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Delicias das ilusões

        Faziam mais de dois meses que eu não pegava aquela erva que da um toque especial na pizza: o orégano. Alias fazia um bom tempo que eu não desfrutava de uma boa e grande pizza, daquelas que da pra se perder nos queijos, e empanturrar daquela gostosa borda de catupiri.Estava me achando um pouco além do peso, então me privei dos prazeres e deixei de ser gulosa por um tempo cerca de uns 2 meses , sobrevivi de saladas, coisas light bleh... Não, não fazem meu tipo eu sei, mas as vezes é melhor deixar morrer as chamas porque barcos de papeis não suportam, eles costumam queimar muito e depois virarem cinzas, como aconteceu muitas vezes.
  Sou meio compulsiva sabe? Se tenho uma cartela de danoninho eu vou comendo até ver o fim e depois completo a frase dizendo: Nossa o ruim disso é que acaba rápido. Ou seja, eu não sei desfrutar cada momento, eu quero tudo de uma vez, e acho que é por isso que me sinto às vezes, saturada das coisas e depois tão vazia (como agora). Mas voltando a pizza. Eu tinha deixado aquele saquinho de orégano antre-aberto; coitado deixei-o na esperança de que breve voltaria a saboreá-lo, mas não foi assim que ocorreu. Essa paixão pelo orégano, me trouxe muitas dores de cabeça, a cada pessoa que me parava a cada olhar que me secava, sempre martelavam na mesma tecla, deixar orégano congelado e aberto na geladeira não da certo, ele apodrece e da indigestão. Inúmeras pessoas falando, e dando conselhos, dicas e etc... Além de compulsiva sou bem teimosa, não gosto de escutar opinião alheia, me disseram um dia pra não brincar com Sal e pra contrariar comi muito sal, usei e abusei, até que ele me fez mal, e hoje sou dependente dele.
  Meu Deus, lá vou eu me distanciando da pizza novamente, não posso perder o rumo, como faço no meio de uma caminhada pra esquecer os problemas. É necessário ir até o fim sem olhar pras pegadas atrás e ficar remoendo o passado, sentindo saudade querendo estagnar, dessa vez preciso olhar pra frente.
  Além das outras qualidade (risos), também ajo muito por impulso, juro que não gostaria de ser assim, como daquela vez que pegaram uma das minhas pizzas com orégano e comeram muito e depois deixaram um restinho pra mim, poxa... Isso não se faz, tudo era meu, os ingredientes o forno, no mínimo 100% deveria ser meu e não delas... (não tinham autorização pra mexer), dai então eu briguei muito, fui capaz ate de agressão um pouco física e totalmente moral, foi impulso ímpeto de querer tudo que é meu no lugar, é ciúmes é obsessão... é egoísmo. Recapitulando, eu gostava demais do orégano, gostava (mas não o amava, amor? Nossa nunca mais!) de vê-lo ali paradão esperando o dia “X” pra poder ser devorado com os apetrechos necessários. Até que um dia eu fui usar você orégano, mesmo com aquela falação na minha cabeça (pois muitas pessoas já haviam sido decepcionadas por ti) eu queria você. Já não suportava mais a idéia de não poder sentir aquele suave gosto na boca e de depois ter que escovar os dentes (risos), porque gruda. Dava trabalho, mas era bom (apenas bom e mais nada)! Não estava tão dependente da erva igual ao Sal, ainda bem, menos um pra dá trabalho. O dia “X” chegou, provei o gosto de novo, mas tava podre, velho, sei lá... Estava estranho, eu vomitei passei mal, chorei, gritei de dor... me recuperei. Uffa!! Pelo menos não deu pra ficar hipertensa (dependente). Só que houve um problema, tomei nojo de orégano, não suporto estar no supermercado e sabendo que ele está lá na prateleira, pronto pra pegar uma nova vítima, e tentar deixar a pessoa
alucinada, por aquela cor verde e ao mesmo tempo amarelada e doentia. Já sabendo da sua podridão orégano, eu quis vingar, mas eu não tinha forças pra eliminar você do universo, a força era suficiente pra eliminar você da minha vida. E dali em diante eu era eu, o resto era o resto! Os restos das coisas não cabiam a mim, só olhava de relance e você orégano safado, sabia que eu estava por perto e ficava rodeando as pessoas igual vinagrete que só acompanha a carne e que de tanto rodear, achou uma otária, otária sim!!!
Ok, confesso, não gosto dela, nunca gostei, mas no fundo a gente tem pena né?
Já tinha eu alarmado pra todos os cantos, que a erva não prestava mais, pois havia ficado na geladeira muito tempo, quase todos me ouviram, menos aqueles que não gostavam de mim. Acreditaram no papo furado do orégano que inventou que nesse dia era meu estomago que não estava bom!
Imagine meu estomago perfeito...
  Elas acreditaram, comeram do orégano, só que passaram mal. E agora imaginem só têm duas meninas aqui fora da minha casa loucas e possessas pra me agredirem só porque o orégano amargou e fez mal, (avisei não quiseram me ouvir).
  Andaram falando, que eu não cuidei do orégano, que apaguei seu brilho e reformulei seus efeitos saborosos, só porque ele ficou aberto esperando ser devorado com carinho e respeito e a hora não veio porque eu cismei de fazer dieta depois do susto com o sal. (Ele não quis esperar ate que eu recuperasse minha alto estima).
Juro que a culpa não foi minha, porque quando eu estive pronta, eu bem que quis aproveitar, mas me pegaram o orégano e a pizza toda, agora não venham chorar o leite derramado, alias o orégano derramado!
  Tratem de plantar seus próprios frutos e cuidem deles, não tentem pegar o dos outros que vocês acabam estragando o cultivo e os prazeres de quem tanto esperou o momento de desfrutar de uma boa comida, um bom momento. E Infelizmente eu pensava ter plantado flores (e plantei) só que roubaram as minhas lindas e amadas flores, e por isso apenas colhi espinhos.
  (...) e assim eu vou vivendo a vida sem orégano, tentando descobrir outros prazeres gastronômicos que são agradáveis ao meu paladar, e no dia a dia tentando esquecer a desfeita da pressa e ingratidão do orégano aberto, congelado e abandonado na geladeira do meu coração, ele não soube esperar e eu infelizmente não queria mais uma vez me alimentar de ilusão, pois me disseram que ser escravos de amor e dependente como aconteceu com o sal, não era amor, era outra coisa e dessa vez eu queria muito saber o que é o amor de verdade, sem remendos e arranhões, aquele amor que deixa agente leso no mundo da lua abestalhado e tonto no meio da rua, uma louca, uma menininha, sorrindo e cantarolando sem parar, isso sim que é o amor, segundo os poetas.
Obs.: Sei que sou maluca, mas esse é o meu jeito, uma pessoa que não olha pra perto e sim
pra longos horizonte...
 
Grazielle Soares
Enviado por Grazielle Soares em 04/05/2006
Código do texto: T150475
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Sobre a autora
Grazielle Soares
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 27 anos
15 textos (3568 leituras)
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Grazielle Soares