exclusão social. Alguns poucos que atingiram uma melhor condição de vida escondem-se dos demais fingindo não vê-los ou colocando-os na condição de marginais para justificar um tratamento discriminatório que pode ser disparado á qualquer momento. “Não vou dar dinheiro porque ele vai direto comprar drogas...”; “Eu tenho dó! Mas seguramente ele está a mando de algum adulto vagabundo e não quero ser culpado de alimentar esse crime”. O fato é que estamos sempre prontos a justificar nossas gloriosas atitudes. Se for preciso, a título de convencer o ouvinte, ainda podemos enumerar os culpados: “Quando teremos um governo que olhe por esses pobres?”; “Cadê a igreja? Todos os domingos me acordam às 10 da manhã. Mas, na hora de praticar o que pregam, não aparece ninguém!”.

Aos poucos, uma parte maior da sociedade vai percebendo que os problemas têm que ser encarados. E que se é culpa do outro, eu não sou menos culpado. Afinal, cabe a cada um resolver aquele pequeno caso que a ele se apresentou.

Claro que necessitamos de melhor estrutura educacional, transportes e saúde. E também é certo que o nosso governo tem participação prioritária nessa questão. Porém, todo governo ou governante, reflete a opinião de seus eleitores.

Resta-nos saber, se estamos coerentes entre o que queremos e o que fazemos.

Imagine os exemplos com os quais iniciei esse artigo, acontecendo no dia-a-dia. São banais, mas tem grande significado. Ao invés de esperarmos que nos peçam ajuda, ou ainda escondermo-nos quando isso ocorre, poderíamos ir atrás do necessitado.

Alguns dirão que eles não querem ajuda. E num primeiro momento, pode bem ser verdade. Afinal, como vão confiar nessa mudança inesperada de atitude? Demanda um certo tempo para que o candidato a “auxiliador” seja aceito por aqueles a quem pretende ajudar.

Outra coisa que devemos ter em mente quando nos propomos a ajudar alguém é o conceito do que deve ser feito ou que tipo de auxílio o indivíduo necessita. É mais ou menos assim: Penso que estão com fome e ofereço pão. Penso que têm sede e ofereço água. Se não querem pão ou água, eu os obrigo a aceitar. Se aceitarem e jogar na primeira lata de lixo, são ingratos.

Quero ajudar, mas eu vou dizer o que e quando vão comer, quantos filhos terão, o que e onde vão estudar, o que devem ser quando crescer, etc. Afinal, eu estou oferecendo-me gratuitamente todos os dias, ou domingos, ou seja, lá quando, para que tenham uma melhora de vida. Eu vou controlar as suas vidas para que um dia, sejam iguais a mim.

No final das contas, o que sobra é um grande pacote de Injustiça, Egoísmo e Intolerância. “Não deixe a sua mão esquerda saber o que a direita fez”, “Ame o próximo como a si mesmo”. Esses preceitos deveriam nortear nossas atitudes e nosso coração. Podemos dar, e orar a Deus para que nossa oferta seja bem utilizada. Mas não podemos deixar de doar, assumindo posição de que nossa doação será empregada de forma diversa da que planejamos. Podemos levar o conhecimento em doses proporcionais a capacidade de absorção de nossos irmãos. Mas não devemos querer decidir por aquele a quem ensinamos. Podemos aconselhar e levar exemplos. Mas não podemos julgar aqueles que erraram ou erram.
Para mudar o mundo conforme nosso pensamento, é melhor que ele siga o seu curso natural que seguramente o levará a melhores dias.

Antes de tudo, vamos mudar a nós mesmos. Banir o Egoísmo e a Injustiça de nossos corações. Vamos abrir as portar desse templo a todos que necessitarem sem primeiramente avaliar se ele merece ou não.

Vamos dar o primeiro passo, o segundo e o terceiro. Se for preciso vamos caminhar em direção aos nossos irmãos. Ficamos tanto tempo distantes, é natural que acreditem que não o reconheçamos mais.

Façamos isso em nosso pequeno mundo. Não vamos mais querer arrastar os demais para nossas crenças, mas estejamos sempre prontos a encanta-los com nosso entusiasmo. Vamos nos comprometer com a mudança. Primeiro nossa própria. Vamos permitir aos que nos assistem, que nossa atitude sirva de exemplo. Contudo sem que tenhamos que dizer uma única palavra. Vamos nos doar gratuitamente e não nos preocuparmos se aquilo que acabamos de fazer presente com tanto carinho, seja doado a outrem que nem mesmo conhecemos ou que julguemos não precisar.

Vamos orar cada manhã para que o sol ilumine nossas faces e que a Paz de nosso Deus de infinita bondade e misericórdia ilumine nossos corações.
Mauricio Gonçalves de Moura
Enviado por Mauricio Gonçalves de Moura em 09/02/2006
Código do texto: T109698

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Sobre o autor
Mauricio Gonçalves de Moura
Bauru - São Paulo - Brasil, 54 anos
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Mauricio Gonçalves de Moura