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Dia de Banho nos Antigamente

                                   DIA DE BANHO NOS ANTIGAMENTE
        SABADOS--- DIA DE BANHO PARA TODA A FAMÍLIA
         CRIANÇAS,  AVÔ,  AVÓ,  MÃE  E  PAI
             TODOS ELES, NUMA SÓ AGUA,
                        EM SEQUENCIA,
         UM Á UM, SEU BANHO TOMAVA.

                                                SERÁ QUE FAZEMOS IDÉIA,
DE COMO NOSSOS ANCESTRAIS,
QUANDO P’RA CÁ IMIGRARAM,
PARA MANTEREM SEU ASSEIO,
ELES SEUS BANHOS TOMAVAM?..
AGUA HAVIA EM ABUNDANCIA,
POREM NÃO ERA ENCANADA,
TINHA QUE SER BUSCADA NA FONTE,
QUE NEM SEMPRE PERTO ESTAVA,
AS VEZES A BOA NASCENTE,
                        FICAVA UM TANTO AFASTADO.
                       TODOS OS SÁBADOS A NOSSA MÃE,
                       MUITA AGUA NO TACHO FERVIA,
                       E A GRANDE BACIA DE ZINCO,
                       P’RA COZINHA ELA TRAZIA,
POIS ALI ERA O MELHOR LUGAR,
PARA O NOSSO BANHO TOMAR.
COMEÇAVA-SE PELAS CRIANÇAS,
            FAZENDO UMA PRÉ-SELEÇÃO
INICIANDO PELOS MAIS LIMPOS,
TERMINANDO PELO SUJÃO,
                       UM  Á UM NA MESMA AGUA,
                       NÃO ECONOMIZANDO SABÃO.
                        COM GRANDE DESENVOLTURA,
                                                MAMÃE NOS ENSABOAVA,
                                    E COM VIGOR ESFREGAVA,
                                                ATÉ FINALMENTE CONSEGUIR,
                        COM TODA A SUJEIRA SUMIR.
                        ESFREGAVA COM TANTA ENERGIA,
                            QUE ATÉ NOSSA PÉLE ARDIA.
INCRIVEL QUANTA SUJEIRA,
EM NOSSA PÉLE BEM CLARA,
                        PELOS DIAS DA SEMANA,
                        IAM AOS POUCOS SE JUNTANDO,
FAZENDO-NOS PARECER,
UNS AUTENTICOS CIGANOS.

           APOS O BANHO, PORÉM,
NAQUELA AGUA BEM QUENTE,
                        DAVA ATÉ A IMPRESSÃO,
                        DE TERMOS SIDO SUBMETIDOS,
Á UM BANHO DE CLAREAMENTO,
DAQUELES QUE USADOS SÃO,
PARA ALVEJAR O ALGODÃO.
TAL FATO ERA MAIS NOTADO,
NOS DOIS IRMÃOS TRAQUINAS,
                        QUE, POR SEREM OS MENORES,
            JUNTOS TOMAVAM O BANHO,
  ESPADANADANDO MUITA AGUA,
          IAM TODAS A COSINHA MOLHANDO.
          E QUANDO O BANHO TERMINAVA,
CADA QUAL MAIS CLARO ESTAVA.
NUMA AGUA DE LIMÃO,
PREPARADA NUMA VASILHA,
ERAM OS CABELOS ENXAGUADOS,
DEPOIS DE MUI BEM LAVADOS.
TAL BANHO TINHA A VIRTUDE,
            DE  REALÇAR DOS CABELOS A CÔR,
DEIXANDO-OS BEM SOLTOS,
COM TOQUE SUAVE E FARFALHANTE,
            ERA O NOSSO CONDICIONADOR.
TODAS AS NOSSAS CRIANÇAS,
QUANDO ASSIM ERAM LAVADAS,
FICAVAM UMA BELEZA,
        COMO NOVAS ELAS FICAVAM.
FELIZMENTE NAQUELES TEMPOS,
                        PIOLHOS NÃO ERAM FREQUENTES,
PORÈM SEMPRE HAVIA ALGUNS,
PARA ATORMENTAR TODA GENTE.
AGORA CHEGOU A VÊZ,
            DO NOSSO QUERIDO VOVÔ,
DE O SEU BOM BANHO DESFRUTAR.
PARA ACANHAMENTO EVITAR,
                        UM LENÇÓL É ESTICADO,
PARA DE OLHARES CURIOSOS,
O LOCAL FICAR ISOLADO.
                                                                                             O VÔ PARA SE LAVAR,
PRECISAVA FICAR DE QUATRO,
POIS lhe FALTAVA O EQUILIBRIO,
PARA DE OUTRO JEITO FICAR.
PRIMEIRO ELE LAVA O ROSTO,
DEPOIS COM O ESFREGÃO,
VEM A VOVÓ E ESFREGA,
SUAS COSTAS E TODO O RESTO,
COM AGUA E BASTANTE SABÃO.

