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SEU ZÉ

Por Ulisflávio Oliveira Evangelista


Nome de Batismo: José Francisco da Silva Coutinho, apelido: Seu Zé, idade: 43 anos, profissão: siderúrgico, natural: Canoinhas – RN, característica: extrovertido e brincalhão, defeito: temperamento irregular. A vida de um homem não é resumida assim tão facilmente, ainda mais quando estamos falando de "José Francisco da Silva Coutinho".
"Seu Zé" - como era conhecido - teve uma infância pobre, ajudou o pai na pescaria de camarão e quando dava aparecia na escola, conseguiu levar seus estudos até a quarta série. Orgulhoso, sabia ler e escrever, não era mais um analfabeto na família Silva Coutinho.
Com quatorze anos resolveu seguir o seu destino, deixando seus pais e mais oito irmãos, conseguiu o dinheiro da passagem de ida para a capital paulista fazendo alguns bicos de borracheiro e serralheiro.
Como a grande maioria de nordestinos que partem para São Paulo em busca de melhores condições de vida, a batalha foi muito difícil, no início só conseguia emprego como engraxate pela Avenida Paulista, e mesmo assim, brigava pelo ponto com o Cangaça – um outro garoto nordestino com um histórico bastante semelhante ao seu.
O tempo passa e a sua vida vai melhorando gradativamente, Seu Zé agora já é um homem formado, casado e pai de três filhos. O dinheiro não é muito, mas é o suficiente para ter e oferecer uma vida decente a sua esposa e filhos.
Na fábrica, Seu Zé é bastante conhecido pelo seu humor e porte físico: negro, um metro e noventa e seis centímetros e cento e quinze quilos.
Sexta-feira, final de expediente, Seu Zé e alguns amigos da fábrica vão a um bar próximo mesmo da fábrica em São Bernardo do Campo. Antes, porém, ele liga e avisa Lourdes que irá demorar um pouco para chegar em casa, devido ao encontro com os colegas. Recebendo o sinal de positivo da esposa, o grupo segue em direção ao lugar a pé.
Chegam e vão logo se sentando e, claro, pedindo uma cerveja gelada. José, sempre extrovertido, logo conta uma piada e o grupo é só risadas na mesa. Alguns aperitivos são degustados e a pilha de garrafas vazias vão sendo formada aos poucos. A conversa rola solta, na maior alegria, provocada pelas próprias histórias e também pelo álcool que já demonstra efeito no corpo dos siderúrgicos.
Lá pelas tantas, Seu Zé tenta pedir outra gelada para somar a pilha, e simultaneamente presta atenção na história que Guto contava. Era sobre a paquera que ele está tendo com a Dona Francisca do café. O tempo passa, a mão de Seu Zé continua balançando em direção a algum garçom atento ao trabalho. Seu Zé pacientemente espera, arrisca alguns “psiu”, assobio e nada!
De repente, ouve-se um barulho de vidro quebrar. Todos olham em direção ao ruído e... Surpresa, seu Zé estava com uma garrafa de cerveja com o fundo parcialmente quebrado e com uma respiração acentuada. Após um longo olhar em direção ao garçom, ele respira calmamente e diz: “Mais uma aqui!”
De volta à conversa do grupo, ele indaga:
- Com a Dona Francisca?
Na mesa, seus colegas acharam melhor não comentar o incidente, afinal ele poderia ficar nervoso.

Ulisflávio Evangelista
Enviado por Ulisflávio Evangelista em 10/02/2006
Reeditado em 17/09/2007
Código do texto: T110302
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Sobre o autor
Ulisflávio Evangelista
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 35 anos
37 textos (64915 leituras)
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Ulisflávio Evangelista