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Fim de Tarde

A tarde parece escondida, o sol faz com que os olhos se fechem e o corpo agonize pedindo socorro. Nas ruas, pessoas andam e se esbarram sem timidez. Falta um olhar, falta uma palavra, falta tudo no nada que acreditamos não ter naquele instante.
Pessoas em qualquer lugar, no mesmo lugar, a qualquer hora.
O motorista que acelera, o policial que exagera, crianças nas ruas, mulheres nos corredores, nas filas, nas calçadas. Pessoas.
O pensamento parece infinito, pensa-se em respostas, procura-se por elas no palácio, na Igreja, na certeza de alguém, no mais próximo e até no mais distante, procura-se.
É uma busca árdua.Alguém grita - ninguém ouve - ninguém responde.
Nas escolas o sino toca, é hora de sair.Pessoas na faixa guardando suas vidas, carros que atropelam, pessoas nos corredores da saúde pública, sonhos desfeitos, lágrimas.
Pessoas o tempo todo, em qualquer lugar procurando alguém, tentando se encontrar. Pessoas que choram, riem, sofrem. Pessoas
Quem são essas pessoas?
Quem as define?
São apenas pessoas no fim de tarde contando as horas pra chegar em algum lugar.
No fim de tarde tudo parece mas fácil, mas realizável.

Ana Clea Bezerra de Abreu
Enviado por Ana Clea Bezerra de Abreu em 25/04/2006
Código do texto: T144911
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Sobre a autora
Ana Clea Bezerra de Abreu
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 39 anos
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Ana Clea Bezerra de Abreu