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Bar, que “bicho” é esse?


 
Antes de qualquer coisa, é bom que se explique, ou melhor, se combine de que bares estarei falando, afinal Bar para os simplistas é por definição apenas um balcão onde se mistura, se vende e se consome bebidas (dependendo apenas de que lado se está do balcão), no entanto para a grande maioria das pessoas, esta definição é um tanto mais complexa, deixando claro o como é difícil, por vezes, definir o que acreditamos comum e corriqueiro.
Para os poetas notívagos, Bar é a oficina inspiradora de seus melhores Sonetos e das mais criativas Rimas.
Para músicos intimistas, este mesmo Bar é um palco que mescla a solidão inspiradora aos apupos recompensadores de fãs e bêbados habituais.
Para os solitários é a companhia; para os cansados o encosto reparador; para os fugitivos da fúria das más línguas, o abrigo seguro. Afinal segundo alguns, as más línguas não freqüentam bares, apenas as boas.
 Para alguns ainda, o Bar funciona como a “saideira” relaxante após o serão ou a hora extra; para outros amantes incorrigíveis, um inspirador início de noite.
Alguns freqüentadores vêem nele oportunidade para se mostrar, outros os utilizam para observar.
Para uma boa e animada turma é o programa completo que coroa o fim de semana, afinal desta vida, dizem eles, nada se leva a não ser o que se come, se bebe e se canta e com certeza, para isso melhor lugar não há.
Bar, Botequim, Birosca, Adega, Tasca, Taberna, Biboca, Baiúca ou até por extensão Choperia, Pub, Boate, Cabaré, Inferninho, Café, etc., chame-o como quiser, acredito que todos estaremos falando do mesmo assunto.
Poucos serão aqueles que não tenham em suas memórias alguns momentos importantes passados num Bar. Eu mesmo, na companhia de um grande Flanboyant amarelo, que Deus o tenha, testemunhei durante anos, risos claros, prantos contidos, discussões acaloradas, confidências feitas ao ouvido, inícios, retornos e despedidas, enfim emoções alheias, mas, tão próximas que, creiam pareciam ser as minhas.
Duas décadas e meia, já se passaram e ainda ao cruzar com os olhares de coadjuvantes dessa época, mais velhos, mais pesados, ainda percebo claramente  emoções brotando saudosas como se perguntassem ansiosas,
-E você, ainda se lembra?
Claro que me lembro, posso não me lembrar dos nomes de todos e de detalhes, de suas preferências mas lembro-me bem que compartilhávamos a mesma casa, as mesmas mesas, os mesmos copos, os mesmos freqüentadores que como numa família, embora muitas vezes não trocássemos nenhuma palavra, sentíamos-nos bem ao dividirmos o mesmo espaço.
É deste tipo de Bar, com B maiúsculo, que quero falar, de seus Botequineiros e habitués, saudosos companheiros (fundamentais itens no cardápio de um bar que se preze), com sede de conversa mole, mas esperançosos que mesmo que Utopicamente um dia tudo será como antes:
Nós, nossa Cidade e nossos queridos Bares.
Prosit, Tchin-Tchin, Salute per tute e boa leitura a todos que já foram botequineiros, independente de que lado do balcão fosse seu lugar, e a aqueles que nunca foram, mas sonharam (e talvez ainda sonhem) um dia vir a ser.
Meno um botequineiro
Enviado por Meno um botequineiro em 08/04/2006
Código do texto: T135839
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Sobre o autor
Meno um botequineiro
Santos - São Paulo - Brasil, 70 anos
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