DEPOIS, DENTRO DA BACIA,
            ELE SE PÕE AJOELHADO,
E A VOVÓ COM O REGADOR,
O ENXAGUA DE TODO LADO.
A AGUA DO BANHO, NESSA ALTURA,
COMO UM XAROPE JÁ ESTÁ,
E, MESMO ASSIM O VOVÔ,
COM TRANSBORDANTE ALEGRIA,
              COMO UM RÉCEM NASCIDO PIÁ,
DO REVIGORANTE BANHO SAÍA.
PARA LAVAR ERA ENROLADO,
O SEU USADO CEROULÃO,
E UM LIMPO ERA TIRADO,
DE DENTRO DO GAVETÃO,
ATE AO PRÓXIMO SABADO,
ÉRA ESTE Á SER VESTIDO.
O USADO DEPOIS DE LAVADO,
NO CORADOURO ERA ESTENDIDO
PARA BEM CLARINHO FICAR.
DEPOIS DE ENXAGUADO E TORCIDO
ERA SECO  NO VARAL .
PASSADINHO COM O FERRO Á CARVÃO,
VOLTAVA P’RO GAVETÃO.
AGORA ERA A VÊZ DA VOVÓ,
SEU GOSTOSO BANHO TOMAR.
                        PARA ENTRAR NA GRANDE BACIA,
    TINHA ELA CERTA DIFICULDADE,            
NÃO É QUE ENTRAR NÃO QUISESSE,
É QUE JÁ ESTAVA UM TANTO DURO,
E COM SEUS QUADRIS ABRANGENTES,
TINHA RECEIO DE CAÍR,
AO ENTRAR NA AGUA QUENTE.
FINALMENTE COSEGUIU
E CONTENTE, ATE SORRIU.
NAQUELE TEMPO NÓS, GURÍS,
                      ANDAVAMOS NA INCERTEZA,
SE A NOSSA VÓ, DE FATO ERA,
                        CEM POR CENTO MULHER?
NÓS SEMPRE Á VIAMOS VESTIDA,
COM ROUPAS SÓBRIAS E FECHADAS,
NÃO DEIXANDO MARGEM ALGUMA,
PARA  FANTASIAS VELADAS.
                       POR ISSO NÃO TINHAMOS CERTEZA,
DE QUE ELA, TALVÊZ NÃO FOSSE,
ALGO, MAIS OU MENOS, COMO.
                      UM BEM CAMUFLADO HOMEM!...

AGORA CHEGOU A VÊZ,
DE A MAMÃE NO BANHO ENTRAR.
COM DOIS BALDES DE AGUA QUENTE,
ELA O MESMO TEMPEROU,
E, LOGO, LOGO EM SEGUIDA,
NO TÉPIDO BANHO AFUNDOU.
            PATINHAVA DESLUMBRADA,
D’UM MODO ALEGRE E JOVIAL,
E ATE UMA ALEGRE CANÇÃO,
DE LEVE ELA TRAUTEOU.
AGORA PÔDE DE FATO,
                        REALMENTE DESCANÇAR,
DEPOIS DE TANTO TRABALHO,
SEU TÉPIDO BANHO DESFRUTAR.
DO BANHO ELA SAÍU,
COM A BELA FACE CORADA,
HÁ MUITO NÃO SE VIU,
MAMÃE TÃO ALEGRE E ANIMADA!
SORRINDO ELA ABRAÇOU,
TODA SUA FILHARADA.
                                               FINALMENTE, PARA ENCERRAR,
VAI PAPAI SEU BANHO TOMAR.
COM TRIUNFANTE OLHAR,
ENTROU ELE, TODO EM PÊLO,
NA AGUA DE SABÃO COALHADA,
DEMONSTRANDO SATISFAÇÃO.
BUFANDO E COM GRUNHIDOS,
SEU CONTENTAMENTO AFLORAVA,
EVIDENCIADO POR TAIS RUIDOS.
          TODAVIA E MESMO ASSIM,
COM VIGOROSA ESCOVAÇÃO,
PAPAI AINDA CONSEGUIU,
COM GRANDE SATISFAÇÃO,
LIVRAR-SE DE TODA SUJEIRA,
NAQUELE CALDO DE SABÃO.
PERCEBIA-SE CLARAMENTE,
O SEU GRANDE CONTENTAMENTO,
DAVA, ATÉ MESMO, A IMPRESSÃO,
QUE SUA ALMA SORRIA,
POIS DUMA BONITA CANÇÃO,
TRAUTEAVA ELE A MELODIA.


