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Histórias do cotidiano
Vincent Benedicto


“O amor é imortal. Pode sobreviver a tudo, até mesmo a cataclismos e ao passar dos milênios. Há um lugar em que essa máxima, já tão clichê, se concretiza. É Pompéia, na Itália. A fúria do vulcão Vesúvio selou o destino da cidade há dois mil anos, mas também eternizou sob cinzas e lava as paixões de seus habitantes. As histórias de amor dos homens e mulheres de Pompéia são mais que lembranças. Estão gravadas em pedra, imutáveis. A declaração de um certo Marcos à sua amada Espedusa ainda pode ser lida com nitidez. Assim, como o desesperado pedido de Sucesso pelo amor de Híris. Marcos, Espedusa, Híris, Sucesso e tantos outros tiveram suas vidas destruídas pelo vulcão. Mas continuam a ser personagens de romance, cujo estudo dá novas cores à vida diária da Roma antiga na visão de (Ana Lucia Azevedo)”. 

A história nos conta, que nem só de tragédias viveu a cidade de Pompéia na Itália. Submersa em cinzas pelo Vesúvio em 79 d.C. a cidade romana é hoje um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo. Os estudos começaram no século XVIII e algumas pesquisas revelaram os prazeres libertinos da cidade. Em Pompéia a prostituição era uma atividade comum, aceita pela sociedade, comentada até mesmo nos grafites dos muros. Diferente dos grafiteiros atuais – que se assemelham aos cães apenas demarcando os seus territórios – os grafiteiros de Pompéia, faziam a propaganda! Consignavam os preços e as especialidades das mulheres. Graças aos grafites, os arqueológicos de Pompéia descobriram que a prostituição era praticada até em reservados restaurantes como complemento à refeição. (Interessante isso! Já pensou? Você acabava de comer o garçom te oferecia a sobremesa na cama!) Protegida por um nome fictício, a prostituta trabalhava nua, com os seios envoltos numa rede dourada e recebia ela própria o pagamento pelos serviços prestados. A principio foi um oficio de escravas que, em quartinhos isolados ou no reservado dos restaurantes, propunham um complemento sexual às refeições cotidianas. Como nos dias de hoje, os preços variavam segundo o produto. Uma certa Attice cobrava 16 asses enquanto Fortunata, fazendo jus ao nome cobrava 23 asses. Na verdade a prostituição, não só em Pompéia, mas nas cidades romanas, tinha uma função de válvula de segurança, cuja existência protegia as mulheres honradas, casadas ou não. Essa função era reconhecida pela sociedade. Além disso, os romanos não se importavam em serem vistos na entrada ou na saída de um prostíbulo. Segundo a lei, uma relação com uma prostituta não constituía adultério, visto que, para os romanos, tal mulher era desprovida de honra. Por outro lado, as escravas libertas, que não sabiam fazer outra coisa, permaneciam nesse meio, mesmo depois de haver mudado de condição.
A partir de Augusto (séc. I a.C.) foram feitas leis visando proteger “mulheres não acessíveis” e, por conseguinte, regulamentando as “acessíveis”. Toda mulher livre e considerada “honrada” ficava sujeita a esta lei e o homem que a infringisse com este tipo de mulher era passível de penalidade
Escravas tinham regulamentação específica: qualquer um que não o dono que mantivesse relações com uma escrava era responsabilizado por dano material. Em contrapartida, uma “mulher honrada” que induzisse um de seus escravos a práticas sexuais, tornava-se passível de sanções penais.
Somente prostitutas não eram atingidas pelas chamadas “leis do pudor”: as prostitutas e, mesmo assim somente durante o tempo que exercessem a profissão. Caso abandonassem esta ocupação e algum homem as assediasse, então estes estariam transgredindo a lei.
A prostituta que desejasse não oferecer ameaça de processo a seus clientes deveria se inscrever no registro de prostitutas e, mulheres que não exercendo este ofício quisessem manter impune sua convivência com os homens, também deveriam inscrever-se nesta lista.
Efetivamente, a maior parte das inscritas não era profissional, mas se não estivessem dentro deste regulamento poderiam ser processadas por estarem agindo livremente com os homens – o que era somente permitido a prostitutas.
Caso uma “novata” na profissão não providenciasse o registro poderia ser multada pelo Edil e se estivesse exercendo a prostituição em um bordel era, em geral, o dono do estabelecimento quem arcava com as despesas devendo a mulher paga-lo em forma de trabalho. Muitas destas mulheres jamais conseguiram sanar suas dívidas e passaram toda a vida trabalhando de graça.

A prostituição sempre esteve ligada à história romana. A primeira informação que se tem data antes mesmo da fundação de Roma. As mais antigas tradições romanas nos contam que quando a vestal Rea Silvia abandonou seus filhos, Rômulo e Remo, no rio Tibre, estes foram acolhidos e criados por uma “loba” (nome que era dado às prostitutas) chamada Acca Larentia.

Um depoimento feito por CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO
Doutoranda em Filosofia (Universidade Paris X - Nanterre)
“Conheci Sylvie, uma linda jovem de 20 anos, na Universidade em que estudo. Simpática, estudiosa, inteligente e... pobre! Vinda do interior da França, deparou-se com a” "Selva de Pedra" que é Paris e muitas vezes perguntou-se como faria para pagar os estudos e sobreviver em um lugar onde a solidariedade passa longe. Um dia, conversando comigo declarou: "Repudiei a idéia de prostituir-me quando Betty (outra estudante), ao ver minhas dificuldades, relatou o que fazia dizendo-me que se eu quisesse poderia também... dias depois, eu estava sentada em um bar em 'Saint Germain des Prés', um homem muito gentil pediu-me permissão para acompanhar-me no drink, aceitei e, após uma clássica e envolvente conversa, ofereceu-me 450 euros para fazermos amor. Imediatamente, disse não, ele se desculpou levantando-se para partir, então, pensei em minhas dívidas, em Betty, chamei-o e aceitei... hoje tenho cinco amantes fixos, os quais vejo uma ou duas vezes ao mês, sustento-me muito bem assim, não é nada de anormal, só não tenho coragem de ter um namorado porque me sentiria enganando-o e isso não é certo...".

Entre o que a história nos conta desde o século I e o que presenciamos no século XXI não mudou em nada a prostituição. Os costumes são os mesmos, as historias se repetem, os tabus continuam e a mulher sempre é a desonrada. 

Um dia questionei um doutor em teologia sobre a honra da mulher. Porque essa referência somente em relação à mulher? O homem sempre está na posição honrada? Ou sua honra não é afetada? Ele me respondeu curto e grosso...
—Seu pênis só serve para urinar e dar prazer às mulheres. Por isso, ele é um órgão profano. Já a mulher, tem a vagina para gerar uma vida. Por isso seu órgão genital é honrado! Não agüentei e estiquei o chiclete com ele. Dr., sendo assim, se eu fizer sexo anal com ela então tudo bem? Tanto o... de um, como o... do outro só serve para... Você acredita que ele não respondeu e ainda me virou a cara! 

Será que fiz alguma pergunta idiota?








Vincent Benedicto
Enviado por Vincent Benedicto em 05/05/2006
Reeditado em 05/05/2006
Código do texto: T150890
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Sobre o autor
Vincent Benedicto
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Vincent Benedicto