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Acalanto Noturno



Não saberia viver sem o acalanto noturno das palavras, do silêncio
rompendo a noite e nos levando ao êxtase.
Não saberia viver sem minhas mãos que caminham lentamente, sem meus
pensamentos puros, sincero e desnudado de tudo que é mentira e
hipocrisias.
Não saberia viver sem estas folhas brancas que são minhas
companheiras noturnas, verdadeiras amigas de minha solidão.
Não saberia viver sendo outra vida, outros passos.
Sou um simples caminhante noturno, caminho liberta de mim mesmo, sem
máscaras e representações.
Se não fosse a noite, o silêncio, esta mão preciosa, eu
não saberia viver neste cotidiano, nesta vida falsa de um viver incerto e
duvidoso.
Minha mão me é cara é minha companheira sincera. É o meu
ponto de encontro. A minha libertação, meu rompimento com o mundo
interior. É tudo que tenho de bom.
É o meu caminho, meu amor calado e sofrido, minha angustia de viver numa
era que não me pertence, num mundo onde não me adapto. Numa vida que
não vivo.
Minha vivência é aqui, agora, em cada folha que rolarão pelo
tempo, como folhas perdidas e incompreendidas.
O que tenho hoje é pouco em relação ao infinito. A minha
procura é imensa em relação ao absoluto e total. Perco em mim,
perco em palavras, mas é o meu encontro.
Minhas caminhadas são desconexas, incertas, sem rumo certo de ser. Ando
pela procura, pelo encontro. Vivo pelo simples ato de viver, meu mundo não
é este, minha vida não se engaja em mundos corruptos.
Todo artista um dia cansa de representar o mesmo ato, a mesma cena muda, sem
vida, fútil como palavras secas e agrestes.
Tudo é cansativo quando se representa.
Canso de representar vidas e formas de viver.
Caminho e busco dentro da noite o meu encontro para ser vida em um minuto.
Em ser presença, ser gente que sente e vibra com o total, com o amor,
com o canto noturno do silêncio.
Minhas mãos são importantes, sem elas nunca poderia viver, não
conseguiria o encontro, a fuga de mim em busca de mim mesma.
Hoje escrevo por necessidade, por ter algo a fazer, a criar ou simplesmente
coordenar pensamentos soltos no tempo.
          É preciso fazer algo, construir e deixar nossa marca em cada
passagem, em cada vida.
Não importa o amanhã. O ontem. O tempo não existe. Ele é
simplesmente, sem tempo, sem hora de ser.
É pelo fato de ser vida em uma dimensão meio densa onde a ilusão
predomina.
Não vivo pelo tempo.Vivo o meu tempo dentro do infinito.
Sei que é noite porque existe o silêncio e a escuridão.
Vivo dentro da noite.
 Sou um ser que busca algo que se perdeu nesse imenso universo.
Sou a eterna busca do encontro com o absoluto e a verdade.
Minha sede é imensa.
É preciso dizer em cada fim de noite, em cada amanhecer, em cada tempo
surgindo e dando colorido ao dia que nasce.
Não posso calar.
Seria morrer novamente em mim.

11.11.1975

© zelisa camargo® - todos os direitos reservados - 2002
© a inspiração é como o vento, nasce mas não morre.
ZEL
Enviado por ZEL em 06/01/2005
Código do texto: T1268
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Sobre a autora
ZEL
Aparecida de Goiânia - Goiás - Brasil, 69 anos
311 textos (33939 leituras)
8 e-livros (803 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 06:33)
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