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PRINCESINHA DO PAJEÚ

Afogados da Ingazeira, cidade edificada no Alto Sertão de Pernambuco, cortada pelo Rio Pajeú, circundada por belas serras que embelezam sua paisagem, é cognominada de Princesinha do Pajeú.
Em qualquer direção, nos defrontamos com montes azuis, fechando em círculo seu território à entrada de pessoas não gratas ao nosso meio.
A Serra dos Pereiros, com suas pedras milenares, suas lendas e sua história, parece pertinho da gente, nas manhãs suaves, quando coberta de névoa, depois de uma noite chuvosa, amanhece vestida de branco, como uma noiva para abraçar e beijar o noivo. Nosso povo diz que ela adivinha, quando “cachimba” em dias quentes, no período invernoso, anunciando a chuva que se aproxima.
À sua direita, encontra-se a Serra Vermelha, repleta de talhados, árvores antigas, cachoeiras íngremes e riachos fortes que, em época de chuvas, descem de sua cumeada esfolando tudo. Seu campo pastoso durante esse período, concentra rebanhos de gado e outros animais que ali vão buscar o seu sustento, enquanto durar a abundância de alimentos; que, afeitos à geografia acidentada da região, trafegam tranqüilamente por ali, mesmo quando precisam descer ao sopé para beber da água dos riachos ou caldeirões ali existentes.
Ao saciarem a sede, todos de barriga cheia, procuram a sombra dos juazeiros e outras árvores sombreiras; deitam-se e vão malhar – remoer o alimento ingerido até aquela hora. Ao entardecer, voltam ao cume da serra para a costumeira dormida, onde desfrutam o vento gostoso que sopra durante a noite, para refazer suas energias, perdidas com o calor sentido durante o dia.
À esquerda da Serra dos Pereiros, está a Serra da Mata Verde, que segue em direção ao norte, cuja beleza envolve e encanta qualquer pessoa, devido a seus relevos, pedras históricas, furnas misteriosas e fertilidade de suas terras cobertas de fruteiras, bem como diversos pontos de água mineral puríssima e constante em qualquer época do ano. Encontra-se ainda no seu espaço territorial, grande quantidade de animais de caça e de aves diversas, que enfeitam, cantam e encatam esse recato incomum, longínquo do Brasil Central.
A Serra da Borborema, que divide os municípios de Carnaíba, Solidão e Tabira, é um grande térreno montanhoso, porém fértil em toda a sua extensão, com plantio de jaqueiras, café, cana e centenas de árvores frutíferas, que produzem indiferentes ao tempo e ao clima. Esta Serra que segue em direção ao Leste, vai se encontrar com outras não menos elas, que se extremam e dividem municípios vizinhos ao Estado da Paraíba.
Ainda em direção ao Leste e Sul, outras serras fecham o círculo, dividindo Afogados com outros municípios do nosso Estado.
Apesar de ser um município cercado por serras, seu terreno não é acidentado, há em toda sua extensão muitas áreas agrícolas produtoras de milho, feijão, batata doce, algodão, frutas, legumes e verduras.
Ainda em seu território, encontra-se uma grande área de terras fertilíssimas, que se adapta ao plantio de mandioca, macaxeira, feijão de corda, árvores frutíferas como a mangueira e o cajueiro, e mais uma infinidade de produtos alimentícios, área esta denominada de Caroá.
Em tempos passados, o saudoso fazendeiro Ricardo Magalhães, experimentou o cultivo do abacaxi nessa região. O resultado foi tão satisfatório que o fez continuar cultivando a fruta por vários anos com bom retorno de capital.
O Rio Pajeú, caudaloso em épocas de inverno, com suas águas barrentas e buliçosas, correndo para o norte, único rio do mundo que corre para cima. Quando cheio, parece nunca mais secar, contudo, seco totalmente no verão, deixando apenas a lembrança de bilhões de litros de água que passam por ele e que poderiam ser barradas em diversas partes do seu leito para o progresso da nossa região.

Afogados da Ingazeira, 10 de fevereiro de 1998
Gastão Cerquinha
Enviado por Gastão Cerquinha em 04/04/2006
Código do texto: T133453
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Sobre o autor
Gastão Cerquinha
Afogados da Ingazeira - Pernambuco - Brasil, 94 anos
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