Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Confissões de um aborrecente I

Esse texto foi escrito quando eu já tinha meus 30 e poucos anos, é um personagem que criei para mim. O adolescente em questão nasceu com 16 anos e chamava-se MANO MAURO no fórum soc.culture.portuguese, TODOS OS FATOS NARRADOS SÃO MERA FICÇÃO!

Confissões de um Aborrecente – parte I

Não, eu não pedi para nascer no Brasil, a bem da verdade eu não me recordo nem de ter pedido para nascer...
Sou o fruto de um yupee (é assim que se escreve?) drogado e uma universitária descuidada e um restinho de promiscuidade dos anos 80, onde a AIDS ainda pertencia ao círculo restrito dos Grupos de Risco.
Como falei, meu pai era um Mauricinho bem sucedido, viajado e viajante, cuidando da rede de farmácias do meu avô (será daí o seu envolvimento com drogas?).  Como quase todos da Geração dos adolescentes dos anos 70, fumou erva jamaicana, cheirou coca boliviana e LSD made in usa, tudo da pura, da buena, valeu?
Não sei se valeu; talvez para se transformar num pai pseudo careta.
Minha mãe da tradicional família mineira, prá variar era uma contestadora, foi participante de 1ª hora da UNE pós anistia, e como todos de sua época, inconformados por não terem estado presentes durante a repressão, saudosos dos anos de chumbo que só sabiam por relatos dos estudantes profissionais, fazedores de cabeça...
Passei minha infância acompanhando minha mãe em passeatas pró-ensino público e gratuito, congelamento das mensalidades, que se misturavam com coisas abstratas como abaixo o FMI, tirem suas mãos da Nicarágua, Abaixo o boicote a Cuba...
Ouvi histórias das Diretas Já, ao invés dos contos dos Irmãos Grimn, Monteiro Lobato e Vovô Felício (raridades herdadas posteriormente de uma tia avó).
Meu pai tornou-se um próspero e sério homem de negócios e minha mãe uma dona de casa típica dos anos 90, revendedora da Natura, Anway, Herbalife, assim como minha avó teria vendido os potinhos de plástico, cujo nome em inglês não me arrisco a escrever.
Tenho hoje 16 anos, 4 de terapia, alguns meses de internamento prá cuidar de uma depressão aguda e uma síndroma de pânico inconcebível, e nunca usei drogas além da Coca Cola, não fumo nem uso álcool... A vida já é uma droga mesmo...
Mauro Gouvêa
Enviado por Mauro Gouvêa em 12/03/2006
Código do texto: T122119

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Mauro Gouvêa - www.recantodasletras.uol.com.br/autores/maurogouvea). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Mauro Gouvêa
Alfenas - Minas Gerais - Brasil, 51 anos
432 textos (56516 leituras)
3 áudios (837 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 09:04)
Mauro Gouvêa