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MEU CORPO ESQUECIDO



Divagações - censuradas para menores.


Passam-se os dias e me envelheço a cada instante...
Alimento sonhos, sem que se realizem meus mais ardentes desejos amorosos.
Por quê o mundo e notadamente a mulher assim me tratam ? Minha “feiúra”  é tanta que não possa ser amada? E a beleza é assim tão necessária para que se consiga uma atração física?
Meus cabelos estão despenteados, mas se toca-los sentirá que são macios e sedosos.
Meus olhos são miúdos, mas na sua expressão revelam timidez e humildade.
Minha boca é larga, mas o sorriso é idêntico a ela, tão largo e branco quanto os dentes enormes de coelho que se sobressaem.
Meus lábios não são tão expressivos e a polidez da minha voz lhe dirá em sussurro, as mais belas rimas dos meus versos.
Meu rosto é oval, mas tem em seu formato a figura de um ser que não se caracteriza com o mal.
Minhas orelhas são como borboletas de asas abertas para as coisas do espaço não se envolvendo nos mexericos do vizinho ou da vizinha.
Os braços são magros e compridos, mas possuem a firmeza do amparo a quem neles queira sentir proteção.
Minhas mãos espalmadas mostram os longos dedos, mas são carinhosas como é o coração.
As costas curvadas mostram o peso dos despresos que sempre se tornaram um fardo a refletir calúnias infundadas a meu respeito.
O peito disforme, mal nutrido, tem o calor que acalenta porque dentro dele bate um coração cheio de vida.
O abdômen não é obeso e a cintura me dá uma curvação esbelta, tornando-me o manequim jamais exposto a concursos.
Os pés, um pouco chatos, são o equilíbrio de todo o corporal que se move.
As canelas finas são processos de corridas pela vida em busca de amores impossíveis.
Os joelhos redondos são duas bolotas cansadas de ajoelhar nos altares do coração.
As coxas um pouco grossas, pelo exercício do caminhar não são nenhuma exposição de desfile de verão, mas possuem rigidez na força que sustenta o peso das investidas sexuais.
Subindo um pouco mais (tchan...) encontra-se o que não se vê e que se esconde como segredo que não se revela na virilidade de sua força, senão que para isto tenha bons motivos.
Meu corpo ao todo é comum. Não se diferencia de outros corpos.
Por quê, então, não sou amado?
Os dias passam, os meses, os anos, e ...
Assim, vão passando-se os sonhos e as ilusões sem que se realizem meus mais ardentes desejos amorosos.
Júlio Sampietro
Enviado por Júlio Sampietro em 25/03/2006
Código do texto: T128553
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Sobre o autor
Júlio Sampietro
Curitiba - Paraná - Brasil, 73 anos
52 textos (8816 leituras)
1 e-livros (86 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 00:25)
Júlio Sampietro