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Um beijo nos pés

Havia alguma coisa no ar - ou melhor: na rede. Vivendo a ler os poemas de vários autores desconhecidos no Site da Magriça, de ali também pondo os meus textos, de participar do - talvez - primeiro livro (real, de papel) totalmente idealizado, escrito e diagramado na internet, passei a procurar outros ares (ainda que virtuais), mesmo sem me afastar da origem. De alguns sítios virtuais por mim pesquisados, parei em um. Talvez (penso hoje) porque havia duas pessoas (poetisas) de nome Lis. Lis, de lírio, de flor, de poesia, de amor. Prendi-me, de início, aos textos das duas. E me aproximei de uma, porque seu Lis me dizia mais: Lisieux (e eu pensei: Lis e eu). Ora, era, talvez, uma completude, mesmo que virtual. E essa completude foi se firmando com o tempo, esse distanciamento e ao mesmo tempo essa aproximação que a virtualidade propiciava me foram fazendo mais e mais atentar para o que lisieux (com minúscula, como ela mesma gosta de grafar) escrevia. Preciosista que sou no fazer poético, em seu ritmo e sua melodia, vi ali um ritmo latente ainda por burilar, mas uma poesia muito forte. E ali eu não falava muito dessa latência, mas enfatizava a poesia, que era o que sobressaía - e muito!
E fomos fechando uma amizade cada vez maior, a ponto de parecer - a nós e aos outros que nos rodeavam virtualmente - que éramos amigos de muito tempo, que nos conhecíamos no “tête-a-tête”, etc, etc. E me via lendo poemas eróticos, picantes, saídos do teclado de uma estudante de Teologia. Achava interessante, mas não estranho, pois a Deus o erotismo é uma forma de apresentar o amor. E aproveitava para escrever sonetos e glosas, poemas livres e galopes à beira-mar.
E fui acompanhando seu repente nos diálogos poéticos, e me interessei - pernambucano que sou - por aqueles repentes. E me entrosei mais e mais. Fugindo da forma do repente nordestino, ali eu podia responder a uma quadra com um soneto, podia contrapor sextina com poema de versos livres, e mantinha o diálogo poético, muitas vezes uma conversa de vários poetas. E lisieux sempre participante, sempre com seus poemas de cunho pessoal e ritmo próprio.
E fomos trocando versos e poemas, até que fizemos uma coroa de sonetos apenas no diálogo virtual. E, gostando, fizemos mais uma. E passamos de admiradores mútuos a amigos, mesmo que não nos tivéssemos visto em nenhum momento.
Até nossa linguagem mudou ao nos falarmos. E nossos poemas passaram a fazer parte ou a complementar o poema do outro.
Hoje, com quase dois anos de conhecimento, já nos pudemos ver e conversar, naquele “tête-a-tête” que todos os amigos procuram, mesmo que por um pequeno momento em meio a uma viagem. Hoje, mesmo distantes geograficamente, temos a virtualidade da Internet a nos aproximar, pois a amizade fez-se firme, a cumplicidade poética amadureceu.
Hoje, quando trocamos poemas ou simplesmente confidências, já posso utilizar a expressão que fabriquei para esses momentos e que já foi tema de soneto seu: Um beijo nos pés.
Paulo Camelo
Enviado por Paulo Camelo em 07/05/2005
Código do texto: T15432
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Camelo
Recife - Pernambuco - Brasil, 68 anos
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36 áudios (10732 audições)
6 e-livros (1679 leituras)
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