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ME DÊ UM CHEIRO

Me dê um cheiro.


Quem já não sentiu algum cheiro, bom ou mau, que o remetesse num flash a lugar ou momento passado. Por vezes lembranças tão claras que emocionam.
Cheiro de chocolate quente me leva lá atrás, ainda garoto, ao Itaim Bibi junto à antiga Kopegnagen de onde por detrás de seus muros (não havia loja nem vitrine) brotavam doces perfumes invadindo meu nariz e minha gulosa imaginação.
À mesma época sou levado pelo cheiro de cravo e bolo assando, chegando a sentir o gosto do Pão-de-Ló, já a massa ainda crua cheirava bem, e do doce de abóbora com coco que sistematicamente freqüentavam a cozinha de dona Glória, minha mãe.
Cheiro de taça de vinho tinto fresco ou de Cognac aquecido.
Cheiro de sopa de mandioquinha (batata barôa) lembra-me bebê, os meus.
Por falar nisso, cheiro de bebê saindo do banho me faz quase abraçar, em meus devaneios, os meus pequenos embrulhados em toalhas de capuz (puxa como faz tempo).
Cheiro do cabelo molhado de minha mulher, a Rosane ao sair do banho tem cheiro de cabelos molhados, cheiro de seus cremes hidratantes. Com ela aprendi pedir e a gostar de dar um cheiro.
E por aí vamos, de cheiro em cheiro, podendo voar por lembranças, épocas, pessoas e lugares queridos. Garanto que são muitos:
Cheiro de mato molhado no Orquidário, de café torrado das torrefações do centro velho da cidade, de frutas nas madrugadas do Mercado velho de Santos, quantas saudades dessas madrugadas que não existem mais, cheiro de banana passa na Biquinha em São Vicente e do cheiro de maresia que se sentia em toda a cidade, mudou o cheiro ou o meu nariz? Alias boas lembranças me trazem o cheiro de peixe fresco tão incompreendido e confundido com o mau cheiro de peixarias mal cuidadas.

Talvez por adorarem os cheiros, narizes amplos foram dados aos Árabes, autores e consumidores de pratos, as vezes nem tão bonitos, mas incomparáveis nos perfumes que exalam perfumados pela Hortelã, Anis, Cravo e suas misturas fantásticas.
Deus quando da criação do homem, disse um dia um filósofo oriental e cozinheiro com certeza, fez nossos sentidos na ordem correta:
Cérebro, olhos, nariz e boca. Cérebro para compreender o que os olhos nos mostram, o nariz para aguçar nosso paladar a ponto de salivar e por último, apenas por último a boca, final efêmero desses prazeres ditos do paladar.
Claro! Há de ser bonito, lindo, até disse o Poeta ser “a beleza fundamental”, mas há que ter cheiro logo a seguir, e que seja bom e agradável, para que se torne apetitoso a qualquer outro sentido.
Há ainda neste caminho, o cheiro de amizade, é... amigos cheiram bem! Já os inimigos...Eca, melhor seria que não cheirassem.
Mas mesmo assim, abaixo o inodoro, pior ainda do que o de mau cheiro, afinal o Jatobá, o Bacalhau e o Gorgonzola tem seus admiradores apesar de seus cheiros.
Vivas aos perfumes e cheiros da vida.
Um cheiro para todos VOCÊS.





Meno um botequineiro
Enviado por Meno um botequineiro em 02/05/2006
Reeditado em 02/05/2006
Código do texto: T149152
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Sobre o autor
Meno um botequineiro
Santos - São Paulo - Brasil, 70 anos
9 textos (466 leituras)
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Meno um botequineiro