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Democracia plena nos E.U. Será?


A censura é tão antiga quanto a sociedade humana. Mas para algumas pessoas ela representa a violação do direito de livre expressão; para outras representa um instrumento necessário à defesa dos princípios morais.
A censura existe de alguma forma em todas as comunidades humanas, presentes ou passadas, em qualquer parte do mundo. Política, moral ou religiosa, a censura baseia-se em certos princípios, enfeixados em uma ideologia que orienta sua atividade fiscalizadora e repressora. No entanto, ela tem servido, às vezes, para encobrir interesses particulares de pessoas e grupos. Exerce-se por meio do exame e da classificação do que considera crime, pecado, heresia, subversão ou qualquer outro ato suscetível de supressão e punição.
A Grécia antiga foi a primeira sociedade a elaborar uma justificativa ética para a censura, com base no princípio de que o governo da pólis (cidade-estado) constituía a expressão dos desejos dos cidadãos, e que portanto podia reprimir todo aquele que tentasse contestá-lo. Mesmo na sociedade ateniense, mais liberal, alguns delitos de opinião podiam ser punidos com a morte, como prova a execução de Sócrates, obrigado a beber cicuta ao ser condenado por irreligiosidade e corrupção dos jovens. O respeito a alguns princípios de ordem parecia tão arraigado na sociedade de Atenas, que até mesmo Platão, discípulo de Sócrates, defendia a censura como um dos requisitos essenciais ao governo.
Durante todo o período medieval as autoridades eclesiásticas impuseram uma rígida concepção do mundo, com base em princípios que se queriam eternos e imutáveis. Os tribunais do Santo Ofício exerciam uma censura de caráter moral, político e religioso, sendo os réus submetidos a torturas, a longos períodos de prisão ou à morte na fogueira. Depois da Reforma Cristã Protestante, o clima geral de intransigência religiosa, tanto nos países católicos quanto nos protestantes, deu ensejo ao recrudescimento das práticas repressoras. A Igreja Católica publicou, durante o Concílio de Trento, o Index "librorum prohibitorum", relação de obras cuja leitura era terminantemente proibida aos fiéis. Nos países protestantes, as proibições não se limitavam aos livros católicos, mas também aos de outras igrejas reformadas. Na Grã-Bretanha, por exemplo, o anglicanismo oficial reprimiu severamente a defesa pública do puritanismo.
No mundo moderno alguns fatores impuseram várias modificações no conceito de censura. Tal processo foi fruto de um longo trabalho de educação que permitiu um espírito crítico mais aguçado; a disseminação de obras, desde as artísticas às de informação, como as enciclopédias, diminuíram o grau de desinformação e minimizaram superstições e preconceitos.
Mesmo assim, o século XX assistiu ao nascimento e derrota de regimes tragicamente autoritários, em que a censura teve uma atuação patológica pelo rigor com que foi exercida e pela virulência de seus princípios. Assim ocorreu na Europa, com o governo nazista na Alemanha, fascista na Itália, franquista na Espanha e salazarista em Portugal.
Em nome do socialismo, a União Soviética e todos os países do bloco socialista, assim como Cuba, China e demais países socialistas da Ásia, adotaram uma censura tão rigorosa e obscurantista quanto a do fascismo e nazismo. O movimento da contracultura e pelos direitos civis, nascido nos Estados Unidos e disseminado em todo o mundo, trouxe uma mudança radical de padrões e valores, que muito contribuiu para o desprestígio da censura e o fortalecimento da democracia.
Porém, no próprio Estados Unidos onde pregam a democracia, invadem países comandados por ditadores que não se enquadram na tão falada democracia americana, a censura ainda existe! E pasmem! Desde a época dos anos 60, ao longo de seus quarenta e tantos anos (ou seriam lambidas, como sugeria o nome da turnê passada da banda?) de carreira, os Rolling Stones enfrentaram um montão de censuras e proibições, a última delas em sua apresentação no Superbowl, quando o microfone de Mick Jagger foi cortado quando pronunciadas expressões não adequadas ao chamado país da liberdade e das oportunidades.
“E depois de levarem cerca de 1,2 milhão de pessoas para a Praia de Copacabana - um dos maiores públicos de um show de rock de todos os tempos - os Rolling Stones se preparam para acrescentar outra façanha ao seu currículo de décadas de rock'n roll. A empresa de promoção de eventos chinesa Emma Entertainment causou furor nesta terça-feira ao anunciar o primeiro show da banda na China, a ser realizado no dia 8 de abril, no Grand Stage de Xangai, com direito, é claro, a censura
A notícia poderia ser apenas mais uma parada da turnê "A bigger bang", dos Stones, não fosse o fato de a banda tentar tocar na China desde a década de 70, sempre impedida pelo governo chinês, que a considerava pornográfica e nada recomendável para a juventude do país. No site do Ministério da Cultura, informa-se que a Emma Entertainment foi "autorizada" a convidar os Stones para se apresentar na China.
No dia 8 de abril, na estréia dos Stones no gigante asiático, clássicos da banda ficarão fora do repertório por pressão do governo. Na lista, "Brown Sugar", "Let's Spend the Night Together" (canção que vem sendo censurada nos EUA desde os anos 60), "Honky Tonk Woman" e "Beast of Burden", consideradas "inaceitáveis" pelo Ministério da Cultura chinês desde 2003, quando a banda consultou o governo comunista sobre a possibilidade de realização de um show e marcou apresentações em Pequim e Xangai. As apresentações acabaram desmarcadas por medo da Síndrome da Deficiência Respiratória Aguda (Sars)”.

E para finalizar...
Mendelson em ( mil e tantos, guaraná com rolha D.C.) foi exorcizado da igreja pela censura, quando em uma de suas composições fez alguns acordes de nona! O sacerdote justificando sua expulsão da igreja, disse que aquilo era o som do demônio. Para quem não sabe, o acorde com intervalo de nona provoca uma dissonância estranha para quem está acostumado com sons uniformes. (O intervalo de nona pode ser por exemplo, a nota do e a nota ré uma oitava acima, tocadas ao mesmo tempo). Bem diferente do meu professor e nosso monstro sagrado da Bossa Nova, Antonio Carlos Jobim, que encantou suas melodias com inúmeros acordes de nonas a ponto de influenciar o Jazz.

A única atitude que nunca teve censura... é a hipocrisia!



Vincent Benedicto
Enviado por Vincent Benedicto em 01/03/2006
Reeditado em 01/03/2006
Código do texto: T117447
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Sobre o autor
Vincent Benedicto
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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