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Earth Quake

      Certa ocasião ligou-me um produtor musical japonês, de passagem pelo Rio. O diálogo, em português de principiante (ele) misturado com inglês de Tarzan (Eu)foi + ou - assim:
_"Aécio, Eu Toshi, produtor musical japonês acabo de produzir CD de pianista seu amigo Alex Frontera morando em Tókio. Ele pediu pra ligar pra voce, voce ser cara legal...
     Tudo bem Toshi,respondí. Estou no meu Estúdio em copacabana. anote o endereço e venha até aquí pra eu
te conhecer pessoalmente e falarmos de música e amigos comuns.
     Horas depois já eramos amigos de infância. Toshi era um excelente flautista, escrevia sobre música numa conceituada revista japonesa e estava começando na produção musical. Contou-me que alex estava a alguns anos morando em Tókio, casado com japonesa e era muito conceituado por lá como pianista.Eu o conhecí aos 17 anos e o cara, que já teria então uns 25, já tocava uma enormidade com 17. Através do contato com ele, Toshi se apaixonou pela música brasileira e escolheu-o para ser o primeiro artista  que produziria.
     Presenteou-me então, com um CD(prova) de Alex Frontera e disse estar indo para Los Angeles para mixa-lo num grande estúdio americano, como merecia.

    Pra encurtar a conversa, mostrei a ele alguma coisa da minha produção de música Instrumental e o japonês mostrou-se bastante interessado no que ouviu.
     Ao final do dia, fomos até meu apartamento no Leblon onde a conversa se extendeu e começamos a negociar uma possível gravação do meu trabalho tambem, para o mercado
japonês.Como eu morava sozinho e o Toshi estava pagando muito caro num hotel em Copacabana, convidei-o para passar a última semana no Rio em minha casa já que dalí ele iria para Los Angeles.
     Claro que ele aceitou de cara. e foi uma semana muito divertida já que o japonês era uma pessoa muito engraçada e tambem muito educado.
     Alguns músicos brasileiros que já tinham sido muito bem recebidos por ele no Japão saberem de sua pesença no Rio foram até meu apto visita-lo.

Muito bem. Agora é que vem a parte engraçada, motivo desta crônica. Um dia o Toshi me perguntou se podia usar a máquina  pra lavar algumas camisas.Eu disse que sim, que ficasse á vontade Só não atentei para o detalhe que, minha máquina de lavar,ultimamente,ao ser ligada fazia um barulho estranho começava a se sacudir e andava sozinha pela área perto da cozinha.Tambem não me liguei que no Japão, país campeão mundial de tecnologia elerônica, as coisas todas funcionam perfeitamente ao menor toque de um simples botão.

     Eu continuei a escrever uns arranjos que tinha começado pela manhã enquanto meu amigo Toshi partiu para sua
(talvez inesquecível) aventura com a máquina de lavar roupa de um brasileiro desligado e relaxado como eu.
     Uns quinze minutos depois,começou o tal barulho estranho da máquina de lavar e uma voz dizendo coisas ininteligíveis.Parei imediatamente de escrever minha música e corrí para a área onde me deparei com o seguinte espetáculo:

     Meu amigo Toshi estava sentado sobre a máquina de lavar, talvez na tentativa de faze-la parar de andar sozinha,sem sucesso, pois a mesma alem de andar, roncava e pulava como um touro de rodeio de Barretos e o Toshi com os cabelos completamente desgrenhados e os olhos esbugalhados de pavor, a caixa de sabão em pó na mão esquerda, algumas camisas na mão direita, nevando sabão em pó pra todo lado e meu amigo Toshi falando nervoso uma úinca palavra me fitando como quem pede socorro: "Earth Quake", "earth Quake"(Terremoto, em inglês)...
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 18/03/2006
Reeditado em 18/03/2006
Código do texto: T124905
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 75 anos
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Aecio Flávio