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Minha Vida


A vida traz consigo uma carga desoladora, situações desesperadoras, às vezes boas, às vezes. Posto que viver é sentir, é querer, é lutar, vivo sabendo que perdi o meu melhor momento. Deveria ter feito tudo que disse antes do último ponto, mas não o fiz. Devo me desesperar? Tentar de novo? A quem pedirei oportunidade de me redimir? Vivo angustiado por não ter como escapar do afogamento, um eterno afogamento. Viver é morrer aos poucos, medíocre meu pensamento, mas tenha certeza de que é coerente. Também é sonhar e não realizar, é ser e não ser, cair em um universo tão imenso que não conseguimos nos achar, cheios de esperança e vazios de possibilidades. Nós vivemos realmente no momento em que morremos, é quando descansamos, mas mesmo assim não se quer morrer, viver é melhor, sentir é melhor, por que morremos então? O pior é que as pessoas quando passam pelo que passei são impotentes à natureza, que superioridade é essa que por um determinado tempo nos anima e logo após nos derruba? Sem explicação. Fico sem esperanças, e não sou só eu não, são todos os meus vizinhos, pessoas sem ânimo, tristes, chegam aqui frescas, fortes, e passados uns dias, emagrecem, ficam solitárias. Ai, a solidão... Que realidade triste, não pense que é um sentimento para poucos, é para todos, um dia todos sentirão. No final todos te abandonam. É triste, mas é natural, quando você concretiza seu papel na vida torna-se descartável, é biológico, a vida continua. É um fato que deixa qualquer coração apertado. Por falar em coração o meu não bate como antes. Onde está aquele sangue fervoroso que corria dentro do meu corpo? Meus músculos já não são os mesmos, é claro, o sedentarismo provoca essas coisas. Antes não era assim, meu corpo sempre foi referência de saúde, as meninas adoravam, e não estou me gabando, eu causava suspiros. Sempre me dei bem com as mulheres, nunca tive queixas, a não ser com a Teresa, mas naquele dia eu tinha trabalhado muito. Ah, com a Patrícia também... Deixa pra lá, todo mundo tem dias assim. Hoje, enquanto eu observo as pessoas, só vejo amarguras, agonias, devia-se apostar mais na vida, é engraçado eu dizer uma coisa assim, nunca dei o melhor de mim e hoje minha vontade é insuficiente, não posso mais arriscar, imaginei a vida toda estar em um lugar, no fim estou onde estou, ao lado de estranhos e com uma interrogação na testa, e o que é mais incrível é que as pessoas pensam saber o futuro, crêem em algo que pode não existir, dizem que sou racional demais, só que como acreditar em uma coisa que nunca passei? Até respeito à opinião dos outros, mas não gosto de gente brigando, afirmando coisas que nunca presenciou, dando sentenças falsas sem ter poder algum para isso. Saibamos que é bom imaginar um mundo melhor, dá razão para a vida, não é isso que estou discutindo, discuto a pré-potência de alguns espertos que castram individualidades alienando indivíduos que ainda nem saíram das fraldas. Ai! Tem um bicho me mordendo. Droga! Tenho que conviver com essas coisas. Vermes asquerosos. Meus vizinhos descansam como eu, mas também vivem solitários, é difícil ficar sozinho, às vezes sinto frio, meus ossos tremem, minha casa é apertada e não é aconchegante, mas dá para passar os dias, já estou nessa vizinhança há alguns anos. De vez em quando pessoas passam por aqui, sempre bem acompanhadas, tristes, felizes algumas vezes, passam apressadas para o trabalho, sempre bem vestidas, não sei por que as pessoas gostam tanto de usar roupas escuras, elas passam um sentimento ruim. Minha maior felicidade é ver alguém conhecido, passam conversam comigo, meus filhos, meus olhos lacrimejam quando eles vêm. As vezes que eu peguei meus netos no colo... Momentos lindos, meus filhos tiveram insucessos em algumas tentativas, hoje eu afago esses insucessos quando eles choram. Alguém me responda por que o tempo não passa, por que as flores murcham durante os dias. Ai, como são frias minhas noites!

Danilo George
Enviado por Danilo George em 13/03/2006
Código do texto: T122844
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Sobre o autor
Danilo George
Paulo Afonso - Bahia - Brasil, 31 anos
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Danilo George