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Lula X Napoleão
Vincent Benedicto


“Para o simples mortal a grandiosidade das coisas passadas resulta ser paralisante, fazendo vacilar a sua inteligência. Para os superdotados, ao contrário, ela,”a história monumental", tem o efeito de um desafio, de algo a ser superado. Pelo menos assim se deu com Napoleão. As incansáveis leituras que fez, quando ainda cadete, sobre o Mundo Antigo, tornando-o íntimo de Plutarco e de Tito Lívio, inspiraram-no a que ele, quando da célebre Campanha do Egito em 1798, seguisse o exemplo de Alexandre o Grande. Ao desembarcar lá levara junto, no bivaque dos regimentos franceses, uma notável equipe de mais de cem cientistas para tentar desvendar o enigmático país das pirâmides”.

Jovem ainda, com 29 anos - fizera uma carreira brilhante. Na Revolução de 1789, ao devastar a nobreza, foi promovido da noite para o dia. O comando da força armada revolucionária era composto de egressos de todas as classes sociais. General-de-brigada aos 26 anos, Bonaparte entrara na Lombardia italiana comandando uma tropa de esfarrapados para bater espetacularmente os exércitos austríacos que então ocupavam. Dois anos depois, no Cairo ocupado, quando da fundação da Academia de Ciências do Egito, onde ele inscreveu-se como matemático, imaginou-se um califa, um representante do Profeta, ordenando que suas diretrizes fossem impressas em árabe. Fracassada a aventura pelos dissabores trazidos por Lorde Nelson, que afundou a esquadra francesa na baia de Aboukir em agosto de 1798, Napoleão, num gesto surpreendente, escapando do bloqueio inglês no Mediterrâneo, voltou à França.

Acusou o regime civil de incompetente e irresponsável. Na ausência dele, a França recuava. Apoiado no exército, de quem se tornara herói, derrubou-o em 48 horas, pelo Golpe do 18 Brumário ( 9-10 de novembro de 1799). A mensagem que então enviou ao povo francês não deixou dúvidas: ele não seria "um Robespierre a cavalo", a Revolução de 1789 acabara. A era da turbulência seria sucedida pela era da ordem. Até de aparência ele mudou. O descabelado e mal vestido oficial do exército revolucionário, deu lugar ao visual sóbrio do primeiro cônsul, trajado em discreto veludo, com o cabelo curto à la romana. O corte de César. A nova constituição que ele fez aprovar - a Constituição do ano VIII - não deixava dúvidas de quem mandava na França. Para tranqüilizar os burgueses, e também para merecer-lhes o voto de confiança, fundou em janeiro de 1800 o Banco da França.
Faltava-lhe porém algo ainda mais espetacular para consolidar o regime. Uma façanha que embasbacasse a todos. Os exércitos franceses que ele deixara na Itália em 1796 estavam de novo ameaçados pelos austríacos. Era preciso uma operação relâmpago para socorrê-los. Veio-lhe à memória a passagem de Aníbal pelos Alpes, ocorrida 2 mil anos antes, à época das Guerras Púnicas. O grande capitão chegara a levar até elefantes à Suíça!

Bonaparte não podia ficar-lhe atrás. Num rufar de tambores, arregimentou uma tropa, equipou-a para o frio e foi em frente. Se o cartaginês conduzira pelos picos gelados aqueles mastodontes que trouxera da África, ele carregaria a muque as peças de artilharia. improvisando até uns trenós para descê-las nos desfiladeiros. E lá se foi ele a franquear o São Bernardo, façanha que completou em maio de 1800, e que, mais tarde, Jean Baron e d'Albe Louis imortalizaram em pintura consagrada. Em junho ele esmagou os adversários em Marengo. Estonteado com o que fizera em menos de um ano, de onde saíra da areia do deserto para as neves alpinas, do generalato para ser o sucessor dos Bourbons, cismou então superar um outro gigante do passado: Carlos Magno. Em 1804 ele iria coroar-se Imperador da França. Porque não também ser o Imperador do Ocidente?

As alturas dos Alpes, que Napoleão cruzou com sucesso faz 200 anos, levaram-no aos excessos de grandeza, e dali à perdição nas neves da Rússia.

Porém, no Brasil, na cidade de Garanhuns (230 km a sudoeste de Recife), no agreste nordestino, conhecida como a "Suíça Pernambucana", município de 110 mil habitantes tinha um amigo de Napoleão.

Filho de Aristides, Lola, era o seu apelido, viveu na localidade de Vargem Grande, em Caetés, distrito de Garanhuns, até os 5 anos, quando migrou com a mãe, Eurídice, para Vicente de Carvalho (SP), onde o pai, já trabalhava na estiva do porto de Santos. A viagem de pau-de-arara durou 13 dias, em que se alimentou de farinha, rapadura e queijo.

No litoral, vendia amendoim, tapioca e laranja.
Na infância, o sonho de Lola era virar jogador do Corinthians.
Na última visita ao município, antes do início da sua caminhada rumo a glória, Lola comeu o prato típico da região: carne de bode com fava e pra variar encheu os culhões de cachaça.

Ao chegar a São Paulo, começou a trabalhar, aos 12 anos, como engraxate e entregador de roupas em uma lavanderia. Em 1963, formou-se torneiro mecânico no Senai e, em 1964, transferiu-se à metalúrgica Aliança. Foi aí que perdeu um dedo da mão esquerda, em acidente de trabalho e nunca mais trabalhou.

De operário a político, aconteceu com a atividade sindical, para a qual entrou em 1966, por intermédio de seu irmão José Ferreira da Silva, o Frei Chico, militante do extinto Partido Comunista.

Foi eleito primeiro-secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, em 1972. Elegeu-se presidente da entidade em 1975. Compareceu à posse de terno, gravata e colete. O traje virou alvo de comentários. Nunca um sindicalista havia se vestido assim.

"É o mínimo a que nós podemos aspirar ou iremos apenas fazer os outros se vestirem, assistirem TV em cores e viver bem", dissera.

Nessa mesma entrevista, afirmara que não tinha pretensões políticas futuras depois que deixasse o sindicato e que para isso havia sindicalistas mais capacitados. "Jamais participarei disto (referindo-se a política partidária).

Na época, ele surgia como uma nova liderança no país. O Brasil vivia sob o regime militar, e os sindicatos dos metalúrgicos do ABC desafiavam o poder constituído na luta por melhores salários.

Eram movimentos de massa com piquetes nas ruas, assembléias em estádios de futebol e greves com prazos indeterminados.

Na paralisação de 1979, o sindicato de São Bernardo e Diadema sofreu intervenção do governo federal, e ele foi destituído do cargo. Em 1980, mais de 100 mil trabalhadores aderiram ao que foi considerado pela imprensa na época de "a maior paralisação operária da história do sindicalismo brasileiro".

Já com o novo apelido Lula e mais sete sindicalistas _entre eles o ex-presidenciável do PSTU José Maria de Almeida_ foram presos pelo Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) como forma de pressionar a volta ao trabalho.

Enquanto estava preso, a mãe de Lula, Eurídice Ferreira de Mello, morreu de câncer aos 65 anos. Assim que soube da morte da sogra, Marisa Letícia entrou em contato com o então delegado Romeu Tuma, senador reeleito do PFL-SP, para permitir que o marido acompanhasse o velório e o enterro.

Cerca de 2.000 pessoas se aglomeraram nas proximidades do cemitério da Vila Paulicéia, em São Bernardo, para saudar o sindicalista e pedir sua libertação. Lula foi solto após um mês de prisão. Em 1981, foi condenado pela Justiça Militar a três anos e seis meses de detenção por incitação à desordem coletiva, mas a sentença acabou anulada no ano seguinte.

Ao ser solto, o ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo, Erasmo Dias, um dos personagens mais representativos da repressão política no regime militar em São Paulo, foi profético em relação ao destino do sindicalista. "Ele tem agora um futuro político garantido e se elege tranqüilamente deputado ou senador", dissera Dias em entrevista após a libertação de Lula.

Em fevereiro de 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo e, em 26 de maio, sua chapa foi eleita para comandar a executiva da sigla.

Em 1982, Luiz Inácio da Silva acrescentou o apelido "Lula" ao nome e disputou o governo de São Paulo mas perdeu as eleições. Em 1986, foi eleito com a maior votação do país para a Assembléia Nacional Constituinte. (Onde também só marcou presença) Em 1989, disputou pela primeira vez à Presidência da República e foi derrotado por Fernando Collor de Mello no segundo turno.

Decidido a disputar novamente o cargo, Lula cruzou o país do Oiapoque (AM) ao Chuí (RS) nas "Caravanas da Cidadania". Em 1994 e 1998, no entanto, perdeu a eleição no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Porém, alucinado pela conquista do poder não desistiu, subiu até os Alpes para se encontrar com Napoleão onde combinaram uma grande invasão chinesa – ficção criada da alucinação por excesso de consumo de malte destilado – porém, teve mais sorte que seu amigo Bonaparte, e se tornou o presidente do país. Embora eu não goste de (Nietzsche) o mesmo afirmou que, por vezes, "uma grande vitória é um grande perigo". Contudo, em relação a Lula, qualquer mortal em sã consciência profetizaria o perigo eminente. Se um outro Napoleão aparecer e der uma virada no jogo, mudaremos o rumo da história, do contrário, corremos o risco de saborear uma nova pizza a la delubiana, regada ao molho valeriano, ouvindo um desafinado tenor “Robert Jeffer” com aplausos “severinianos” na entrega do Oscar, novamente ao historiador e comandante das tropas que invadiram a china de Napoleão. 

"Biografia de lula extraída da folha de São Paulo de 2002"





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Vincent Benedicto
Enviado por Vincent Benedicto em 15/03/2006
Reeditado em 15/03/2006
Código do texto: T123781
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Sobre o autor
Vincent Benedicto
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