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SOMOS MORTOS-VIVOS E PALHAÇOS



É assim que se sentem os brasileiros. Vivemos num imenso cemitério onde foram enterradas: a vergonha, a honra, a lucidez, o patriotismo e os bons costumes. Zumbis vagando entre as covas da corrupção inalando o fétido odor do corporativismo, do me salva que eu te salvo.
Palhaços esfarrapados no picadeiro dum circo decadente, onde o leão rouba a comida da girafa e o domador não vê e não sabe de nada. O circo está com a lona rota, desprotegido das intempéries e possibilitando o pouso de aves estrangeiras e, pelo buraco da falta de coragem, defecam palavras injuriosas contra um dos bens do circo que ainda resiste.
O circo está falido, não tem nada, só miséria humana e nela tripudiam os que se dizem salvadores. Riem dos pobres palhaços que se atropelam para conseguir um prato de comida, segurando pela mão os filhos que mais parecem faquires. Fingem tanta pena quando um deles morre na porta de um hospital qualquer, mas o dinheiro da saúde foi desviado, através de estranhas magias, sabe-se lá para onde. Uns dirão que os palhaços devem fazer a sua parte no contexto da sociedade circense, mas eu rebato: todos fazem a sua parte. Como? Pagando imposto todo santo dia, e quem recebe esse dinheiro não o emprega em benefício dos pagadores. Isso é lastimável.
Tudo está nas mãos dos gringos: telefones, bancos, energia e etc. Restaram apenas os palhaços, chorando, esmolando e levando bala das crias de tantos governos amaldiçoados que já passaram e dos que estão aí. Este circo Brasil, que sonhou um dia ser um “cirque du soleil”, e apresentar o magnífico espetáculo do crescimento, sob holofotes e muita música, não o fará. Não há luzes e muito menos música, só as vozes ratonas cantando: “onde está o dinheiro...”. Somos palhaços, todos, de norte a sul, de homens que foram moldados com o aço da desonestidade derretido na caldeira da siderúrgica do inferno. Um dia pagarão por tudo isso que está acontecendo. Serão cozidos no caldeirão da ganância, temperados com o sal dos crimes praticados para satisfazer o apetite do deus deles: SATANÁS.

19/05/06.
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 19/05/2006
Código do texto: T159113

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão