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Controverso

Algumas vezes eu observo as pessoas e fico tentando imaginar se elas são pessoas normais ou se vivem, assim como eu, uma confusão interior que por muitas vezes lhes tiram a calma e ameaçam sua paz.

Viver com tantas dúvidas e medos, desacertos e limitações, vontades e barreiras, tudo isso tem me tornando uma pessoa cheia de pensamentos constantes e controversos.

Minha mente cansa-se diante dessa confusão de cores indefinidas, formas ininteligíveis e mensagens que não consigo decifrar.

No meu arquivo vital as formas e fórmulas que deveriam nos conduzir ao ponto desejado, ou seja, à realização do que cremos ser o melhor, se chocam com o que é encontrado no mundo externo a mim. Então (re)nascem dúvidas quanto ao que eu defendo como sendo verdades da vida. E me vejo, dessa forma, mergulhar num mar de individualidades que apenas acentuam a minha sensação de insegurança.

Já não me dá tanto conforto saber que ajo de acordo com virtudes adquiridas ao longo de minha vida. Algumas vezes me vejo com um pouco de medo em ser quem realmente sou. Percebo que meu modo de expressar o que penso, de sorrir porque tenho vontade e falar sobre os sentimentos que precisam ser arremessados de dentro de mim, por vezes assusta o meu interlocutor. Quando isso acontece, fica difícil controlar o medo de por exemplo, de repente perceber que você foi esculpido à imagem de algo que não existe, que seus alicerces são erros e ilusões.

Ainda não sei como controlar a inquietação e o medo que me tomam quando assisto uma pessoa que sabe mentir, dar passos mais largos que os meus.

Eu tenho me sentido na contramão da vida. Mas ainda não sei viver de outra forma. Ainda acredito no que sou, e me esforço para não me afundar num mar de ilusões e sujeira.

Doe me sentir incompreendida e algumas vezes, estranha. Mas creio que isso dói menos do que me render ao assalto daquilo que ainda acredito ser hipocrisia.

Fico imaginando se isso acontece com todos ou se apenas alguns sentem e vivem esse inferno que é a dualidade das coisas, esse labirinto onde adentramos na tentativa de encontrar a nós mesmos, correndo o risco de nos perder.

Não quero uma meia vida, meios sonhos e meia felicidade.

Nuvens negras surgem num prenúncio de tempestade. Que ela venha então, lavando de mim tudo o que não seja paz, limpando tudo o que não seja vida, apagando tudo o que não seja eu.
Cinthya Danielle dos Reis Leal
Enviado por Cinthya Danielle dos Reis Leal em 22/03/2006
Código do texto: T126690
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Sobre a autora
Cinthya Danielle dos Reis Leal
Petrolina - Pernambuco - Brasil, 40 anos
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Cinthya Danielle dos Reis Leal