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O vexame




Naquele dia tínhamos dispensado os alunos mais cedo porque ia haver uma reunião com todos os professores. Essa convocação nos deixou muito ansiosos, pois praticamente ninguém sabia o que seria tratado, no entanto só se ouvia comentário do que poderia ser contudo só no momento certo matamos nossas curiosidades.
O que mais nos impressionou foi à participação de cada um dos presentes, porque com de costume, tudo transcorria bem, até Geraldo que era considerado muito crítico, daqueles que de tudo tem algo a reclamar, estava tranqüilo, concordava, dava sugestão, assim, como os outros que também contribuíam como era possível.
 Quando de repente a orientadora para finalizar abordou um assunto que era a preocupação de todos   o qual já havia sido discutido em outras situações e não havia tido uma solução, só havia se agravado com o passar dos meses, foi uma bomba quando ela disse:
___Vocês não podem colocar aluno para fora de sala mesmo que este esteja perturbando.
Naquele momento ficamos enfurecidos porque aquilo feriu os principio da decência, da ordem e do respeito para com o educador. No entanto, o que nos feriu não foi a informação dada, porque sabemos que o lugar do aluno é a sala de aula, e sim a ameaça feita por ela, de que seriamos advertido e que seriamos entregues em um relatórios se colocássemos alunos, bagunceiros, para fora de sala de aula.
Geraldo que se mantinha, nessa reunião só na paz, também não se conteve com tamanho absurdo e explodiu dizendo:
___Quer dizer que, por causa de um aluno que não quer saber de estudar eu deixo de fazer um bom trabalho com outros que querem? Sou completamente contra.
Com isso, o que estava democrático, agora  passou a ter vez  só quem falasse mais alto. Era  mais de quem queria  fazer sua ilustração só que para ele mesmo, porque todos só ouviam a si mesmo. A diretora até que tentou contornar a situação, mas não teve sucesso, porque o “angu” já  estava feito.
Ali qualquer um que fosse contra os princípios dos professores ouviria poucas e boa. Até Felisberto que pouco falava em reunião, não se conteve pediu a vez, por primar por democracia, e desabafou dizendo que essa história de pedagogia era muito boa ,porém não funcionava na prática porque ele havia trabalhado por duas unidades dentro da integra da pedagogia e nada funcionou.
No entanto o centro das atenções passou ser o  Geraldo que a cada instante ficava mais nervoso, se levantava, se sentava, e falava gritando e a diretora pedia para ele dar  a  vez aos outros e nada do homem se contentar. Na verdade não tinha ninguém contente, o pior era que ninguém tinha uma solução e ficamos passando a bola, ora, a culpa estava na família, ora, estava o governo,etc.
Então, a reunião acabou e nós não  chegamos a uma solução. __ Esses alunos precisam de punição, diz uma professora. __ Mas que tipo? Pergunta a diretora, suspensão  é o que eles querem. E  se agirmos assim a lei nos processa. Afirma ainda a diretora. __ Quer dizer que a lei só se preocupa com esta meia dúzia que não quer estudar e os outros que querem e não é Possível ensina-los por causa desta meia dúzia de infratores? contesta Geraldo.
Enquanto isso a orientadora só sabia dizer:
__Nós somos educadores,gente!!!!!!!
  __Nós somos educadores,gente!!!!!!!
__Nós somos educadores,gente!!!!!!!
__Nós somos educadores,gente!!!!!!!  Temos que elaborar um projeto.



Raimundo Farias, setembro de 2003



netão
Enviado por netão em 29/04/2006
Código do texto: T147605
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