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CRÔNICA SOBRE O DIA DA MULHER

CRÔNICA SOBRE O DIA DA MULHER
Lílian Maial


Mais uma vez vem essa comemoração curiosa de Dia da Mulher.
No mínimo curiosa, porque todo dia é Dia da Mulher. Na verdade, o mundo é da mulher. Deus, certamente, é mulher (que me perdoem os homens, mas seu pseudo-reinado nunca existiu, sua glória somos nós...risos).
E você consegue acreditar que um homem criaria outro à sua imagem e semelhança?
Sim, talvez num arroubo de vaidade, mas é questionável... a competição seria grande e eles querem tudo só pra eles. Então, chega-se, por simples dedução, a essa indubitável afirmativa de que Deus realmente é mulher.

E querem comparativo maior da perfeição?
Que outro ser existe, que cresce imaginando se multiplicar em mil, para realizar todos os sonhos dos demais seres ao seu redor?
Que outra criatura é capaz de se entregar ao infinito prazer de sorrir ao contato com a água, o calor do sol, ou um beijo nos olhos?
Que outro produto da natureza é plausível de gerar vida através do amor, doando-se integral e incondicionalmente a esse amor, e ainda suportar todas as dores e dificuldades em nome desse sentimento?
Ah, fazer-se bonita pelo simples prazer de se saber admirada. Fazer-se ágil, pelo simples fato de não conseguir ficar parada. Fazer-se amada, pelo simples amor que brota em seu peito.

Observem uma mulher, de qualquer faixa etária, de qualquer raça ou credo, de qualquer lugar do mundo.
Verifiquem a delicadeza de seus gestos, a harmonia de seus traços, o brilho de seus olhos, a umidade de seus lábios.
Ao mesmo tempo, sintam seu perfume de batalha, suas mangas arregaçadas e prontas para os desafios, suas pernas torneadas para se abrirem para o amor, a vida e o prazer, mas também para as longas caminhadas que o destino lhe
reserva.
Notem sua estatura, nem tão alta que não se curve ante à beleza, nem tão baixa que não se erga em defesa de seus direitos e convicções.
Provem seu sabor de mãe, lembrando brigadeiro, sonho e macarronada domingueira.
Seu gosto de proteção, de desvelo, de carinho interminável, de insone guerreira contra vírus e febres, de ridícula disputante de vaga na escola, ou de títulos de campeonatos de natação ou judô.
Ouçam seus gemidos de fêmea entregue e provocante; de feminista, clamando por justiça; de profissional de qualquer área, orgulhosa de suas conquistas e cônscia de seus horizontes. Sua voz de calma e paz, ou seus gritos impacientes de uma TPM fugaz.
Percebam sua doce inquietação no trânsito, disfarçada de auto-suficiência, mas louca para cruzar com um gentil espécime masculino, que lhe poupe esforços, suores indesejáveis e cabelos desarrumados.

Atrevam-se a prever suas atitudes e afundarão num mar de calamidade, de desacertos e de incertezas.

Somos mais que equações matemáticas, reagimos de forma bem mais abrangente e, portanto, indecifráveis.

Não tentem entender as lágrimas que brotam desses olhos. Lágrimas são adornos naturais e apêndices exclusivos, de acionamento automático ao menor balanço dos sentimentos.

Sim, é um ser complexo e, por isso mesmo, fantástico.

É uma criatura apaixonante, decerto, mas não a interpretem como presa fácil, ou vítima das circunstâncias, sob o risco de cometerem o mais grave erro que jamais imaginaram.

São lindas borboletas, sobrevoando os corações, acariciando os egos, demonstrando suas aptidões. Mas também são dinossauros de patas devastadoras e de luta pela vida, pelos
seus objetivos, pelos seus alvos de amor.

Inútil essa contenda entre macho e fêmea pelo poder, pela inteligência, pelo lugar ao sol, posto que são duas metades, a serem completas apenas quando unidas. Ambos são de carne e osso, sentimentos e alma. Sentem dores, sentem prazer, choram, riem, odeiam e amam com a mesma intensidade, enfim, têm os mesmos atributos.

A única diferença é que a mulher os tem simultaneamente. E isso a faz tão especial, tão intrigante, tão diferente e tão maravilhosa.

Súditos, reverenciem-na!

Bajulem-na!

Amem-na!

Papariquem-na!

Glorifiquem seus dias e seus passos.

E sigam-na, porque ela nunca os levaria por caminhos não confiáveis, já que ela sempre vai na linha de frente, pois prefere se ferir a si, que deixar qualquer alvo de seu amor ser atingido por uma única fagulha de dor.

Ser mulher é ser iluminada, é ter a perfeita noção da perpetuação da espécie, da criação das novas gerações, da responsabilidade assumida com o futuro.

Ser mulher é ser linda, mesmo que seus traços não sejam o ideal venusiano de beleza, mas não importa, porque ela resplandece com a aurora, como uma flor rara e estranha, que insiste em ser diferente e cara.
Ser mulher é acumular todas essas tarefas e ainda se munir de aparatos estéticos, loções, cremes, lingeries, novos cortes de cabelo, cores de unhas, silicones e combate às rugas, no intuito de se fazer mais vistosa e atraente para
a maior de todas as dádivas que ela poderia almejar: o homem.


Lílian Maial
Rio, 08/03/01.


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Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 08/03/2006
Código do texto: T120324

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Sobre a autora
Lílian Maial
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