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O Cipreste e o salgueiro

Um velho e enorme cipreste coberto de musgos, que lhes pendiam dos ramos arqueados,dominava uma planície em um longínquo país. Tinha a aparência carrancuda de um batráquio hirsuto, sua casca era cheia de profundas reentrâncias e faltava-lhe um pequeno ramo na extremidade de um dos galhos. Embaixo de sua imensa copa jaziam cerca de quarentas outras árvores menores, algumas agonizantes, outras já mortas. Um salgueiro, já próximo aos seus momentos finais de vida, perguntou ao cipreste: Por que ele não ajudava aos que estavam morrendo à sua sombra? Todos que agora ali sucumbiam  foram aqueles que o protegeram e o promoveram no seu crescimento vigoroso. Foram eles que emprestaram a sua vitalidade e a sua dedicação para que o cipreste vingasse e se desenvolvesse sadio e forte. E, no entanto, era a própria sombra do cipreste que agora os matava. Ao que o cipreste respondeu: - Bebi das suas seivas enquanto precisei, para crescer saudável e potente. A natureza é assim, cruel e prática. Morrem dezenas para que um só sobreviva. Enquanto vocês agonizam eu parto para mais anos de reinado no mundo dos vegetais superiores. Vocês que me emprestaram os seus mais tenros anos , as suas energias mais preciosas precisam ser descartados para que não interrompam a minha ascenção aos píncaros da glória terrena. Algumas horas depois sobreveio uma horrível tempestade e um raio fulminante fulgurou o soberbo cipreste que foi juntar-se aos seus pares(párias) no infecto húmus de sua ex-sombra.

MORAL DA HISTÓRIA: QUEM SE PRESTA PRA CIPRESTE NEM PRA SI PRESTA!

Edmar Claudio
Enviado por Edmar Claudio em 04/05/2006
Código do texto: T150051
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Sobre o autor
Edmar Claudio
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
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Edmar Claudio