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Tarde de mais



  Doce, feliz, integra, mas sempre mole, dependente. Você? Um docinho, durão, o forte, decidido e o que nunca erra. Os opostos se atraem e os iguais se repelem uma das Leis da Física mais corretas que existem. Foi o que nos ocorreu. Doce e doce, mas em consistências diferentes azedou. Chorei, sofri, fui ignorada e me cansei, acabei virando um doce congelado.
  Naturalmente após sua partida apareceram outros apaixonados pelas formas, mas deram de cara com um conteúdo estranho e gelado. Conheci o QUEM umas semanas atrás: Bonitão, atencioso e de tão insistente quebrou o gelo.De tanto amor/calor que o QUEM me dava, extravasei e acabei por agregar-me ao estado de vapor, afinal havia voltado a ver a vida como uma dádiva, não um castigo de Deus. Lá bem no alto da atmosfera estando por cima de tudo e todos, deu no que deu né? Acabou causando inveja em seres inferiores, e o que aconteceu foi um grande conflito. Onde eu, muito chateada não deixei barato. Dessa vez gritei, atormentei e mostrei que também posso; e o resultado foi: Um grande e nebuloso temporal.
  Toda água derramada por mim escoou até uma linda represa; era verde pra todos
os lado, sossego, alegria e de tanta coisa agradável junto fiquei entorpecida, perdi a consciência e quando dei por mim estava entrando pelo cano. Um encanamento conhecido, familiar pensei, parecia... Parecia com a sua casa! Ahhh não! Você estando por perto tinha certeza que acabaria por me sentir inferior novamente. E estando na condição de “água nervosa” você me usaria e eu iria pro ralo/bueiro e etc. Tudo que conquistei até então seria mais uma vez desvalorizado. Em clima total de horror não percebi sua singela e terna ação: pegou toda minha essência e derramou suavemente sobre uma semente recém plantada. Ao adentrar aos poucos na terra fofa e fértil reconheci aquela planta pequena que ansiava por mim: era a rosa. Agora era uma linda e vermelha flor.
  Todos os dias e várias vezes, você me visitava, sempre sorrindo, contemplando minha rara beleza. Mas alegria de pobre dura pouco e você delicadamente cortou meu cabo e mais uma vez perdi meus sentidos. Quando dei por mim estava na sua bela casa envolta de um papel maravilhoso. A campainha tocou você correu ansioso para abrir. Era ela a sua namorada, mulher, amante sei lá. Não gostei, mas sem poder fazer nada, e inerte assisti, vocês se beijarem, discutirem e depois brigarem. Moveis estalaram, gritos ecoaram, objetos se quebraram. Você me pegou, beijou-me inesperadamente. Ofereceu-me a ela e quando a tal estica as mãos para tocar-me, você muda de idéia coloca-me junto ao peito respira fundo e começa:
     - Não, você não merece a delicadeza dessa flor, a suavidade de suas pétalas e o perfume que elas exalam. - Vai ao jardim pega uma folha seca do chão e prossegue em suas cortantes e frias palavras. – Fique com essa folha sem vida insensível as divergências, grosseira e insensata, assim como sua pessoa. – Ele abre a porta da casa e faz um sinal de: retire-se. Eu ainda junto ao seu peito subo com ele as escadas.  Fito aquele homem com os olhos úmidos e pensante; concluo: - "Até que em fim ele percebeu suas “inqualidades”, falsidades, crueldades e reconheceu as minhas excelentes características, mesmo sendo depois de muito tempo tentando ser reconhecida; TARDE DEMAIS, agora sou apenas uma planta arrancada de sua raiz, que em pouco tempo ficaria sem vida... pois é mais uma vez morreria em suas mãos.
        Você é um inconsciente destruidor, inocente e imaturo.
Grazielle Soares
Enviado por Grazielle Soares em 04/05/2006
Código do texto: T150487
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Sobre a autora
Grazielle Soares
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 27 anos
15 textos (3569 leituras)
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Grazielle Soares