AGORA ESTAVAM TODOS,
LAVADOS E ESFREGADOS,
RELUZENTES E PENTEADOS.
PARECIAM ATE, MAIS NOVOS.
O PAPAI COM O VOVÔ,
PARA A FAXINA ENCERRAR,
FORAM ALEGRES E FELIZES,
“EIN KLEINER SCHNAEPSCHEN! ” TOMAR.
A MAMÃE PEGOU ENTÃO,
CALÇAS, CAMISAS, GIBÃO...
E TODA A ROUPA USADA,
MERGULHANDO TODA ELA
NA USADA CALDA DE SABÃO.
PROCEDENDO-SE DESSA MANEIRA,
                        SE SOLTA TODA A SUJEIRA.
PARA COMPLETAR A LIMPEZA,
FOI O RESTO DO BANHO USADO,
PARA O PISO ESFREGAR.
FICOU TUDO UMA BELEZA,
BRILHANDO E ATE CHEIROSO
E O POVO ALEGRE E DITOSO,
AGUARDAVA CONTENTE E FELIZ,
A NOVA SEMANA RAIAR,
                  ANTEVENDO COM EUFORIA,
                      O RAIAR DO NOVO DIA,
                  PARA UM OUTRO BOM BANHO TOMAR.
PARA NOSSA FELICIDADE,
TODO ESSE TEMPO MAGNIFICO,
BEM LONGE DE NÓS ESTÁ.
ENTRETANTO, SE ASSIM FOSSE CONTINUANDO,
DECERTO, MUITA AGUA ESTARIAMOS POUPANDO.

ESTOU AQUI, PARODIANDO NO VERNACULO, EM TRADUÇÃO MEIO CAPENGA, OS MUITO BEM HUMORADOS VERSOS DO “ BADETAG ANNO DAZUMAL “ PUBLICADO NA REVISTA SKT. PAULUSBLATT, JUNI 2004,  DE AUTORIA DE O.B. SCHUMACHER.
LEMBRO-ME QUE TAMBEM NOSSOS ANTEPASSADOS COLONOS, QUE A NOSSA BELA  PETRÓPOLIS LEVANTARAM, PROCEDIAM DE MODO BASTANTE SEMELHANTE.
AINDA NO MEU TEMPO DE GURÍ, O PROCEDIMENTO ERA PARECIDO.
SEM ENERGIA ELETRICA E SEM REDE HIDRAULICA, ACHO QUE NOSSO ANCESTRAL ATE QUE SE SAÍAM MUITO BEM. O CERTO É QUE, DE UM OU DE OUTRO JEITO, ELES RESOLVIAM O PROBLEMA DO BANHO SEMANAL. PREOCUPAVAM-SE SERIAMENTE COM O ASSEIO PESSOAL, A HIGIENE E LIMPESA DO LAR, DE SEUS ARREDORES E ATÉ DE TODA A NOSSA BELA E QUERIDA CIDADE NATAL.
 
         PETRÓPOLIS DE ANTANHO, ERA MODELO DE CIDADE LIMPA!


AJE
Enviado por AJE em 05/05/2005
Código do texto: T14989
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Sobre o autor
AJE
Guaíba - Rio Grande do Sul - Brasil, 101 anos
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